Um ano sem Gugu: os 7 programas mais marcantes de sua carreira - TV História

Um ano sem Gugu: os 7 programas mais marcantes de sua carreira

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Hoje, 21 de novembro, é dia de lembrarmos com saudade de Gugu Liberato. Em quase 40 anos como apresentador, ele era o rosto de uma televisão onde o “politicamente correto” ainda não imperava.

A diversão e o flerte com a sensualidade eram elementos frequentes em suas atrações. Paralelamente, ao apostar na televisão ao vivo, ancorou coberturas jornalísticas marcantes, como a trágica morte do grupo Mamonas Assassinas, em 1996.

Com uma trajetória marcada por inúmeras façanhas, escolher os sete programas mais marcantes que ele comandou não é uma tarefa simples. Mesmo assim, o TV História se arrisca a fazer essa seleção.

Para elaborar essa lista, levamos em consideração critérios como audiência, repercussão e momentos marcantes. Mas o principal deles é o afetivo: as lembranças que este colunista guarda na memória. Por essa razão, as atrações não foram citadas em ordem cronológica. Vamos às escolhas!

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7 – Sabadão Sertanejo / Sabadão (1991)

Em 1991, o sertanejo era um ritmo que estava em ascensão nas paradas musicais. De olho nesse boom, o SBT lança o Sabadão Sertanejo. Nos primeiros dois anos, o programa manteve-se fiel ao nome e recebia apenas artistas desse gênero.

Essa imposição, no entanto, começou a ser flexibilizada em 1993, depois que o Viva a Noite chegou ao fim. Mas somente quatro anos mais tarde a atração descartaria o “sertanejo” do nome definitivamente, valorizando a pluralidade dos convidados.

Basicamente, a proposta era abrir espaço para artistas e músicas que faziam sucesso. Nem assim, no entanto, a sensualidade não ficou de fora. Enquanto artistas performavam os seus hits, mulheres dançavam quase nuas.

Quando as letras eram comportadas – ou mesmo para crianças – uma situação inusitada saltava aos olhos. Foi o que aconteceu quando Eliana esteve no programa divulgando a sua música sobre o desenho Pokémon:

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6 – TV Animal (1988)

Em 1988, o SBT lança TV Animal, que mesclava games e reportagens sobre a fauna brasileira. A cada semana, os artistas convidados respondiam perguntas e participavam de provas.

Talvez a mais lembrada seja a brincadeira da “mão no bicho”, na qual os participantes tinham a missão de identificar um animal sem vê-lo, apenas pelo toque. Em outra prova, a tarefa era descobrir qual o bicho de estimação de um famoso, com base nas dicas fornecidas.

Além dos convidados humanos, a macaca Chuca costumava roubar a cena, fazendo estripulias no palco. O TV Animal seguiu no ar mesmo após Gugu deixar o projeto. Entre os nomes que apresentaram a atração estão os das loiras Angélica e Eliana.

Antes de herdar o programa, aliás, a intérprete de Vou de Táxi participou do TV Animal. A íntegra desta edição está no Youtube. Assista:

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5 – Passa ou Repassa (1988)

Entre os programas que mais marcaram a carreira de Gugu, também devemos destacar o Passa ou Repassa. Curiosamente, este foi o único dos formatos que o loiro herdou: o primeiro apresentador foi Silvio Santos.

Tal qual ainda acontece, a atração consiste, basicamente, na competição entre duas equipes. Além de escolas, famílias de artistas ou jogadores de futebol também se enfrentaram durante a “era Gugu”.

A missão dos competidores é a de responder questões que englobam diversos temas. Quando o time com direito de resposta não sabe, pode passar a pergunta aos adversários. Eles, então, podem responder ou repassar.

Se ninguém acertar, o time original deve “pagar”. A consequência é sempre uma prova física de habilidade ou sorte, que deve ser cumprida dentro do prazo estipulado.

O ápice, no entanto, fica a cargo da Torta na Cara, onde dois competidores se desafiam diretamente. Aquele que aperta o botão primeiro, ganha o direito de resposta e, se acertar, pode; lambuzar o rosto do adversário. Assista:

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4 – Corrida Maluca (1989)

Um dos formatos mais criativos já comandados por Gugu, Corrida Maluca pré-selecionava três desafiantes, mas somente um deles ganhava a oportunidade de disputar a viagem dos seus sonhos, para qualquer destino do mundo.

Na primeira etapa, 12 provas deveriam ser cumpridas em até 18 minutos. Para realizar um desafio, o candidato não precisava, necessariamente, ter terminado o anterior. O importante era concluir o maior número de tarefas nesse período.

As provas, de maneira geral, exigiam sorte, rapidez, habilidade e jogo de cintura para lidar com as distrações. O desafiante tinha a chance de acumular um bônus em dinheiro caso acertasse as perguntas feitas por Lombardi.

Além disso, havia as tarefas que exigiam prioridade: o candidato tinha, obrigatoriamente que parar o que estivesse fazendo para cumpri-las. Também havia o Dobro ou Metade, uma nova sequência de provas em que o candidato arriscava tudo o que conquistou.

Curiosamente, este foi um dos poucos formatos apresentados por Gugu que não foi herdado por outro apresentador. Na contramão, já em seus tempos de Record, ele resgatou a gincana como um quadro do Programa do Gugu. Era a Corrida do Gugu. Relembre a estreia da versão original:

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3 – Canta Comigo (2018)

Versão nacional de All Together Now, Canta Comigo é um talent show onde o candidato busca impressionar os 100 jurados. Durante a performance do concorrente, quem avalia pode se levantar de sua bancada e cantar junto com ele.

A pontuação é proporcional ao número de avaliadores que se levanta. Há exatamente um ano, quando Gugu faleceu, ele já havia deixado toda a temporada gravada, mas ainda restavam dois episódios para ir ao ar. A Record decidiu exibi-los como uma homenagem póstuma.

O resultado foi de uma sensibilidade ímpar. Sem poder prever a tragédia que aconteceria, os 100 jurados cantaram um trecho de Pintinho Amarelinho para o apresentador. Foi emocionante.

O reality show foi um dos indicados ao International Emmy Awards 2020. Se nada mudar, os vencedores serão divulgados na próxima segunda-feira (23). Estamos na torcida por essa conquista! Assista

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2 – Viva a Noite (1982)

Pouca gente se lembra, mas quando o Viva a Noite foi lançado, em 1982, Gugu dividia o comando da atração com outros dois apresentadores. Mas o compartilhamento durou pouco e já no ano seguinte Gugu se tornou o único titular da atração.

O programa se tornou um sucesso estrondoso nas noites de sábado, apostando em competições de Dança. A franquia Rambo – protagonizada por Sylvester Stalonne – também serviu de inspiração para um concurso que tinha por objetivo encontrar o Rambo brasileiro.

Já o Sonho Maluco concedia às pessoas anônimas a chance de realizar desejos inusitados, ao lado de algum famoso. Teve fã que pediu para tomar um banho com Alexandre Frota. Outro, queria ter a honra de cortar as unhas de Zé do Caixão.

Outro pilar do programa eram as brincadeiras, que colocavam homens e mulheres em times opostos. Entre as mais clássicas, está a declaração de amor com objetos exóticos ou a prova da bexiga, onde o competidor tinha que estourar balões sem usar as mãos. O encerramento, com Baile dos Passarinhos, também se tornou um clássico.

A título de curiosidade, vale ressaltar que, em uma de suas ordens peculiares, Silvio Santos transferiu o Viva a Noite para as tardes de domingo, em 1989. Mas, sem alcançar os resultados esperados, o programa retornou ao seu horário habitual três semanas depois. Relembre uma das edições:

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1 – Domingo Legal (1993)

Se, em seus primórdios, o Domingo Legal absorveu vários elementos do Viva a Noite – como a gincana entre os times masculino e feminino – gradativamente o programa ganhou identidade própria.

Quando começou a ser transmitido ao vivo regularmente, apostou alto no jornalismo, dedicando parte de sua duração às principais notícias do dia. Em situações excepcionais, como a trágica morte dos Mamonas Assassinas, Gugu não hesitava em derrubar as outras pautas da atração.

Em meio ao empenho para informar, o entretenimento não foi deixado de lado. Em uma época em que a TV era menos careta, a inesquecível Prova da Banheira era o momento em que as mulheres eram focalizadas em biquínis minúsculos. Os closes em seus corpos eram generosos.

Ainda no quesito sensualidade, vale citar a prova do strip-tease, onde o convidado da atração tinha que assistir a performance de um profissional tirando a roupa. Vencia o desafio quem conseguisse manter a estabilidade de seus batimentos cardíacos.

Também no dominical, Gugu teve a oportunidade de brincar de ator, em quadros como o Táxi do Gugu. A cada semana, ele usava uma caracterização diferente e seus passageiros enfrentavam uma situação imprevista.

No Sentindo na Pele, por sua vez, o objetivo do disfarce era se colocar no lugar de pessoas que enfrentavam adversidades, para que o animador (ou outro famoso) pudesse vivenciar as dificuldades cotidianas daquele personagem. Em uma das primeiras edições, o loiro se caracterizou de mendigo.

A emblemática disputa de audiência com Fausto Silva e o seu Domingão começou por acaso. Transmitido originalmente na faixa do meio dia, o programa precisou entrar mais tarde em uma determinada semana por conta de um evento esportivo que o SBT havia adquirido.

Só que Silvio Santos gostou tanto dos resultados que acabou fixando o novo horário. A revelação foi feita pelo próprio Gugu em entrevista ao Programa do Porchat, em 2018.

A partir daquele dia, começava uma guerra entre os dois programas, cujo ápice talvez tenha sido a disputa pela entrevista de Denise Tacto. Em 1998, a então esposa de Gerson Brenner estava apalavrada com a Globo para falar sobre o acidente do qual o ator foi vítima, mas a equipe de Gugu – liderada por Sonia Abrão – usou de vários artifícios para também exibir a transmissão.

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Outro fato marcante está relacionado à gravidez de Xuxa. Momentos antes de a Rainha dos Baixinhos entrar no palco de Faustão para revelar que estava à espera de Sasha, Gugu deu a notícia em primeira mão.

É bem verdade que, em seus últimos anos no SBT, o programa perdeu o fôlego – reflexo direto da farsa do PCC, onde a equipe entrevistou atores que se passavam por criminosos que ameaçaram sequestrar personalidades da TV.

Mas, pelo conjunto da obra, inovação e ousadia que representou, a atração merece encabeçar a lista de programas mais marcantes de Gugu. Afinal de contas, por muitos anos, ele fez o nosso domingoooo muito mais legal. Dividindo espaço com a saudade, o legado de Gugu permanecerá para sempre!

Sobre o autor

Piero Vergílio é jornalista profissional desde 2006. Já escreveu sobre diversos temas, mas há algum tempo, tem se dedicado ao que realmente gosta: trazer notícias sobre o universo da televisão. No Twitter, interage com outros fãs do veículo no perfil @jornalistavetv. Agora, sua história se cruza com a do TV História.



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