Em América (2005), trama que está na reta final no canal Viva, a atriz Eva Todor vive Miss Jane, pedagoga que é grande conselheira de May (Camila Morgado), a megera da história. A personagem tem um amor do passado: Zé Higino (Francisco Cuoco).

Francisco Cuoco e Eva Todor em América
Francisco Cuoco e Eva Todor em América

Este foi apenas um dos vários trabalhos de sucesso da veterana, que nos deixou em 2017, aos 98 anos. Eva também se destacou com personagens marcantes, como Josefa, de O Cravo e a Rosa (2000) e Kiki Blanche, de Locomotivas (1977).

A atriz surpreendeu ao deixar sua herança para os funcionários que trabalharam para ela ao longo dos anos.

Trabalhos marcantes

Miss Jane de América foi uma das várias parcerias entre Eva Todor e a autora Gloria Perez. A atriz esteve em outros trabalhos de Gloria, como Partido Alto (1984), De Corpo e Alma (1992), Hilda Furacão (1998), Amazônia (2007), Caminho das Índias (2009) e Salve Jorge (2012), sua última novela.

Mas ela trabalhou com outros autores e, dentre os vários trabalhos da atriz na TV, dois são especialmente marcantes. Um deles é Kiki Blanche, a dona de um badalado salão de beleza de Locomotivas. A trama marcou a estreia da estrela na Globo – antes, ela faria a primeira versão de Roque Santeiro (1975), que foi censurada e jamais foi ao ar.

Para gerações mais recentes, a personagem mais querida é Josefa, a mãe de Dinorá (Maria Padilha) em O Cravo e a Rosa. A idosa era uma grande picareta e vivia às turras com o genro, Cornélio (Ney Latorraca).

Estrela húngara

O Cravo e a Rosa
Eva Todor e Maria Padilha em O Cravo e a Rosa

Não é todo mundo que sabe, mas Eva Todor não nasceu no Brasil. A artista era natural da Hungria, nascida em 9 de novembro de 1919 em Budapeste. Foi lá, inclusive, que ela ingressou na vida artística ainda criança, como bailarina da Ópera Real de Budapeste.

Em 1929, quando tinha 10 anos, Eva migrou para o Brasil com a família, em razão das dificuldades financeiras que a Europa enfrentava no período pós-Primeira Guerra. Aos 15 anos, ela estreou no Teatro Recreio, onde já mostrava sua veia humorística.

Eva naturalizou-se brasileira na década de 1940, depois que o presidente Getúlio Vargas foi assistir a uma peça sua e se encantou com seu trabalho. Nos anos 1960, a estrela estreou na televisão pela TV Tupi e não parou mais.

Quem herdou a fortuna de Eva Todor?

Em 1936, aos 17 anos, Eva Todor casou-se com Luis Iglesias, que escrevia peças para a esposa atuar. Nessa época, ela se especializou em interpretar moças ingênuas no palco. A atriz ficou viúva em 1958.

Em 1964, ela se casou com Paulo Nolding, com quem ficou casada até 1989, quando seu segundo marido faleceu. Eva não teve filhos em seus casamentos e, por isso, não tinha herdeiros diretos quando morreu.

Após Salve Jorge, a atriz se afastou da TV em razão de complicações do Parkinson e do Alzheimer. Ela se manteve reclusa em casa, sendo cuidada por enfermeiras. Morreu em 10 de dezembro de 2017, enquanto dormia, em sua casa, vítima de pneumonia. A atriz tinha 98 anos.

Viúva, sem filhos e sem nenhum parente vivo, Eva deixou um testamento no qual destinou sua herança aos funcionários, que conviveram e cuidaram da artista até o fim de sua vida.

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André Santana é jornalista, escritor e produtor cultural. Cresceu acompanhado da “babá eletrônica” e transformou a paixão pela TV em profissão a partir de 2005, quando criou o blog Tele-Visão. Desde então, vem escrevendo sobre televisão em diversas publicações especializadas. É autor do livro “Tele-Visão: A Televisão Brasileira em 10 Anos”, publicado pela E. B. Ações Culturais e Clube de Autores. Leia todos os textos do autor