Única novela de Sandra Annenberg na Globo terminava em 1989 - TV História

Única novela de Sandra Annenberg na Globo terminava em 1989

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Em consequência da pandemia causada pelo novo coronavírus, a Globo teve que tomar uma atitude para poder retornar com suas novelas inéditas, interrompidas em março do ano passado. Pelo menos por enquanto, todas as tramas da emissora serão exibidas totalmente gravadas. A primeira a estrear nesse formato foi Nos Tempos do Imperador, com Selton Mello, Letícia Sabatella e Mariana Ximenes.

Mas esse “novo normal” da Globo já foi testado uma vez – evidentemente não por conta de uma pandemia. Novela das seis exibida entre 8 de maio e 22 de setembro de 1989, Pacto de Sangue foi exibida com seus 119 capítulos totalmente gravados.

A trama, de Regina Braga, se passava em Campos dos Goytacazes no ano de 1870, ao final da Guerra do Paraguai, seguindo até a promulgação da Lei do Ventre Livre. No elenco, nomes como Carlos Vereza, Carla Camurati, Rubens de Falco, Edwin Luisi, Sandra Bréa e até Sandra Annenberg, que ainda era atriz antes de enveredar para o jornalismo, na década de 1990. Na emissora, ela também fez séries e minisséries.

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Em seu site Teledramaturgia, nosso colunista Nilson Xavier explicou que Pacto de Sangue foi a primeira novela da Globo a ser exibida totalmente pronta.

“Foram 119 capítulos que apresentaram tropeços próprios desse tipo de experiência. Os autores e diretores não tiveram, por exemplo, o recurso das pesquisas de opinião, para ajustar a trama ao gosto do público”, destacou o especialista.

“Trata-se de uma obra fechada. Um vôo cego, onde você junta a imaginação e muita intuição para escrever a trama”, comentou a autora ao jornal O Dia de 29 de janeiro de 1989. “Tem um lado bom que impede de se esticar a novela e acabar perdendo a consistência dos personagens”, completou Vereza.

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Preparando terreno para o Projac

De acordo com notícias da época, Pacto de Sangue era uma experiência da Globo, que queria implantar essa estratégia para o maior número de novelas possível. A emissora planejava se mudar para o Projac (atual Estúdios Globo) em 1991, o que acabou acontecendo apenas alguns anos depois.

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“Todas as novelas que dirigi, com exceção de As Três Marias, foram obras fechadas. Acho muito mais fácil, pois você planeja melhor as cenas e tem uma margem de erro menor”, enfatizou o diretor Herval Rossano.

A novela não teve grande repercussão e cedeu sua faixa para O Sexo dos Anjos, de Ivani Ribeiro, nunca sendo reapresentada pelo canal.

Como todos sabem, o plano não deu certo e a Globo continuou fazendo suas novelas no formato que todos conhecem, com exceção de Salomé (1991), que teve esse mesmo expediente. Mas, dessa vez, por conta da pandemia, a situação mudou drasticamente e a emissora soube se adaptar.



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