Poucos acertos: por que as novelas sempre foram um dos pontos fracos do SBT - TV História

Poucos acertos: por que as novelas sempre foram um dos pontos fracos do SBT

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As novelas se estabeleceram desde os primórdios da televisão brasileira como pilares importantes das grades de programação, mas isso não é garantia de sucesso permanente. Provas dessa incerteza podem ser encontradas ao longo da trajetória de Silvio Santos, que mantém uma relação marcada por altos e baixos com a teledramaturgia desde os primórdios da antiga TV Studios (TVS) até a consolidação do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) como uma das maiores emissoras do país.

Ainda nos tempos da TVS, lançada em 1976 no Rio de Janeiro, o Homem do Baú investiu alto em uma novela que ficou mais conhecida pelo prejuízo milionário que gerou: O Espantalho (1977), de ninguém menos que Ivani Ribeiro, uma das autoras mais bem sucedidas da história da TV (vale lembrar que, em 1993, a mesma trama teve elementos incorporados ao remake de Mulheres de Areia, também de Ivani).

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A produção ficou a cargo do Estúdio Silvio Santos de Cinema e Televisão e chegou a ser exibida pela Record em São Paulo, da qual o animador era um dos acionistas, e pela TV Tupi. No elenco, alguns nomes que geralmente apareciam em novelas da Globo, como Jardel Filho, Nathalia Timberg, Hélio Souto e Eduardo Tornaghi, entre outros.

Foram investidos mais de 13 milhões de cruzeiros, mas nada disso adiantou: o Jornal do Brasil de 7 de maio de 1977 revelou os detalhes dos prejuízos gerados pela novela, incluindo os baixos índices de audiência, a dispensa de 50 artistas e a demissão de 21 funcionários da área técnica.

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O peso do trauma fez com que Silvio Santos decidisse apostar na importação de novelas mexicanas quando inaugurou o SBT, em 1981. A um custo baixo, renderam bons índices de audiência, com destaque especial para a lendária Os Ricos Também Choram (1982), produzida pela Televisa, que se tornaria uma grande parceira da emissora paulista.

O êxito encorajou o SBT a se aventurar pelo caminho das produções próprias até meados da década de 1980, mas sob um baixo risco, com orçamentos modestos e, em muitos casos, realizando adaptações de dramalhões mexicanos.

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A pioneira foi Destino (1982), protagonizada por Ana Rosa e Flávio Galvão, que acabou ofuscada pelo estrondoso êxito de Os Ricos Também Choram, referência para outras produções do México, a exemplo de Maria do Bairro (1995). Porém, mesmo após várias tentativas, o fato é que nenhuma das tramas dessa fase fez com que o SBT desse um salto relevante de qualidade na teledramaturgia, o que só ocorreria na década seguinte.

Em 1989, uma escolha errada certamente causou um dos maiores arrependimentos de Silvio Santos, que teve nas mãos a possibilidade de exibir Pantanal, recusada pela Globo e de autoria de Benedito Ruy Barbosa. Por não estar disposto a encarar o risco de um custo mais alto de produção, preferiu apostar na opção mais em conta: Cortina de Vidro, a primeira novela escrita por Walcyr Carrasco.

O resultado? Parafraseando uma canção clássica, a novela era vidro e se quebrou. Ou melhor: pegou fogo, afinal o prédio que era a principal locação precisou ser eliminado da história por meio de um incêndio, pois o imóvel acabou sendo vendido antes do encerramento das gravações.

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No ano seguinte, enquanto a rejeitada Pantanal fazia os índices de audiência da Manchete explodirem, o dono do SBT continuou a sua sina e reviveu fantasmas do passado, mas com um diferencial de alto risco: o investimento maciço em um núcleo de teledramaturgia.

Comandado por Walter Avancini, o departamento teve como sua primeira empreitada a novela Brasileiras e Brasileiros, que contava com um elenco recheado de globais: de Ney Latorraca a Edson Celulari, passando por Fúlvio Stefanini e Lucélia Santos. Tudo em vão: já no dia da estreia (5 de novembro de 1990), o Jornal do Brasil foi demolidor após uma exibição exclusiva para a imprensa: ao cabo de dois capítulos foi mostrado na tela, de uma só vez, o maior número de desgraças por metro quadrado possivelmente jamais visto numa novela.

Uma trama confusa, combinada com sucessivas mudanças de horário e a fuga de anunciantes, fizeram a situação piorar a tal ponto que o SBT, diante de um rombo desastroso nos cofres, demitiu 150 pessoas, entre artistas e técnicos.

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Coube à Televisa salvar o parceiro em 1991 com Rosa Selvagem e, principalmente, Carrossel, um sucesso absoluto, em especial junto ao público infantil. Ícone de uma geração, ganhou novas versões posteriormente, mas nenhuma conseguiu superar a original dublada. Além dessa tacada de mestre, Silvio Santos também criou o seu próprio trunfo para sanear as contas: a lucrativa e popular Tele Sena.

A reviravolta foi tamanha que, em 1994, veio o maior sucesso da história da emissora na teledramaturgia: a primorosa Éramos Seis, adaptação do romance homônimo de Maria José Dupré. Na esteira, vieram As Pupilas do Senhor Reitor (1994), Sangue do Meu Sangue (1995), Colégio Brasil (1996), além de Os Ossos do Barão, Fascinação e Chiquititas (ambas de 1997), entre outras.

Mesmo com tão boa sequência, o núcleo de teledramaturgia acabou desativado e, nos anos 2000, houve um retorno ao passado de adaptações de novelas mexicanas, sendo que Pícara Sonhadora (2001) e Marisol (2002) marcaram essa época.

Posteriormente, entre remakes de grandes sucessos e apostas junto ao público infanto-juvenil, as produções próprias foram retomadas. As Aventuras de Poliana (2018) é, até o momento, o capítulo mais recente dessa saga folhetinesca.

Encerrada em julho de 2020, já com a pandemia de Covid-19 em curso, a trama assinada por Íris Abravanel, esposa de Silvio Santos, atingiu uma impressionante marca: foi a segunda novela mais longa da história da TV no Brasil (564 capítulos), perdendo apenas para Redenção (596 capítulos), exibida de 1966 a 1968 pela extinta TV Excelsior. Se tudo correr conforme o previsto, a próxima incursão da emissora no gênero será Poliana Moça, continuação da trama encerrada no ano passado.

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