Sonho Meu: por que uma das novelas de maior sucesso dos anos 1990 nunca foi reprisada? - TV História

Sonho Meu: por que uma das novelas de maior sucesso dos anos 1990 nunca foi reprisada?

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Há 27 anos, a Globo encerrava uma das novelas de maior sucesso da década de 1990: Sonho Meu, assinada por Marcílio Moraes. Foi exibida uma única vez, entre setembro de 1993 e maio de 1994.

A novela encantou pela história da pequena órfã Laleska, maltratada em um orfanato, que encontra carinho nos braços do bom velhinho Tio Zé. E pelo carisma da intérprete da menina, Carolina Pavanelli, na época com 6 anos, em cenas emocionantes com Elias Gleizer (falecido em 2015).

Hoje, formada em Comunicação, Carolina Pavanelli trabalha no Rio de Janeiro como professora de Língua Portuguesa. Também é escritora, com dois livros publicados: “Sonho de Criança” e “Longe de Alguém Tão Perto” (foto abaixo, de 2015, de uma matéria no Vídeo Show).

A base para Marcílio Moraes escrever Sonho Meu foram as tramas centrais de duas antigas novelas de sucesso. De A Pequena Órfã (TV Excelsior, 1968), o autor retirou a história da amizade da menina e o velhinho. De Ídolo de Pano (TV Tupi, 1974), a disputa de dois irmãos pelo amor da mesma mulher.

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Patrícia França e Leonardo Vieira eram os protagonistas românticos da trama de Sonho MeuFábio Assunção, o antagonista. Patrícia e Leonardo ganharam os papéis principais por causa da repercussão como casal romântico na primeira fase da novela Renascer (1993).

Meu amigo Duh Secco escreveu um ótimo texto detalhando as tramas de Sonho Meu. Contudo, por que uma novela de tanto sucesso, que registrou altos índices de audiência, nunca foi reexibida no Vale a Pena Ver de Novo? A reprise foi sendo protelada e, quando estava no limite de tempo para a reapresentação, não pôde mais. A resposta mais cabível está na concorrência.

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Credita-se esse “esquecimento”, em parte, aos principais profissionais envolvidos (os autores Marcílio Moraes e Lauro César Muniz e os atores protagonistas Patrícia França e Leonardo Vieira) terem migrado para a Record TV na fase de expansão da dramaturgia da emissora, entre 2004 e 2010, supostamente a época limite para a reprise de Sonho Meu, antes de ela ser considerada “velha” para a reexibição na faixa vespertina da Globo.

Outro motivo: a história da pequena órfã voltou à TV em 2005, em uma nova versão, e pela Record, como uma das tramas da novela Prova de Amor, de Tiago Santiago, com Rogério Fróes (o velhinho) e Júlia Magessi (a menina).

Atualmente, nada impede que a novela seja reprisada no canal Viva ou disponibilizada no GloboplayPatrícia França, Leonardo Vieira, Marcílio Moraes e Lauro César Muniz não estão mais na Record. Nem Xuxa, que gravou com o cantor José Augusto a música da abertura:  ♫♪ Sonho meu, sonho meu. Eu posso tudo que eu sonhar! Se eu levar a vida a sério, se eu fizer direito, se eu acreditar… 

Afastando-se do eixo Rio/São Paulo e Nordeste (prática na época), a trama de Sonho Meu foi centralizada em Curitiba, no Paraná, o que proporcionou uma beleza extra às locações, com imagens pouco comuns ao telespectador. A cidade cenográfica reproduziu detalhes da arquitetura de Curitiba, cidade que estava em evidência nos anos 1990.

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Foi a primeira novela do ator Ângelo Paes Leme. E o último trabalho de Cláudia Magno, que faleceu durante a exibição da trama. A atriz entrou quando Sonho Meu já havia iniciado, mas não chegou a concluí-la. Cláudia deixou a produção já adoentada e faleceu em 05/01/1994, aos 35 anos de idade, de insuficiência respiratória aguda (em decorrência de Aids).

AQUI tem tudo sobre Sonho Meu: trama, personagens, elenco, trilha sonora e muitas curiosidades.

SOBRE O AUTOR
Desde criança, Nilson Xavier é um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: no ano de 2000, lançou o site Teledramaturgia, cuja repercussão o levou a publicar, em 2007, o Almanaque da Telenovela Brasileira.

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Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.

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