Reta final: o que é verdade e o que é ficção em Nos Tempos do Imperador

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Em Nos Tempos do Imperador, atual novela das seis da Globo, fatos e personagens históricos se misturam aos elementos da ficção.

Detalhamos abaixo o que é verdade e o que é ficção na trama escrita por Alessandro Marson e Thereza Falcão, que está em sua reta final.

Confira:

Dom Pedro II teve um caso com a Condessa de Barral?

Mariana Ximenes, Selton Mello e Letícia Sabatella na novela Nos Tempos do Imperador

Luísa foi, de fato, a preceptora das filhas do Imperador, as princesas Isabel e Leopoldina, e tornou-se amiga próxima do monarca.

No entanto, não há comprovação oficial de que eles realmente tiveram um envolvimento amoroso. Algumas cartas enviadas por Dom Pedro à Condessa mostram que havia intimidade e admiração mútua, porém é possível que eles tenham vivido apenas um amor platônico, uma ‘amizade colorida’.

Numa declaração ao site Notícias da TV, o especialista Rodrigo Goyena disse que “esse relacionamento não era tão escrachado como se parece sugerir. Ou seja, não era uma coisa aberta no sentido da família imperial, da corte, ou da imprensa e opinião pública saberem tão abertamente sobre esse namoro”.

No entanto, é sabido que o Imperador teve outras aventuras fora do casamento.

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A Pequena África existiu?

Nos Tempos do Imperador

Segundo historiadores, o local existiu de verdade e ficava nos bairros da Gamboa e Saúde, na zona portuária do Rio de Janeiro.

Era utilizado como um auxílio para os negros alforriados e, informalmente, para aqueles que fugiam de seus senhores.

No entanto, os personagens que fazem parte deste núcleo, como Samuel (Michel Gomes), Zayla (Heslaine Vieira) e Guebo (Maicon Rodrigues), não são reais.

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Todos os casamentos eram arranjados?

Nos Tempos do Imperador

Naquela época, era comum que os noivos fossem escolhidos para as mulheres, de acordo com interesses e acordos políticos feitos por seus pais.

Porém, há exceções a esta regra. Luísa, que era considerada uma mulher à frente de seu tempo, escolheu o marido. Seu pai tentou casá-la com um pretendente bem mais velho, mas ela rebelou-se e escolheu o próprio companheiro.

Os maridos das princesas Isabel e Leopoldina foram escolhidos por D. Pedro II, porém houve uma inversão: a sugestão era que Isabel fosse prometida ao príncipe Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, enquanto Leopoldina se casaria com Gastão de Orléans, o Conde d’Eu.

No entanto, quando se encontraram, os casais foram trocados, já que Isabel se apaixonou pelo Conde d’Eu, e Leopoldina ficou encantada por Luís Augusto.

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Pilar foi mesmo a primeira médica do Brasil?

Gabriela Medvedovski

Embora tenha sido inspirada em figuras reais, como as pioneiras Maria Augusta Generoso Estrela (1860-1946) e Rita Lobato (1866-1954), Pilar (Gabriela Medvedovski) não existiu de verdade.

Maria Augusta ganhou o ‘título’ de primeira médica do Brasil, embora tenha estudado nos Estados Unidos pois, naqueles tempos, não era permitido que as mulheres cursassem o ensino superior.

Pilar é uma homenagem a Rita Lobato, primeira mulher a se formar médica em nosso país.

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Tonico existiu?

Alexandre Nero

Na novela, Tonico (Alexandre Nero) formou-se em Direito em Pernambuco ao lado de Nélio (João Pedro Zappa). Ao retornar para a fazenda do pai, o Coronel Ambrósio (Roberto Bomfim), candidata-se a deputado pela Bahia.

“Trata-se de um personagem ficcional, mas que talvez seja o mais real da trama, porque as pessoas vão se identificar. Ele está em cada um de nós e eventualmente em mim também, porque a gente não pode só apontar para o outro, olhar para fora”, declarou Nero ao site Notícias da TV.

Embora não seja real, Tonico ajuda na narrativa dos fatos, além de gerar identificação com o público. Os roteiristas não quiseram associar o antagonista a uma figura histórica, até para terem mais liberdade nas criações.

“A gente tentou puxar um pouco da Bahia de Jorge Amado, jogar um pouco dessa cor e até forçar uma barra ao enfiar os coronéis, que não são exatamente dessa época. Ele é um personagem que poderia estar em um livro do autor, tocando as suas maldades”, justificou Thereza Falcão.

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Solano López pediu a mão de Isabel em casamento?

Solano Lopes Nos Tempos do Imperador

Ao longo de Nos Tempos do Imperador, um personagem recorrente é Solano López (Roberto Birindelli), então presidente do Paraguai.

O primeiro capítulo, inclusive, relatou um encontro entre D. Pedro II (Selton Mello) e ele. Na novela, o tirano fez uma visita ao protagonista no meio de suas férias e exigiu sua ajuda para unificar os dois países em prol da circulação dos navios do Paraguai – que não possui saída para o mar.

Além disso, sugeriu que o monarca desse a mão de sua filha Isabel em casamento. A ideia foi rejeitada por ele, que disse: “o Brasil nunca se renderá a um ditador”.

Na vida real, de acordo com relatos feitos por alguns biógrafos, houve um encontro entre ambos, pouco antes da Guerra do Paraguai (1864-1870) ter início, porém a conversa não teve menção à mão da princesa.

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Dom Pedro II teve uma múmia?

Selton Mello

Realmente, tudo indica que o Imperador tinha uma múmia em seu gabinete. No entanto, na novela esta seria de um sacerdote egípcio e fora comprada por seu pai, D. Pedro I.

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Porém, na vida real, a companheira de papos do Imperador era a múmia de uma cantora chamada Sha-Amun-en-su, que ele ganhou de presente do chefe de estado do Egito em 1876, durante sua segunda viagem ao país.

Ela foi mantida no gabinete de D. Pedro II até 1889. Após a proclamação da República, ela passou a fazer parte do acervo do Museu Nacional, como relata a história no site da instituição.

Essa mistura entre ficção e realidade, seja no relato nos fatos ou na criação dos personagens, tem o objetivo de aproximar mais a obra do público. No lançamento da trama, os autores fizeram questão de deixar claro que a novela não é um documentário histórico.

“É uma ficção, mas temos o cuidado de ser respeitosos com as pessoas que existiram”, disse Marson. “A nossa grande inspiração em termos de estilo é a ficção histórica. A gente gosta muito das ficções históricas, algo que não fazemos tanto no Brasil —não sem razão, porque sempre que fazemos somos muito atacados”, completou.

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