Pouca gente se lembra, mas Globo também teve a sua Praça

Reconhecido pela elegância e por seus impecáveis smokings, Luís Carlos Miéle aceitou um desafio em sua carreira ao comandar a versão da Globo de 1977 da Praça da Alegria, inspirada no humorístico homônimo originalmente criado por Manoel de Nóbrega nos anos 1950. Muita gente foi contra a escolha de Miéle, por ele não ter o perfil popular da atração.

Em 1976, a Globo fez uma homenagem a Nóbrega, morto em março daquele ano, produzindo uma edição especial da Praça da Alegria dentro do programa Chico City, de Chico Anysio. A boa repercussão da iniciativa encorajou a emissora a produzir uma nova versão do humorístico.

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Na hora de escolher o apresentador, a Globo chamou diversos nomes para testes. José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, então diretor de Operações da emissora, se decidiu por Miéle. Mas muita gente foi contra, não por duvidar da capacidade do showman, mas por ele não ter o estilo de humor popular característico da Praça.

O próprio Miéle falou sobre isso em entrevista ao jornal O Globo em 24 de dezembro de 1977. “Eu não estava definitivamente aprovado para fazer a Praça. O Boni perguntou se eu queria fazer o teste, pois, às vezes, se um artista não passa, isso pode repercutir negativamente. Outras pessoas já tinham tentado, mas não tinham acertado com o espírito que deveria ser o programa”, comentou.

A reportagem destacou que muitos colegas mudaram de opinião após o início das gravações. “O Lúcio Mauro estava comentando e disse que tinha sido contra. Ele achava que minha imagem de smoking, programas musicais, sofisticação, nada tinha a ver com o trabalho feito anteriormente pelo Manoel de Nóbrega. O Boni era o único que acreditava”, completou.

Deu certo e a Praça voltou em 1º de maio de 1977, com muita gente que participou da versão original, como Simplício, Walter D’Ávila, Ronald Golias, Moacyr Franco, Roni Rios (Velha Surda) e Zilda Cardoso, entre muitos outros.

“O elenco estava acostumado a fazer o programa, enquanto que, para mim, é a primeira vez que tenho um trabalho de resultado realmente popular. Desde que trabalho na televisão, nunca tive esse tipo de aproximação com o público. É aquele negócio, se for ao supermercado, tumultua. É engraçado como o tipo de programa se reflete no comportamento das pessoas”, explicou Miéle.

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Humilde, Miéle disse que estava aprendendo com os colegas de palco. “O contato com humoristas como Simplício, Walter D’Ávila, Ronald Golias e Moacyr Franco está me trazendo uma reserva enorme de chaves de humor. Estou aprendendo uma série de macetes da profissão, a saber como usar e jogar com o povo. Coisas que nunca tinham passado pela minha ideia, aquele tipo de comportamento ou chavão com desfecho, provocando um resultado muito grande”, comentou.

No entanto, a Praça da Alegria não teve vida longa na Globo. O programa foi exibido até 18 de novembro de 1978, durando pouco mais de um ano.

Em 1987, a Band reuniu humoristas e criou a Praça Brasil, com apresentação de Carlos Alberto de Nóbrega, filho de Manoel. Poucas semanas, o apresentador e boa parte do elenco migraram para o SBT, que colocou no ar A Praça é Nossa, no ar até os dias de hoje.



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