Ela estreou na televisão em “Top Model” (1989), graças ao concurso de novas atrizes que o “Domingão do Faustão” promoveu na época, onde Adriana Esteves também foi revelada. Desde então participou de várias novelas, como “História de Amor”, “A Indomada”, “Meu Bem Querer”, “Porto dos Milagres” e “O Beijo do Vampiro”, entre outras. Porém, foi graças a Walcyr Carrasco que Flávia Alessandra se firmou de vez na carreira, mostrando a ótima atriz que é. O autor iniciou uma bem-sucedida parceria com a intérprete em “Alma Gêmea”, a presenteando com seu melhor papel (a diabólica Cristina), e depois foram outros sucessos como “Caras & Bocas”, “Morde & Assopra” e “Êta Mundo Bom!”.

E a atual reprise do “Vale a Pena Ver de Novo” prova que a parceria dessa dupla sempre funcionou. A atriz ganhou a ambiciosa Sandra, a grande vilã do fenômeno das seis. A personagem tinha algumas semelhanças evidentes com Cristina, como os cabelos e o estilo elegante de se vestir. O objetivo do autor foi esse mesmo, pois a novela que marcou seu retorno ao horário que o consagrou teve todos os elementos já usados por ele nos seus outros folhetins das 18h. Entretanto, houve também diferenças claras entre os perfis. A víbora de “Alma Gêmea” era impulsiva e ficava vulnerável sem a mãe do lado planejando seus próximos passos, além do completo descontrole emocional ter sido sua maior característica.

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Sandra era uma mulher fria e calculista. Mais contida, se comparada com a sua semelhante, e idealizadora de tudo o que fazia. Não precisava de uma mãe para lhe dar ordens. Tinha o poder da manipulação e só estava preocupada com o dinheiro, ao contrário de Cristina, que tinha uma obsessão pelo mocinho. Flávia Alessandra brilhou desde a estreia, conseguindo explorar com talento as similaridades e as diferenças que uniam e separavam sua segunda grande vilã da primeira.

A personagem, inicialmente, mais planejava do que agia e sua verdadeira face só era observada diante do amante Ernesto (Eriberto Leão) e do irmão Celso (Rainer Cadete). A interesseira só tirou a máscara de vez quando deu o golpe em Anastácia (Eliane Giardini), sua tia.

E foi a partir do êxito do plano tramado contra a sua tia que Sandra começou a ter ainda mais destaque na novela, valorizando o talento da intérprete. Inicialmente, Flávia adotou um tom mais moderado, deixando sua vilã com um ar sonso e representando uma certa passividade. Já quando Sandra se tornou milionária, expulsando todos da mansão, a atriz passou a adotar uma postura altiva, lembrando as bruxas dos contos de fadas, onde a expressão de malvada se sobressaía o tempo todo. Aliás, sua melhor cena foi o momento em que a sobrinha recalcada se revelou para tia, expondo tudo o que sempre tentou esconder, incluindo boas doses de deboche.

A vilã foi um dos muitos perfis bem construídos de “Êta Mundo Bom!” e o desempenho de Flávia mereceu o reconhecimento. Suas cenas com Eliane Giardini, Rainer Cadete, Eriberto Leão e Flávio Tolezani eram sempre bem defendidas pela atriz, sendo necessário ainda ressaltar os ótimos embates protagonizados por Sandra e Maria (Bianca Bin). A atriz precisava de um papel como esse, após duas figurações de luxo em sequência. Seu talento não foi valorizado em “Salve Jorge” (2012) e “Além do Horizonte” (2013), onde interpretou personagens esquecíveis e sem importância. Coincidentemente, as duas novelas representaram a interrupção de sua parceria com Walcyr.

Além da já citada Cristina, seu melhor papel, o autor deu para Flávia excelentes perfis em “Caras & Bocas” (2009) e “Morde & Assopra” (2011), os dois folhetins anteriores aos mencionados. Em um a atriz interpretou a mocinha Dafne, se destacando ao lado de Isabelle Drummond (que vivia sua filha Bianca), e no outro a atriz interpretou a Naomi humana e a Naomi robô. Neste caso, aliás, foi um pedido da própria intérprete, aceito pelo escritor. O desafio de viver um androide era bem complicado, até porque a chance de cair no ridículo era alta. Mas Flávia conseguiu defender as duas personagens com competência, virando um dos destaques da trama das sete. A situação era uma espécie ‘rivalidade entre gêmeas’, um clássico folhetinesco, embora com uma situação bem incomum. O sucesso foi tanto que até hoje a sequência da robô se revelando durante um julgamento é lembrada e virou meme.

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Após dois anos de hiato, Flávia voltou aos folhetins na fracassada e problemática “O Sétimo Guardião”, de Aguinaldo Silva, em 2018. Novamente não deu sorte longe de Walcyr. Rita era uma personagem avulsa e sem enredo. Tanto que acabou desligada da trama quando novas mudanças para reerguer a audiência (sem êxito) foram iniciadas. Em 2020, ao menos, parecia que a intérprete tinha recebido um bom papel em “Salve-se Quem Puder”. Flávia estava muito bem como Helena, mãe da mocinha Luna (Juliana Paiva), na trama de Daniel Ortiz e tinha, até então, um bom destaque. Mas veio a pandemia e as gravações foram interrompidas. Resta saber como será o desenvolvimento da personagem quando o folhetim retornar em 2021.

Mas a verdade é que nenhum outro autor sabe valorizar mais Flávia Alessandra do que Walcyr Carrasco. “Êta Mundo Bom!” marcou o retorno da parceria da atriz com autor e amigo pessoal, que honrou seu talento mais uma vez. Sandra foi uma vilã que fez jus ao posto na história das seis e a intérprete voltou aos bons tempos. É um prazer rever seu desempenho nas tardes da Globo.

SOBRE O AUTOR

SÉRGIO SANTOS é apaixonado por televisão e está sempre de olho nos detalhes, como pode ser visto em seu blog. Contatos podem ser feitos pelo Twitter ou pelo Facebook.

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Sérgio Santos é apaixonado por TV e está sempre de olho nos detalhes. Escreve para o TV História desde 2017 Leia todos os textos do autor