Sucesso do remake de Renascer criou mais um problema para a Globo

Novela das nove expõe um momento de fragilidade da emissora

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André Santana

Bastaram poucos capítulos de Renascer no ar para a Globo confirmar que apostar numa nova versão do clássico de 1993 foi um grande acerto. De acordo com dados do Kantar Ibope Media, a trama já registrou um início melhor que o de Pantanal (2022), último sucesso da faixa.

Juliana Paes como Jacutinga em Renascer
Juliana Paes como Jacutinga em Renascer (divulgação/Globo)

O êxito da releitura expõe a atual fragilidade da emissora líder de audiência. O interesse do público em Renascer mostra bem que tipo de novela os espectadores querem para a faixa. No entanto, com a ausência de autores medalhões, a Globo só consegue oferecer o que o público quer por meio de remakes. Até quando?

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Sucesso instantâneo

 

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Renascer mal estreou e a Globo já ri de orelha a orelha com os bons resultados obtidos pela versão de Bruno Luperi do clássico de Benedito Ruy Barbosa. A saga de José Inocêncio (Humberto Carrão) não apenas rendeu boa audiência, como também ótima repercussão nas redes.

De acordo com o site F5, da Folha de S. Paulo, Renascer superou as expectativas da Globo e já apresenta melhores resultados que Pantanal, mais recente sucesso do horário. Em seus quatro primeiros capítulos, o folhetim anotou 26 pontos de audiência no Painel Nacional de Televisão.

Enquanto isso, no mesmo período de exibição, Pantanal havia alcançado 25,7 pontos. Já Travessia (2022) e Terra e Paixão (2023) tiveram desempenho pior, empatadas com 24 pontos, índices considerados fracos.

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Público aprovou

Adanilo, Humberto Carrão e Evaldo Macarrão em Renascer (divulgação/Globo)
Adanilo, Humberto Carrão e Evaldo Macarrão em Renascer (divulgação/Globo)

A diferença com Pantanal pode ser explicada pelo fato de a trama de 2022 ter sucedido um fiasco, Um Lugar ao Sol (2021). Ou seja, a história de José Leôncio (Marcos Palmeira) precisou levantar o horário, o que sempre é um desafio maior.

Já Renascer estreou em condições mais favoráveis, pois Terra e Paixão, mesmo não se tornando o sucesso que a Globo esperava, elevou os números da faixa após o fiasco de Travessia. Com isso, a estreia da nova novela se deu num cenário mais tranquilo.

Só isso já mostra a força do texto de veteranos. São os remakes de Benedito Ruy Barbosa que estão segurando o horário nobre da Globo. Fora isso, apenas o tarimbado Walcyr Carrasco foi capaz de trazer mais público para a faixa, algo que a também tarimbada Gloria Perez não conseguiu com Travessia.

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Medalhões fazem falta

Benedito Ruy Barbosa
O autor Benedito Ruy Barbosa (reprodução/web)

O êxito de Pantanal e Renascer comprovam que o público sente falta do estilo de Benedito Ruy Barbosa, um autor que se consagrou contando histórias do Brasil profundo. O veterano fez parte de um time de ouro, formado também por Aguinaldo Silva, Gilberto Braga, Manoel Carlos, Silvio de Abreu e Gloria Perez. Curingas que mantiveram o horário nobre da Globo de pé por anos a fio.

Deste time, apenas Gloria Perez segue na ativa, embora não haja perspectiva de seu retorno ao ar, ao menos a curto prazo. Já João Emanuel Carneiro e Walcyr Carrasco, que chegaram depois, são os que estão “segurando a onda”. Enquanto isso, Manuela Dias e Lícia Manzo, últimos lançamentos do horário, enfrentaram problemas.

Não por acaso, há uma dependência de textos clássicos, sobretudo de Benedito Ruy Barbosa, que não tem um “sucessor” na criação de tramas rurais. Porém, trata-se de uma fonte “esgotável”. Afinal, o que virá depois? Um remake de O Rei do Gado? Terra Nostra? Pouco provável…

Bruno Luperi mostrou boa mão na adaptação do universo de seu avô, Benedito Ruy Barbosa. Dizem que a próxima será Manuela Dias, que deve mergulhar no universo de Gilberto Braga numa nova versão de Vale Tudo, cotada para 2025. Será essa a solução? Aproveitar novos autores para novas versões de histórias clássicas? A Globo está numa encruzilhada.

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