Há 11 anos, brasileiros trollaram o mundo todo em campanha para calar Galvão - TV História

Há 11 anos, brasileiros trollaram o mundo todo em campanha para calar Galvão

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Em 2010, a Seleção Brasileira buscava o hexacampeonato na Copa do Mundo que seria, pela primeira vez, realizada em um país africano. A África do Sul fez uma grande festa e apresentou para o mundo a famigerada vuvuzela, uma corneta que protagonizava uma verdadeira algazarra em todos os jogos.

Além do instrumento escandaloso, outro assunto fez barulho e trouxe dor de cabeça para um dos maiores narradores brasileiros: Galvão Bueno.

Ao longo dos anos, o público sempre viveu um caso de amor e ódio com Galvão. Inúmeras vezes vimos em estádios faixas com a frase “Filma eu, Galvão!”, com pedidos de abraços e elogios. Entretanto, naquela época, as críticas se acentuaram por parte dos espectadores brasileiros.

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Tudo começou no dia 10 de junho de 2010, antes do primeiro jogo da competição, no grande show de abertura com Shakira, Black Eyed Peas e artistas locais, transmitido pela Globo, justamente sob o comando de Galvão Bueno.

Com suas frases e bordões, Galvão irritou o público, que foi ao Twitter reclamar do apresentador. Esse movimento ficou entre os assuntos mais citados no Brasil. A partir de então, começou uma campanha para que a frase “Cala boca, Galvão!” viralizasse no mundo. Como a campanha atingiu diversos países que desconheciam o narrador, muitos estrangeiros questionaram qual seria o significado daquela frase.

De uma forma bem-humorada e inteligente, o artista visual Fernando Motoles criou um vídeo, com locução em inglês, “explicando” o motivo da mobilização: Galvão, na verdade, seria um “pássaro” ameaçado de extinção, que um tal cientista de nome Frey Galvão tentaria defender por meio de uma cápsula protetora. Ainda, segundo a invenção de Motoles, cada tuíte citando a famigerada frase resultaria em 10 centavos para manter uma suposta instituição de proteção animal.

Por ser tão bem elaborada, a farsa ganhou ainda mais destaque no mundo: The New York Times, El Pais e outros veículos relevantes reportaram o fato. A própria revista Veja trouxe na capa o assunto, mostrando a força do Twitter.

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Em contrapartida, Galvão não gostou nem um pouco da brincadeira e o assunto não era tratado nas transmissões e nos programas da Globo. No jogo de estreia, entre Brasil e Coreia do Norte, era possível ver uma faixa na arquibancada com a famosa frase que virou hit no Twitter.

Em seu livro “Fala, Galvão”, o narrador citou como recebeu o fato. “O ‘Cala a boca, Galvão!’ foi uma das coisas mais incríveis que me aconteceram nesses anos todos de estrada. Foi como se um míssil nuclear tivesse caído na minha cabeça”, descreveu.

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“Eu sabia que alguém tinha começado essa história por achar que eu havia falado muito na transmissão da cerimônia. Eu falo muito mesmo. Aí esse alguém criou e disponibilizou o vídeo do “Cala a boca, Galvão” na internet, isso virou um rastilho de pólvora e foi crescendo. Fiquei assustado, de verdade, quando pensei que tinha uma Copa inteira pela frente. Como é que eu faria?”, completou.

Para encerrar de vez o constrangedor silêncio do locutor, Galvão finalmente se rendeu e decidiu falar sobre o assunto, de forma descontraída, no programa Central da Copa, apresentado pelo jovem Tiago Leifert, que fazia grande sucesso à frente do Globo Esporte São Paulo com seu jeito divertido e informal.

Na entrevista, o experiente narrador disse que era a favor da campanha e relembrou um apelido dado por Ayrton Senna: “Narrador fala muito né? Então o meu amigo Senna me chamava de papagaio, de forma carinhosa, então estou dentro da campanha”, declarou Galvão.

Após essa declaração, a piada foi perdendo força e ficou apenas na lembrança dos espectadores. Esse fato foi importante para a TV Globo notar a força das redes sociais e a importância do bom humor em seus programas esportivos, ressaltando que a melhor maneira de lidar com situações jocosas é tirar proveito da piada para conquistar a audiência.

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