Se mantiver o fôlego, Gênesis se tornará uma ameaça real para a Globo - TV História

Se mantiver o fôlego, Gênesis se tornará uma ameaça real para a Globo

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Anunciada como a ‘nova superprodução da Record’, “Gênesis” estreou na última terça (19/01), na faixa antes ocupada por “Amor sem Igual”, até então a única novela inédita no ar atualmente. A nova produção bíblica da emissora agora é o segundo folhetim inédito em meio ao caos da pandemia do novo coronavírus. Após ter fugido um pouco da mesmice com a boa trama de Cristianne Fridman, o canal volta a apostar nas histórias bíblicas para atrair o público.

A nova novela tem um alto investimento da emissora. É o maior elenco da teledramaturgia nacional até hoje, com mais de 250 atores, e dividida em sete fases: “Criação” (Adão e Eva); “Dilúvio” (Arca de Noé); “Torre de Babel”; “Ur dos Caldeus”, “Abraão”; “Jacó” e “José do Egito”. Serão 150 capítulos.

Ou seja, a bem da verdade, há uma boa estratégia de marketing. Afinal, analisando friamente, não se trata de um folhetim e, sim, de várias minisséries interligadas por poucos atores. Apenas dois estão em todas as fases: Flávio Galvão, intérprete de Deus (apenas por voz), e Igor Rickli, que vive Lúcifer.

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A produção é escrita por Camilo Pelegrini, Raphaela Castro e Stephanie Ribeiro, dirigida por Edgard Miranda. A trama aborda os primeiros 2.300 anos da humanidade a partir da história contada no primeiro livro da Bíblia. Há uma boa frente de capítulos já prontos. O início das gravações foi em janeiro de 2020, dois meses antes do início da pandemia no Brasil.

A primeira fase teve locações no Rio Grande do Sul e no Paraná. A fase do “Dilúvio” foi feita em estúdio no Rio de Janeiro e parte da equipe também filmou em Marrocos pouco antes da pandemia interromper os trabalhos. Como há muito dinheiro investido pela Record, o intuito é repetir o sucesso de “Os Dez Mandamentos” (2015), nunca mais alcançado.

A estreia teve uma ótima audiência (16 pontos) e o chamariz do enredo de “Adão e Eva” foi um dos responsáveis pelo interesse do público. Afinal, todo mundo conhece a história e a curiosidade em vê-la produzida como ‘novela’ atrai. Carlo Porto e Juliana Boller não fazem feio em cena, embora o excesso de maquiagem nos atores deixe o resultado artificial.

Já os efeitos especiais merecem elogios. A primeira parte (envolvendo uma clara licença poética até da Bíblia) impressionou pelo bom trabalho da equipe em cima da representação dos dinossauros sendo extintos —- Lúcifer e todos os anjos rebelados foram expulsos por Deus do reino do céu e todos se transformaram em meteoros pela força da ‘queda’, destruindo o mundo jurássico. Foi uma ideia criativa juntar a teoria criacionista com a evolucionista.

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A agilidade é outro fator que tem contribuído para a atenção do espectador. Adão e Eva comeram o fruto proibido logo na estreia e no segundo capítulo já houve uma passagem de tempo com a chegada de vários filhos e filhas do casal, incluindo Caim (Eduardo Speroni) e Abel (Caio Manhente), que protagonizaram a conhecida passagem da Bíblia no terceiro capítulo: um irmão matando o outro por inveja. O trágico momento ainda destacou o talento de Juliana Boller, que transmitiu lindamente a dor da Eva com a perda do filho.

Nesta sexta-feira (22), no quarto capítulo, a fase de Noé (Bruno Guedes) foi iniciada. E já na próxima semana vai ao ar toda a sequência da Arca de Noé (Oscar Magrini).

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Ou seja, são muitos acontecimentos de forte apelo indo ao ar em apenas duas semanas. Tem sido interessante acompanhar a trama, que provavelmente terá uma queda de ritmo na fase “Torre de Babel”, algo já esperado.

“Gênesis” vem apresentando um promissor começo e o sucesso nos números de audiência serve para ligar o sinal de alerta da Globo.

A Record nunca escondeu que pretende repetir o êxito do fenômeno “Os Dez Mandamentos” (2015), até hoje nunca mais alcançado. Se o conjunto se mantiver atrativo ao longo das fases, a chance de acontecer é real.



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