Valeu a pena rever o show de Eliane Giardini em Êta Mundo Bom!

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A reprise de “Êta Mundo Bom!” está quase encerrando seu ciclo. Entre os muitos acertos da novela de Walcyr Carrasco (dirigida por Jorge Fernando), exibida pela primeira vez em 2016, vale destacar a escalação do elenco, repleto de talentos em sua grande maioria, tendo apenas umas três ou quatro exceções. Muitos atores tiveram a oportunidade de brilhar durante a trama. E uma das melhores atrizes do time foi Eliane Giardini, que ganhou um grande papel, cuja importância pôde ser acompanhada ao longo de oito meses de novela.

Anastácia é um dos perfis mais íntegros da história e mãe de Candinho (Sérgio Guizé), o protagonista do folhetim. No início, o telespectador acompanhou a saga da dona da fábrica de sabonetes Aroma em busca do filho. Isso porque seu autoritário pai tirou o bebê de seus braços assim que nasceu e mandou matá-lo. Mas uma empregada se recusou a executar o serviço e acabou colocando a criança em um rio. Tudo foi acompanhado no primeiro capítulo, aumentando o envolvimento do telespectador com aquele tocante e folhetinesco enredo.

Ao contrário do que se imaginava, o reencontro de mãe e filho não demorou muito e ocorreu antes da metade da novela. Eliane e Sérgio protagonizaram a cena mais linda da trama e emocionaram. A partir de então, a personagem entrou em uma nova fase, desta vez ao lado de Candinho e iniciando um romance com o professor Pancrácio (Marco Nanini).

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A milionária passou a viver um amor complicado, em virtude da disparidade financeira entre ela e o humilde filósofo, virando até mesmo alvo de Pandolfo (também feito por Nanini), irmão gêmeo de quem sempre lhe interessou.

Em meio a todos esses acontecimentos, Anastácia representou a força de uma mulher à frente do seu tempo. Afinal, ambientada na década de 40, a atitude de uma mulher em assumir que teve um filho solteira e ainda ir atrás dele era um feito, assim como cortejar um homem, quebrando qualquer costume patriarcal. A figura da milionária que transbordava honestidade e bondade foi um dos pontos altos da produção, destacando a ótima construção de Walcyr Carrasco. Sem dúvida, um perfil engrandecedor, tanto para a história quanto para a carreira de Eliane Giardini.

Independente dos acontecimentos do folhetim, Anastácia nunca perdeu o destaque. Ela sempre foi um dos focos centrais da história, representando, o pilar de seu núcleo. Tanto que depois de todos os conflitos desenvolvidos ao longo dos meses, a personagem ainda virou alvo da sobrinha Sandra (Flávia Alessandra), que lhe aplicou um golpe, roubando todos os seus bens. Sem nada, a empresária se mudou com a família —- Maria (Bianca Bin), Celso (Rainer Cadete), Pirulito (JP Rufino), Candinho, Alice (Nathalia Costa) e os burros —- para a casa de Pancrácio, iniciando, então, uma batalha contra a vilã.

Enquanto não voltava para sua vida de luxo, a personagem acabou ainda mais próxima de Pancrácio e o pediu em casamento. Os dois se casaram em uma cerimônia simples, ficando finalmente juntos, desta vez sem o empecilho da diferença condição social. Após ‘se resolver’ na questão amorosa, a até então ex-milionária conseguiu vencer a sobrinha nos tribunais, reavendo toda a sua fortuna. Foram várias cenas ótimas protagonizadas por Eliane Giardini, que honrou a importância do seu papel. Sua parceria com Marco Nanini foi perfeita e transformou o par em um dos melhores da história. As suas cenas ao lado de Flávia Alessandra, Bianca Bin, Rainer Cadete e Sérgio Guizé também merecem vários elogios, principalmente a partir da metade da novela.

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Essa personagem acabou sendo uma compensação de Walcyr, que não valorizou o talento de Eliane em “Amor à Vida”, sucesso do horário nobre exibido em 2013. Ela viveu a honesta Ordália, que trabalhava como enfermeira no Hospital San Magno, e era mãe do mocinho Bruno (Malvino Salvador). A atriz apareceu muito pouco e era quase uma figurante de luxo. Mas, três anos depois, o autor se redimiu e a escalou para viver esse bem construído perfil, responsável por vários momentos importantes da história das seis, que entrou para a lista de grandes papéis da carreira da intérprete —– cujos maiores destaques são a Dona Patroa de “Renascer” (1993), a Nazira de “O Clone” (2001), a Caetana de “A Casa das Sete Mulheres” (2003), a viúva Neuta de “América” (2005), e a Muricy de “Avenida Brasil” (2012). Mas o autor também a valorizou um ano depois, em 2017, quando a presenteou com a racista Nádia, em “O Outro Lado do Paraíso”. A perua preconceituosa se mostrou um tipo bem real, ainda mais em 2020, e a intérprete deu show.

Eliane Giardini ganhou um grande papel em “Êta Mundo Bom” e se destacou do início ao fim com a sua forte Anastácia. A reprise repetiu o sucesso de quatro anos atrás (é a melhor audiência do “Vale a Pena Ver de Novo” desde 2014) e um dos êxitos da produção é justamente a brilhante interpretação dessa atriz que foi presenteada com uma personagem que fez jus ao seu reconhecido talento.

SOBRE O AUTOR

SÉRGIO SANTOS é apaixonado por televisão e está sempre de olho nos detalhes, como pode ser visto em seu blog. Contatos podem ser feitos pelo Twitter ou pelo Facebook.



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