Salve-se quem Puder se dá bem ao não repetir equívoco de Amor de Mãe

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A novela de Daniel Ortiz estreou no dia 27 de janeiro de 2020 e acabou interrompida em 28 de março por conta da pandemia no novo coronavírus. Foram 54 capítulos exibidos. Salve-se Quem Puder vinha se mostrando uma produção leve e despretensiosa. A ótima audiência de Bom Sucesso, folhetim anterior, estava sendo mantida, ainda que um pouco menor. A parte inédita da história só retornou no último dia 17 de maio, mais de um ano depois.

O autor tinha conseguido encerrar a chamada primeira parte com um gancho de tirar o fôlego: Luna (Juliana Paiva) sendo descoberta por Dominique (Guilhermina Guinle). O público demorou longos meses para ver a continuação da cena, mas a espera valeu a pena.

A novela teve um retorno com o pé direito e o lado positivo de tanto contratempo foi a aceleração do enredo central. Isso porque Daniel contou que esse flagra da vilã só aconteceria depois do capítulo 90 e acabou obrigado a antecipar para deixar os telespectadores ansiosos pela segunda parte.

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Pois a estratégia funcionou. A sequência em que Luna sofreu um sequestro e depois conseguiu escapar da vilã, roubando até a arma de Dominique, se mostrou muito bem realizada pela equipe de Fred Mayrink e o diretor disfarçou muito bem todas as limitações impostas pelos novos protocolos sanitários nas gravações.

Tanto que era plausível qualquer dúvida sobre os trabalhos terem sido feitos antes ou depois da pandemia. Juliana Paiva e Guilhermina Guinle brilharam e os momentos de ação lembraram bons filmes de aventura. Parecia até reta final.

E a nova fase também marcou uma virada interessante no trio protagonista. Luna, Kyra (Vitória Strada) e Aléxia (Deborah Secco) eram as fugitivas. As três passaram os 54 capítulos passados se escondendo e disfarçadas, com o apoio do Serviço de Proteção a Testemunhas, ganhando até identidades falsas.

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Agora, com a quase morte de Luna, as personagens decidem se vingar de Dominique e, para isso, começam uma saga de investigação em uma clara alusão ao clássico As Panteras – série de sucesso da década de 70 que resultou no filme de 2003.

As mocinhas, no entanto, são medrosas e atrapalhadas, o que deixa o contexto com um tom de comédia e leveza propício para ‘esquecer’ um pouco o atual momento do país, onde tudo está cada vez mais pesado.

O autor também tem conseguido se virar com as mudanças no elenco. Como a saída de José Condessa, que deixou a novela por conta de compromissos já agendados em Portugal; a gravidez de Sabrina Petraglia (Micaela) e o inevitável afastamento dos atores mais velhos por serem grupo de risco. Juan (Condessa) é mencionado ao telefone, enquanto Micaela já prepara sua viagem para um curso no exterior.

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Já Marilu Bueno ensaia a despedida da fofoqueira Dulce e passa o bastão para Marianna Armellini, que passa a viver a fogosa Marlene, a gêmea boa de Verônica, inserida por Daniel no enredo porque a vilã perderá a função sem a presença de Micaela para se vingar. Otávio Augusto (Ignácio) ainda aparece em chamadas de vídeo, pois interpreta o avô de Aléxia, uma das protagonistas. Grace Gianoukas segue presencialmente, pois Ermelinda é uma das figuras que está sempre ao lado do trio principal. Ou seja, ao menos até o momento, o enredo vai se ajustando aos poucos, sem prejudicar o todo.

Salve-se Quem Puder teve uma boa volta e o maior acerto foi o esquecimento da pandemia no roteiro. A trama seria prejudicada com a inserção do coronavírus, vide o equívoco do retorno de Amor de Mãe. A produção tem disfarçado as limitações e só não consegue em algumas cenas de beijo, como o de Luna e Teo (Felipe Simas), onde o telespectador notou o truque de câmeras em um beijo um tanto estranho. Mas é uma situação que faz parte do atual momento.

Ao menos a história ganhou um ritmo dos mais interessantes, em virtude do encurtamento da trama, sem perder a essência do que foi visto anteriormente. Resta torcer para o nível se manter assim até o final.

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