Quase tabu: Globo repete experiência com duas mulheres na bancada - TV História

Quase tabu: Globo repete experiência com duas mulheres na bancada

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Na manhã deste domingo (15), a Rede Globo repetiu uma experiência rara em seus telejornais de rede. Duas mulheres dividiram a bancada do Globo Rural, que repercute as principais notícias do campo.

Esta missão coube as jornalistas Cristina Vieira e Ana Paula Campos. A primeira já apresenta o jornal em algumas ocasiões – substituindo Helen Martins –, enquanto Ana Paula ficou com a vaga que costuma ser ocupada pelos jornalistas Nelson Araújo e Vico Iasi, em esquema de rodízio.

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Experiência pouco comum na Globo

Embora, na concorrência esta seja uma prática comum – vide a bancada 100% feminina do Fala Brasil, da Record – na Globo essa é uma formação que ainda engatinha.

Em telejornais de rede, a primeira vez em que duas mulheres dividiram a bancada aconteceu em 2014. Naquele ano, Sandra Annenberg substituiu William Bonner em caráter excepcional e dividiu o comando do Jornal Nacional com a então titular, Patrícia Poeta.

A dupla feminina, até então inédita na emissora, foi formada em um sábado, 08 de março, para celebrar o Dia Internacional da Mulher. Desde então, lamentavelmente, a experiência pouco se repetiu.

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Das duplas aos casais

Se sozinha na bancada, a presença de uma mulher sempre foi relativamente comum em telejornais da Globo, pode-se dizer que os famosos casais só se tornaram a formação padrão em meados da década de 90.

Até então, embora mulheres pudessem, eventualmente, integrar duplas em bancadas – Valéria Monteiro foi a pioneira em apresentar o JN, mas na condição de substituta – o mais comum era a presença de dois homens.

Primeiro, Cristina Ranzolin foi a escalada para ser a titular do Jornal Hoje em 1994, ano em que o telejornal voltou a ser transmitido para o estado de São Paulo. Por um período, o JH foi substituído pelo São Paulo Já, predecessor do SPTV.

A jornalista gaúcha, que recentemente confirmou o diagnóstico de câncer de mama, dividia a bancada do vespertino com William Bonner.

Em 1996, a Globo promoveu uma grande reformulação em seu jornalismo, ampliando o espaço das âncoras mulheres. Com a saída de Sérgio Chapelin e Cid Moreira, Lílian Witte Fibe se tornou a primeira mulher a ser titular do principal telejornal do país.

Depois de Lilian, vieram, em ordem, Fátima Bernardes, Patrícia Poeta e Renata Vasconcellos. Todas dividiram a bancada do JN com William Bonner que, de uns anos para cá, também acumula a função de editor-chefe.

Essa mesma reformulação de 1996 também fixou a presença feminina no Bom Dia Brasil. Desde então Leilane Neubarth, Renata Vasconcellos e Ana Paula Araújo já foram as titulares do matinal.

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“Mandioca News” fez história

Na manhã deste domingo (15), o Globo Rural fez história ao reunir, mais uma vez, duas mulheres na bancada. É um passo importante, porém atrasado, que a Rede Globo dá para transpor uma barreira: essa precisa se tornar uma prática usual na emissora líder.

Essa conquista entra para a lista de façanhas do Mandioca News, apelido jocoso que o telejornal do campo recebeu de outros setores da Globo, ainda quando apresentado por Carlos Nascimento (foto acima), no início dos anos 1980. A revelação foi feita por Nelson Araújo em entrevistas.

Para quem torce contra, aliás, o Globo Rural dá provas constantes de sua força e prestígio: não raramente, o telejornal é a maior audiência das manhãs de domingo da emissora, superando diversos programas exibidos na sequência.

Sobre o autor

Piero Vergílio é jornalista profissional desde 2006. Já escreveu sobre diversos temas, mas há algum tempo, tem se dedicado ao que realmente gosta: trazer notícias sobre o universo da televisão. No Twitter, interage com outros fãs do veículo no perfil @jornalistavetv. Agora, sua história se cruza com a do TV História.



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