Quanto Mais Vida, Melhor! foi divertida, mas acabou prejudicada por dois personagens

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Nilson Xavier

Chegou ao fim, nesta sexta-feira (27), Quanto Mais Vida, Melhor!, novela de estreia de Mauro Wilson como autor titular. Com parte de suas gravações realizadas durante a pandemia, foi a última que estreou já praticamente pronta, impedindo-a da intervenção do público – o que, talvez, teria melhorado seu desempenho no Ibope: foram 20 pontos de média na Grande SP, considerada abaixo da esperada.

Partindo de uma premissa, senão original, ao menos atraente, o autor criou bons entrelaçamentos entre os quatro protagonistas – Neném, Paula, Guilherme e Flávia – que não se conheciam no início da história, mas, unidos, acabaram tendo suas vidas transformadas com a revelação pela Morte de que um deles chegaria morto no fim da trama.

O que acabou não acontecendo. Morte fanfarrona! Ou seja, o autor traiu a premissa de sua história, o que acho bastante questionável – ainda que a mensagem fosse que “o personagem Neném escapou da morte porque reconciliou-se com o irmão Roni”.

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Tramas bem dosadas

Fábulas sobre morte sempre encantam, sobretudo quando trazidas com leveza e pitadas de humor – o que se espera de uma novela das 19 horas. Mauro Wilson criou tramas que dosaram bem humor com folhetim rasgado, drama, romance e ação.

Os ingredientes estiveram todos lá, na personagem que precisava de um transplante médico para sobreviver, na mulher indecisa entre o marido e uma paixão da juventude, nas paternidades e maternidades desconhecidas, na disputa entre duas concorrentes do ramo cosmético, nos vilões barra pesada e nos casais de alívio cômico.

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Personagens prejudiciais

Barbara Colen

Pena que o autor pesou a mão em dois personagens centrais, que fizeram a novela dar voltas no mesmo lugar. Guilherme, vivido por Mateus Solano, era taciturno em demasia e, muitas vezes, um marido tóxico. Um contraponto exagerado com os outros três protagonistas, calcados na leveza. Guilherme só se soltou após a troca de corpo com Flávia, quando passou a aceitar sua paixão pela dançarina.

Já Rose, papel de Bárbara Colen, empacou uma novela inteira com sua indecisão, crises de consciência e apatia, prejudicando dois protagonistas (Guilherme e Neném) e a própria repercussão da trama.

A atriz é conhecida por ótimas interpretações no cinema (de filmes como Aquarius e Bacurau), mas, em sua primeira novela, ganhou uma personagem ingrata. Rose e Guilherme formaram um casal neuras incômodo, que, caso tivessem outros perfis, motivações ou tramas, talvez teriam feito uma diferença enorme para a repercussão de Quanto Mais Vida, Melhor!

Ressalta-se que Mateus Solano e Bárbara Colen levaram seus personagens com bravura, profissionalismo e talento até o fim.

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Filho de quem?

Novela é folhetim e paternidades desconhecidas são dos clichês mais batidos e que mais rendem. Porém, Quanto Mais Vida, Melhor! abusou do recurso. Tigrão não era filho de Guilherme, mas de Neném, enquanto Tina não era filha de Neném, mas de Roney. Logicamente para viabilizar o romance dos jovens pombinhos.

Na reta final, foi revelado que Paula era Eliete, a mãe que abandonou Flávia ainda bebê. Assim, os quatros protagonistas estiveram envolvidos em imbróglios sobre paternidade desconhecida.

Só faltou os gêmeos Leco e Neco descobrirem que não são irmãos! Aliás, seria uma boa piada do autor com sua própria novela.

Divertimento e atuações

Quanto Mais Vida Melhor

Por outro lado, Quanto Mais Vida, Melhor! também entregou leveza e bom entretenimento. A fase de troca de corpos entre os protagonistas foi um golpe de mestre do autor para levantar o moral da novela – que andava caídopor causa da trama que andava em círculos. Foi um gás providencial para a reta final da história.

Mateus Solano como Flávia, Giovanna Antonelli como Neném e Vladimir Brichta como Paula fizeram o público se divertir, tanto com os cacoetes e trejeitos dos personagens que os atores precisavam reproduzir, quanto pelas situações inusitadas a que cada personagem foi obrigado a se submeter.

Valentina Herzage foi o descompasso, já que ficou com Guilherme, um tipo sem muitos recursos para trabalhar, a não ser a sisudez e a cara amarrada.

A direção de Allan Fiterman e equipe fizeram a diferença. Destaco as escolhas criativas, como a tela dividida em quatro que mostrava os protagonistas acordando, as mudanças nos créditos da abertura quando os protagonistas trocaram de corpos, e as aparições da Morte (A Maia).

No mais, uma galeria de tipos bem defendidos por seus intérpretes, com destaque para – além dos quatro protagonistas: Júlia Lemmertz (Carmem), Elizabeth Savala (Nedda), Ana Lúcia Torre (Celina), Jussara Freire (Tuninha), Fábio Herford (Juca), Luciana Paes(Odete), Evelyn Castro (Deusa), Thardelly Lima(Odaílson), Valentina Bandeira (Cora), Zezeh Barbosa(Tetê), Nany People (Lurdes) e Suzy Lopes (Valdirene).

Percebe que a maioria dos nomes citados são atores em papeis cômicos?

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