Com a volta de Rainha da Sucata à programação da Globo no Vale a Pena Ver de Novo, o público relembra Gianfrancesco Guarnieri no papel de Irineu Saldanha, personagem que ocupa posição estratégica na narrativa de Silvio de Abreu ao evidenciar as contradições sociais exploradas na novela, exibida originalmente em 1990.

Nascido em 6 de agosto de 1934, em Milão, na Itália, Guarnieri chegou ao Brasil ainda criança, após sua família deixar a Europa durante o regime fascista. Criado em São Paulo, aproximou-se do teatro na juventude e tornou-se um dos fundadores do Teatro Paulista do Estudante, grupo que mais tarde se uniria ao Teatro de Arena, marco da renovação estética e política do teatro brasileiro a partir da década de 1950.

Carreira de Gianfrancesco Guarnieri

O reconhecimento nacional veio com a peça Eles Não Usam Black-Tie (1958), da qual foi autor e protagonista. A obra consolidou Guarnieri como um dos principais dramaturgos do país ao levar para o palco conflitos sociais e trabalhistas até então pouco representados na cena teatral brasileira. Ao longo da carreira, manteve atuação contínua como ator, autor e diretor, sempre ligado a uma dramaturgia de viés social.

Na televisão, Guarnieri construiu trajetória extensa, participando de novelas, séries e minisséries. Além de Rainha da Sucata, integrou o elenco de produções como Mulheres de Areia (1973), A Próxima Vítima (1995), Terra Nostra (1999), Esperança (2002) e Belíssima (2005), sua última novela. Sua interpretação era reconhecida pela sobriedade, densidade dramática e rigor técnico.

Além da atuação artística, Guarnieri teve participação ativa na gestão cultural. Entre 1984 e 1986, ocupou o cargo de secretário municipal de Cultura de São Paulo, durante a gestão de Mário Covas, reforçando seu compromisso com políticas públicas voltadas à cultura e à formação artística.

Por onde anda Gianfrancesco Guarnieri?

Guarnieri foi casado duas vezes — com Cecilia Thompson e Vanya Sant’Anna — e teve cinco filhos, entre eles os atores Paulo Guarnieri e Flávio Guarnieri. Conhecido pela discrição fora dos palcos, manteve a vida familiar distante da exposição pública.

Gianfrancesco Guarnieri morreu em 22 de julho de 2006, em São Paulo, aos 71 anos, em decorrência de insuficiência renal, enquanto ainda estava em atividade na televisão. Sua morte provocou ampla repercussão no meio artístico, que ressaltou sua importância histórica para o teatro e a televisão brasileiros.

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