Quase foi para o paredão: Globo só conseguiu vender primeiro BBB no dia da estreia - TV História

Quase foi para o paredão: Globo só conseguiu vender primeiro BBB no dia da estreia

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Se hoje tem fila de anunciantes e vendeu até o Jogo da Discórdia, como enfatizou Tiago Leifert recentemente, a Globo não teve facilidade para comercializar as cotas da primeira edição do Big Brother Brasil, no início de 2002.

Enquanto a Casa dos Artistas, exibida com sucesso pelo SBT no segundo semestre de 2001, tinha cotas com valores entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões, a Globo fixou o preço em R$ 5 milhões.

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“O plano de publicidade que a Globo está distribuindo para as agências conta que Big Brother Brasil, que vai durar nove semanas, terá um programa de 40 minutos às terças-feiras, após a novela das 8, e mais um de 40 minutos aos domingos, depois do Fantástico. Fora os programetes de 15 minutos, às segundas, quintas, sextas e sábados, na programação noturna, e os de 5 minutos, às quartas-feiras, após o futebol. E mais inúmeros flashes diários de 2 minutos”, destacou César Giobbi em 15 de janeiro daquele ano, em sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo.

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No dia 23 de janeiro, pouco antes da estreia, Daniel Castro informou na Folha de S.Paulo que a Globo não havia vendido, até a manhã do dia anterior, nenhuma das quatro cotas de patrocínio do BBB. “Anunciantes acham o valor das cotas muito alto”, enfatizou o texto.

Um dia depois da estreia, em 30 de janeiro, o jornal Valor Econômico informou que a emissora conseguiu fechar as cotas faltando 24 horas para a estreia do programa. “Ao todo, a emissora vai faturar R$ 25 milhões com patrocínios fechados de anunciantes. O valor não inclui o faturamento com anúncios avulsos”, destacou a reportagem.

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No entanto, a Globo não conseguiu vender a cota “cross media”, que incluía internet, rádio, jornal e televisão. O canal vendeu as cotas de R$ 3,75 milhões para Fiat, Bombril, Kaiser e Ponto Frio. Já Brastemp e Unilever, para divulgar Dove e Rexona, ficaram com pacotes de R$ 1,2 milhão. Ainda foram fechadas ações de merchandising avulsas com Brastemp e Fiat.

De acordo com o jornal, o então superintendente comercial da Rede Globo, Octávio Florisbal, não se mostrou surpreso com o fato de os patrocinadores terem acertado a compra apenas entre sexta e segunda-feira, véspera da estréia do programa. “Infelizmente, é comum fechar as negociações com os anunciantes na última hora. Mas o importante é que conseguimos alcançar a meta prevista”, explicou.

Sobre a falta de interesse pelo projeto de “cross media”, hoje comum, Florisbal disse que os pacotes esbarraram na falta de cultura do mercado em apostar no então novo modelo de comunicação. “O uso de mídias integradas ainda é uma novidade e, claro, demora algum tempo para que seja bem entendido”, disse o executivo.

Para se ter uma ideia, no BBB20, no ano passado, somente com anunciantes fixos a Globo faturou R$ 304 milhões. Para o BBB21, as cotas de patrocínio foram vendidas meses antes da estreia, com faturamento de R$ 470 milhões. Com as ações comerciais realizadas durante a temporada, estima-se que a Globo vai faturar mais de R$ 500 milhões somente em 2021.



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