Tensão: em 1993, repórter do Aqui Agora virou refém de fugitivo da polícia

O telejornal policial Aqui Agora marcou época na tela do SBT na primeira metade dos anos 1990. No ano passado, relembramos, neste espaço, a exibição, em julho de 1993, de um suicídio de uma adolescente que chocou o Brasil. Pouco antes daquele episódio, em abril, o mesmo repórter que cobriu o caso, Sergio Frias, se tornou refém de um fugitivo da polícia e ficou na mira de uma pistola calibre 7,65 milímetros.

No dia 15 de abril daquele ano, Frias passou uma hora e meia com um microfone na mão e um revólver apontado para sua cabeça. De acordo com matéria da Folha de S. Paulo de 25 de abril, ele cobria um assalto na zona leste de São Paulo em que uma criança de um ano havia sido feita refém de um dos fugitivos, baleado pela polícia. E, de repente, trocou de lugar com a criança, que ficou 40 minutos naquela situação.

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Na ocasião, a edição inteira do telejornal foi dedicada ao assunto e rendeu grande audiência para o canal de Silvio Santos. Enquanto a novela O Mapa da Mina, da Rede Globo, marcava 32 pontos, o SBT atingiu picos de 28. Na tela, em letras garrafais, um letreiro anunciava: “Equipe do Aqui Agora salva bebê e vira refém”.

Em entrevista à Folha, Frias contou que não se ofereceu, mas, sim, que a troca foi um pedido do fugitivo. “A polícia e o pai da criança pediram para eu negociar com o assaltante. Quando me aproximei, a criança chorava, me olhava, estendia a mãozinha. O cara era fugitivo, estava com três tiros no corpo. Não ia confiar na polícia. Ele propôs liberar a criança, mas eu tinha que ficar”, disse.

Frias também destacou que teve medo de morrer: “no início, pensei. Depois tive três picos de tensão. Primeiro, quando um policial se aproximou. Em outro momento, o assaltante achou que eu era polícia. Tive que mandar buscar meu crachá no carro. Depois, quase no fim, começou o barulho dos helicópteros da polícia, que cria muita tensão. Foi um momento de desespero”.

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A mesma reportagem discutiu os limites éticos do jornalismo. Mas Frias disse que não teve escolha. “Acho que o repórter não tem que virar notícia. Continuei sendo repórter, mas era também refém, negociador, pai. As circunstâncias me levaram aquilo. Não vi opção. Qualquer ser humano na minha situação faria o mesmo. Ali não tinha profissão”, explanou.

Depois de ficar na mira, Frias viu a situação terminar sem maiores desdobramentos. A sogra do fugitivo chegou e ele se rendeu. O ladrão foi levado para o Hospital Santa Marcelina. A criança e o repórter nada sofreram.



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