Totalmente Demais foi a reprise mais bem-sucedida da Globo durante a pandemia - TV História

Totalmente Demais foi a reprise mais bem-sucedida da Globo durante a pandemia

“Bom Sucesso” mal fechou seu ciclo e a dupla talentosa formada por Rosane Svartman e Paulo Halm continuou no ar na Globo. Isso porque “Totalmente Demais”, o primeiro folhetim dos autores, foi escolhido pela emissora para ser reprisado no lugar de “Salve-se Quem Puder”, de Daniel Ortiz, por conta o recesso das gravações em virtude da pandemia do coronavírus. E a reexibição expôs mais uma vez todas as qualidades que transformaram a novela em um fenômeno de audiência, crítica e repercussão em 2015/2016. Mas não foi o bastante. O que parecia impossível aconteceu: a produção ficou com três pontos a mais na média geral. Um êxito ainda maior da exibição original.

A saga de Eliza (Marina Ruy Barbosa) prende a atenção e não demora para o telespectador torcer para aquela menina arredia (em virtude dos assédios do padrasto pedófilo) conseguir se tornar a Garota Totalmente Demais para livrar a família da dominação de um monstro. Mas, no meio do caminho, a menina se depara com os outros três protagonistas da história, despertando o amor de um, o encantamento do segundo e a fúria da terceira. A mocinha conhece o amor com Jonatas (Felipe Simas) —- ’empresário das ruas’ que ajuda a sua ruivinha a atingir seus objetivos e foi o primeiro homem da sua vida —- , aprende a ser uma mulher elegante com Arthur (Fábio Assunção) e sofre com as armações de Carolina (Juliana Paes).

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Todo esse conjunto bem trabalhado norteou o enredo e o quarteto citado honrou o protagonismo. Marina soube transmitir todos os traumas de sua mocinha com precisão e teve uma química arrebatadora com Felipe Simas, que interpretou um carismático mocinho e fez jus à confiança dos autores que apostaram nele como protagonista, após seu ótimo trabalho como o Cobra em “Malhação Sonhos” (2014).

Fábio Assunção voltou às novelas em grande estilo, após um longo período em “Tapas & Beijos”, e Arthur entrou para a galeria dos seus grandes personagens. O bon vivant —- cujo ego gigantesco e tiradas sarcásticas eram as principais características —- foi muito bem defendido pelo ator. E Juliana Paes viveu um de seus melhores momentos na carreira interpretando a complexa Carolina Castilho, a personagem mais rica e dúbia da novela. A atriz teve uma sintonia imediata com Fábio, vista logo no primeiro capítulo.

Mas não foram só esses quatro personagens os grandes acertos do folhetim de sucesso. Tudo deu certo, fazendo da produção um conjunto perfeitamente harmônico. Os autores adotam esquemas de rodízio de núcleos muito inteligentes, o que ajuda a destacar todos os atores da história, valorizando cada subtrama e cada conflito, evitando que alguns perfis fiquem deslocados ou sem função no enredo —- algo rotineiro em várias novelas. Isso ainda salva a produção de qualquer tipo de desgaste, uma vez que tem sempre algo acontecendo, mesmo quando a trama principal precisa entrar em um estágio de espera. Um bom exemplo foi o concurso da Garota Totalmente Demais, que servia como pano de fundo para boa parte das ações, embora as etapas da competição tenham sido exibidas espaçadamente, contendo um intervalo de aproximadamente duas semanas ou mais, impedindo que tudo ficasse maçante ou repetitivo.

E os demais núcleos se mostraram tão atrativos quanto o principal. A família de Germano (Humberto Martins) e Lili (Vivianne Pasmanter) era a mais rica dramaticamente, exigindo bastante dos atores. O casal nunca conseguiu superar a morte da filha Sofia (Priscila Steinman) e enfrentaram várias dificuldades com o filho Fabinho (Daniel Blanco). Para culminar, Lili ainda tinha que lidar com a galinhagem do marido, que a traiu no passado, tendo uma filha (Eliza) com a babá. Foram muitos percalços e amadurecimentos, incluindo também a volta de Sofia, que forjou a própria morte e tentou roubar os pais, além de tentado matar a irmã. A sociopata foi uma carta na manga dos autores, o que ajudou a movimentar o roteiro depois do término do concurso promovido pela revista de Carolina. Já a família composta por Hugo (Orã Figueiredo), Débora (Olívia Torres) e Cassandra (Juliana Paiva) também foi de vital importância para o êxito da novela. Os três atores tiveram uma perfeita sintonia cênica e Juliana deu um show na pele da descompensada menina que sonhava em ser famosa a qualquer custo.

A novela ainda ficou marcada pela excelentes referências a vários filmes clássicos, assim como poesias famosas de escritores consagrados (sempre ditas por Arthur). “Luzes da Cidade” (1931), “Bonequinha de Luxo” (1961), “My Fair Lady” (1964), “Casa Blanca” (1942), “O Diabo Veste Prada” (2003) e “Cantando na Chuva” (1952) foram alguns dos filmes mencionados na trama, além de vários terem servido de fonte de inspiração para inúmeras situações. A trilha sonora (tanto nacional quanto internacional) foi mais um acerto do conjunto, sendo necessário citar “Rise Up” (Andra Day) — tema de Carolina —, “Home” (Gabrielle Aplin) —- tema de Jonatas e Eliza —-, “Fight Song” (Rachel Platen) — tema de Cassandra e Fabinho —, “Felicidade” (Seu Jorge), “Pra Tudo Acontecer” (Suricato), “Totalmente Demais” (Anita) — tema de abertura —, “Serpente” (Pitty), entre tantas outras músicas bem selecionadas.

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O êxito da produção foi tão grande que rendeu até um spin-off de 20 minutos semanais somente na Globoplay, chamado “Totalmente Sem Noção Demais”, exibindo a rotina da família de Cassandra antes do início da novela. E toda essa fase grandiosa dos autores ocorreu após outros dois trabalhos emblemáticos: duas temporadas que entraram para a história de “Malhação”, a “Intensa” (escrita por Rosane e Glória Barreto, tendo Paulo como um dos colaboradores, em 2012) e a “Sonhos” (escrita pela dupla em 2014). “Totalmente Demais” marcou de vez a entrada de Rosane Svartman e Paulo Halm para o seleto time de grandes autores da Globo. A reprise ressaltou essa competência e ainda alcançou 30 pontos de média geral (foram 27 pontos em 2016). É a reprise mais bem-sucedida da Globo durante essa pandemia. O recente fenômeno “Bom Sucesso” também provou que a dupla conseguiu evoluir ainda mais e veio para ficar.

SOBRE O AUTOR

SÉRGIO SANTOS é apaixonado por televisão e está sempre de olho nos detalhes, como pode ser visto em seu blog. Contatos podem ser feitos pelo Twitter ou pelo Facebook.



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