Racismo, recordes e segredo revelado: há 20 anos, primeiro No Limite mexia com o Brasil - TV História

Racismo, recordes e segredo revelado: há 20 anos, primeiro No Limite mexia com o Brasil

O primeiro reality show da história da televisão brasileira foi o inovador 20 e Poucos Anos, que a MTV estreou em 5 de julho de 2000. Mas o pioneiro em mexer com todo o país, como fazem hoje programas como BBB e A Fazenda, foi a pioneira edição de No Limite, que entrou no ar no dia 23 de julho do mesmo ano.

Comandado por Zeca Camargo, o reality era baseado no formato do Survivor, da norte-americana CBS (que está no ar até hoje). Pessoas comuns de todo o Brasil foram confinadas e passaram por situações que exigiam resistência física e psicológica. Tudo isso valendo um grande prêmio em dinheiro.

A primeira edição foi realizada numa praia a 100 quilômetros de Fortaleza (CE). Estavam na disputa 12 competidores: a dona de casa Hilma, o bailarino Vanderson, o advogado Marcus, a estudante de serviços sociais Juliana, o aposentado Chico, o líder comunitário Paulo César (Amendoim), a cabeleireira Elaine, o motociclista Thiago, a atriz Pipa, a estudante de ensino médio Hilca, o bancário Jeferson e a advogada Andréa.

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Logo de cara, muitas polêmicas. O líder comunitário Paulo César Martins, conhecido como Amendoim, morador da favela da Rocinha, do Rio de Janeiro (RJ), sentiu-se discriminado pelos demais participantes e denunciou Marcus por racismo, por tê-lo chamado de “crioulo” durante o programa. Apesar das brigas, os dois selaram a paz no palco do Domingão do Faustão, em agosto de 2000.

Marcus, aliás, foi o participante que mais causou. Além do conflito citado acima, foi chamado de “come e dorme” pelos demais participantes, disse que pegaria a gaúcha Pipa, que era casada, e batizou duas galinhas pretas que ganhou de Hilca e Amendoim. Além disso, chamou Hilca de “gorda” logo na estreia da competição.

Segredo revelado

Como foi gravado com antecedência, quando a final do No Limite foi exibida, em 10 de setembro de 2000, já se sabia quem seria o ganhador. Isso porque o segredo vazou na mídia pouco antes da exibição da final.

Tratava-se da paulistana Elaine, de 35 anos. “Ela entrara na disputa desacreditada por ser “gordinha”. Com a dieta forçada de 250 calorias diárias do programa, voltou para casa com 12 quilos a menos”, destacou o site Memória Globo.

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Na final, Elaine venceu Pipa. As participantes tinham que recuperar uma mandala no mar revolto e retornar à praia, cada uma a bordo de um bote inflável. Apanhado por uma onda, o barco de Pipa emborcou, fazendo-a perder a mandala.

Já Elaine conseguiu manter-se firme e levou os prêmios para casa: R$ 300 mil e um carro zero quilômetro, além de ter ficado famosa em todo o Brasil.

Audiência recorde

No Limite conquistou ótimos índices de audiência. Logo na estreia, teve 46 pontos de média e 49 de pico, audiência similar à da novela Laços de Família, que havia estreado há pouco tempo.

A média dos episódios ficou na casa dos 45 pontos. A maior audiência veio na semifinal, quando a atração teve média de 52 pontos e picos de 56. Mais de 4,1 milhões de pessoas acompanharam a disputa.

Talvez por ter seu segredo revelado antes da hora, a final marcou um pouco menos que o episódio anterior. Ficou com 50 pontos de média e 55 de pico – mesmo assim, uma excelente audiência, ainda mais em comparação aos dias atuais.

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Perdendo força a cada edição, o No Limite ainda voltou entre janeiro e março de 2001, depois outubro e dezembro do mesmo ano, e, mais adiante, entre julho e setembro de 2009. Periodicamente, sai alguma notícia dizendo que a atração pode voltar à tela da Globo, agora provavelmente sem seu apresentador, que deixou a emissora neste ano.

De qualquer forma, o caminho estava aberto para o gênero que fincaria seus pés no veículo a partir de então, através da Casa dos Artistas, do BBB e de outros programas que vieram a seguir – muitos extintos, mas alguns deles com sucesso até hoje.



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