Nos deixou cedo: o que aconteceu com Guilherme Karam, o Raposão de O Clone? - TV História

Nos deixou cedo: o que aconteceu com Guilherme Karam, o Raposão de O Clone?

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Há cinco anos, no dia 7 de julho de 2016, o Brasil perdia o ator e humorista Guilherme Karam, após lutar por muito tempo contra a doença degenerativa de Machado-Joseph.

O profissional, que nos deixou aos 58 anos, teve dois grandes destaques na carreira: sua atuação no humorístico TV Pirata (1988) e o mordomo Porfírio, de Meu Bem, Meu Mal (1990), ambas produções da TV Globo. Este último, que começou discreto, ganhou espaço na trama e se tornou o personagem preferido do autor, Cassiano Gabus Mendes (1929-1993).

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Depois de Meu Bem, Meu Mal, ele esteve em tramas como Perigosas Peruas (1992), Explode Coração (1995), Pecado Capital (1998), O Clone (2001), quando viveu Raposão, e América (2005), onde viveu seu último personagem, Geraldito.

Afastado da televisão desde então, Karam estava internado desde 2014 no Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro (RJ). Ele era portador da doença de Machado-Joseph, síndrome degenerativa que compromete funções motoras e neurológicas de seus portadores.

Em entrevista concedida ao jornal Extra em 2015, Alfredo Karam, pai do ator, afirmou que o mal já havia acometido a mãe e o irmão do artista. Na época, o global estava em situação bastante complicada, sem falar e se comunicando apenas com o movimento dos olhos.

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Muito além do humor

Mordomo e secretário pessoal de Dom Lázaro Venturini (Lima Duarte), Porfírio era responsável pelo bom andamento da casa e fiel ao seu patrão. Com o decorrer da trama, começou a assediar a jovem Magda (Vera Zimermann), amiga de Vitória (Lizandra Souto), conquistando o público com o bordão “divina Magna” e falando obscenidades para a amada, como, por exemplo: “lareira acesa, conhaque, sexo explícito perto do fogo, a lenha crepitando e soltando fagulhas no nosso traseiro”. Ele também dizia que sonhava apanhar de Magda, que vivia o insultando após as investidas, até ceder aos seus encantos no final da novela, com aprovação do público.

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O personagem surgiu por acaso. Em entrevista ao jornal O Globo de 13 de janeiro de 1991, Karam disse que queria aproveitar a chance de mostrar que não era só comediante. Quando recebeu a notícia de que o TV Pirata ia acabar, em julho de 1990, ao invés de pedir férias achou que era a hora de partir para as novelas. “Quando soube que a novela das oito seria um folhetim, perguntei ao Daniel Filho se não teria um papel para mim, já que era um trabalho diferente ao que o público se acostumou no TV Pirata. Ele disse que ia ver se era possível, por eu ser um comediante”, disse.

O ator também ligou para Cassiano Gabus Mendes, que lhe prometeu uma chance. “Ele disse que adorava o meu trabalho, parou uns 10 segundos e disse que ia pensar num papel para mim”, explicou.

Na época, o ator tinha 13 de carreira, tendo feito, além do TV Pirata, a novela Partido Alto, na Globo, em 1984 (foto acima), e três produções na Manchete: Dona Beija, Carmem e Tudo ou Nada. Para Meu Bem, Meu Mal, emagreceu 12 quilos, deixou a barba crescer e mudou a cor dos cabelos, além do tom de voz – no humorístico, vivia aos berros.

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“Esse personagem está me permitindo ter um tom, uma postura e um andar diferentes, fazendo cair o rótulo de que eu era apenas um comediante e que talvez não tivesse talento, entre aspas, para um papel mais contido. Acho que é isso que está surpreendendo as pessoas”, declarou.

Karam achava que Porfírio não amava Magda de verdade. “Acho que é uma coisa meio fantasiosa. O Porfírio quer uma ascensão em todos os níveis e a Magda representa o tipo de mulher que ele nunca teve”, explicou.

Em crítica na Folha de S. Paulo de 10 de março de 1991, Alcino Leite Neto disse que a novela ria de si mesma através de Porfírio. “Com o anacrônico nome de Porfírio, um irremediável terno escuro, o olhar equilibrando-se entre a perversão e a lógica, Guilherme Karam é, hoje, a estrela por excelência da novela Meu Bem, Meu Mal”, destacou. “No início, fazia aparições – era um figurante de luxo. Agora, ganhou esquetes, cenas dedicadas especialmente à sua performance”, completou.

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Em entrevista ao jornal O Dia de 14 de abril de 1991, Karam disse que começou a receber cantadas de mulheres de várias idades, especialmente aquelas com mais de 40 anos. “Outro dia peguei um avião em Recife e uma senhora que estava sentada a duas poltronas de mim pegou no meu braço e perguntou: “você não quer sentar do lado de uma divina Magna?”. Para não ser antipático, sentei do lado da mulher, que depois passou a viagem toda me alisando o braço e com conversinhas estranhas”, contou.

Só que Porfírio não era qualquer um. Ele era simplesmente o alter ego de Cassiano Gabus Mendes (foto acima), que não escondia sua predileção pelo personagem. “Uma colega da novela perguntou ao Cassiano o que ele gostava da novela. Ele falou: “o Porfírio, porque ele sou eu”. O cinismo da novela pode estar no Porfírio”, disse o ator à Folha de S. Paulo de 10 de março de 1991.

Anos depois, em 2003, em entrevista ao canal AllTV, da internet, Karam confidenciou mais detalhes. “No último dia de gravação, uma atriz, que eu não posso revelar o nome, se aproximou de mim e disse que todas as declarações que Porfírio havia feito à Divina Magna durante a novela, ela havia ouvido na vida real do Cassiano”, contou.



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