Novela com Regina Duarte mudou história da Globo, mas nunca mais será vista - TV História

Novela com Regina Duarte mudou história da Globo, mas nunca mais será vista

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A história das telenovelas da Globo pode ser dividida em duas fases: antes de Véu de Noiva e depois de Véu de Noiva. Isso porque há 51 anos, em 10 de novembro de 1969, a emissora estreava a trama de Janete Clair (1925-1983), responsável por apresentar uma história moderna e aposentar os dramalhões rocambolescos da cubana Glória Magadan (1920-2001). Só que quem viu, viu; quem não assistiu, nunca mais poderá ver.

Vale ressaltar que a Globo não foi a pioneira nesse tipo de novela: a primazia coube à Tupi, que exibiu, com grande sucesso, Beto Rockfeller entre 1968 e 1969. A trama de Bráulio Pedroso (1931-1990), estrelada por Luis Gustavo, é considerada o divisor de águas do gênero no Brasil, com temas atuais e diálogos coloquiais.

Desde que estreou, em 1965, a Globo exibiu tramas como Eu Compro Essa Mulher, O Sheik de Agadir, A Rainha Louca, A Sombra de Rebeca e A Última Valsa. Algumas fizeram sucesso, mas as tramas não eram contemporâneas. O Sheik de Agadir se passava na Arábia Saudita e na França; A Rainha Louca se desenvolvia durante as batalhas de Napoleão III (1808-1873); A Gata de Vison retratava a Chicago dos anos 1920; e A Última Valsa era situada na Áustria do século XIX. Dessa forma, os brasileiros não se viam na telinha.

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Daniel Filho acabou levando Janete para a emissora em 1967. Ela ganhou moral após criar um terremoto que eliminou parte do elenco e salvou Anastácia, a Mulher Sem Destino. Ficaria na Globo até o final da vida, fazendo, inicialmente, algumas tramas no estilo de Magadan, como Sangue e Areia, Passo dos Ventos e Rosa Rebelde.

Em 1969, após o sucesso de Beto Rockfeller, ela sugeriu a produção de Véu de Noiva. O tema da obra causou estranheza. O protagonista masculino seria um piloto de carros de corrida.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, contou em seu livro que protestou: “Daniel, não dá. Pela primeira vez Magadan estava certa. Automobilismo é coisa para homem e o grande público de novela são as mulheres”, explicou. “Não se assuste. O automobilismo é só pano de fundo. É uma novela romântica, muito romântica”, respondeu o diretor. Desconfiado, Boni leu a sinopse com mais atenção e se surpreendeu, dando OK para o início das gravações.

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Véu de Noiva, que originalmente se chamaria Vende-se um Véu de Noiva, título utilizado pelo SBT em nova produção do texto, em 2009, foi a estreia de Regina Duarte na Globo, vinda da TV Excelsior. Ela foi contratada para reforçar o elenco e atrair a simpatia dos paulistas.

A emissora fez questão de avisar ao público que suas novelas estavam mudando. Em anúncios nos principais jornais e revistas, enfatizou: “Em Véu de Noiva, tudo acontece como na vida real. A novela verdade”.

“Além da modernidade do tema, Véu de Noiva apresentava níveis de produção até então nunca vistos em telenovelas. E tinha a vantagem de ter diálogos coloquiais, mas muito bem elaborados e distantes dos diálogos improvisados do Beto”, destacou Boni em seu livro.

Outras inovações foram a criação de um trilha sonora com músicas especialmente compostas para a novela, com o inédito lançamento de um disco específico, e o encontro de personagens de Véu de Noiva e Verão Vermelho, outra trama exibida pela emissora na época, escrita por Dias Gomes (1922-1999), marido de Janete Clair.

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Magadan acabou deixando a emissora e o caminho foi aberto para a produção de grandes sucessos que marcaram a história da televisão brasileira, como Irmãos Coragem, sucessora de Véu de Noiva, e muitas outras.

Um dos fatos a serem lamentados é que não existem mais imagens de Véu de Noiva, a não ser poucas cenas de bastidores. As fitas acabaram se perdendo nos incêndios sofridos pela Globo em 1971 e 1976. Dessa forma, infelizmente a novela que revolucionou a trajetória da emissora nunca mais poderá ser vista em sua forma original.



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