Pipoca da Ivete é uma mistura de programas que não deram certo

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Zamenza

Após muita propaganda e chamadas, a Globo estreou neste domingo, dia 24, o Pipoca da Ivete. Chamado inicialmente de Mixto Quente, a emissora mudou o nome depois da reação negativa nas redes sociais. Aliás, o programa parece feito com pressa e pouco planejamento.

Pipoca da Ivete

O anúncio da nova atração foi dado em um comunicado da empresa via e-mail para a imprensa. E muitos foram pegos de surpresa porque até então nada era previsto, até por conta do sucesso de Ivete no comando do The Masked Singer Brasil. Mas, assim que a notícia foi dada, deram início a uma intensa propaganda.

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A estreia apresentou um programa com muitos quadros e nenhuma identidade. Todas as ‘disputas’ são cópias de outras atrações, tanto da Globo quanto da concorrência. Aliás, um questionamento se faz necessário: por que, de uns anos para cá, a emissora resolve focar tanto em ‘brincadeiras’ no palco quando cria um novo formato? O entretenimento se resume a isso? Não há mais nada de diferente na área? Mas a dúvida não diz respeito ao texto sobre a estreia de Ivete, que não tem nada a ver com o setor de planejamento comandado por Boninho.

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Mistura

Se Joga

À primeira vista, o programa parece uma mistura dos extintos Tamanho Família, Se Joga e Casa Kalimann, uma atração mediana e duas horríveis, respectivamente. Com a constatação, então, é possível afirmar que o novo formato é péssimo? Não. Porque o carisma de Ivete Sangalo faz a diferença.

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É visível o quanto a cantora está empolgada e feliz com o novo projeto. É uma energia que contagia, mesmo com quadros que não colaboram. Aliás, é injusto afirmar que todos são ruins. A primeira parte do programa, quando duas famílias competem, onde uma é liderada por Ivete e a outra por um convidado especial (no caso da estreia, o simpático Tadeu Schmidt), diverte.

Pipoca da Ivete

O ‘Batalha de Família’, baseado no formato do sucesso americano ‘Family Game Fight’, entretém e a participação ativa da apresentadora faz toda diferença. A primeira etapa, com dicas de palavras para uma adivinhação final, nada mais é do que o ‘Jogo das Três Pistas’, do Programa Silvio Santos.

Mas é um formato que funciona e a inserção de um jato de vento na cara de quem erra deixou o conjunto mais atrativo. Depois teve um jogo de mímica que rendeu momentos impagáveis. Se o programa fosse inteiro com a disputa, seria até bem mais dinâmico. O excesso de quadros deixa o formato corrido. Quando você está se interessando por determinado quadro, ele simplesmente acaba. Tadeu e Ivete estavam se divertindo tanto com as famílias que deu um gostinho de quero mais.

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Excesso de quadros

Pipoca da Ivete

Tanto que a entrada de Regina Casé, Jonathan Azevedo, Paolla Oliveira e Diogo Nogueira quebrou o clima do programa. Não por culpa dos convidados, que foram dispostos a participar de qualquer coisa, mas, sim, pelo encerramento de uma disputa que estava esquentando. E a dinâmica envolvendo os famosos não foi tão feliz. A interpretação de cenas clássicas da teledramaturgia é algo que já foi feito inúmeras vezes no Vídeo-Game, quadro do extinto Vídeo Show e não havia a necessidade de repetí-lo.

Já o pior momento do programa foi quando Ivete ficou em um ‘carro’ com seus convidados fazendo perguntas bobas. “Já ficou dois dias sem tomar banho?” foi um dos questionamentos. Uma bobagem que rendeu situações constrangedoras até para os convidados que só ficavam rindo, meio sem graça.

Outro quadro que não fez muito sentido foi o Ivete-okê. Duas mulheres escolhidas durante uma rápida matéria com populares foram escolhidas e cantaram no palco. A plateia elegeu uma para vencer. Legal, mas e daí? Quadro que durou menos de dez minutos e ficou claramente deslocado. A impressão é que resolveram jogar no ar tudo o que pensaram na hora do planejamento do programa e só depois vão analisar o que funcionou ou não. É como um trem construído com peças novas, mas, ao invés de rodar primeiramente sem passageiros para um teste, ser colocado nos trilhos já carregando todas as pessoas em seus vagões.

Com direção artística de Creso Eduardo Macedo e direção de gênero de Boninho, o Pipoca da Ivete se mostra um programa que não sabe para onde quer ir. Mas Ivete Sangalo está segura e empolgada na apresentação e seu conhecido carisma será o principal alicerce do formato.

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