Novela que terminava em 1988 teve atores problemáticos, título errado e mais

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Exibida recentemente pelo canal Viva e, em seguida, disponibilizada pelo Globoplay, a novela Sassaricando, de Silvio de Abreu, terminava há exatamente 34 anos, em 11 de junho de 1988.

Abaixo, 10 curiosidades sobre esse clássico da TV:

Coadjuvantes que suplantaram os protagonistas

Sassaricando

A trama principal – o “saçarico” de Aparício com as três caçadoras de dote, Rebeca (Tônia Carrero), Penélope (Eva Wilma) e Leonora (Irene Ravache) – deixou de centralizar a ação dando espaço para histórias paralelas.

O público ficou mais interessado nas loucuras de Fedora (Cristina Pereira) e Leozinho (Diogo Vilela) e no triângulo amoroso Tancinha (Cláudia Raia), Beto (Marcos Frota) e Apolo (Alexandre Frota).

Tanto foi assim que, para o remake da novela (Haja Coração), Daniel Ortiz promoveu Tancinha a protagonista, em detrimento de Aparício Varela.

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Paulo Autran e Tônia Carrero “difíceis”

Tonia Carrero

Sassaricando foi a única experiência de Miguel Falabella como diretor de novelas. Porém, ele não gostou. Em depoimento ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia” (do Projeto Memória Globo), Falabella reclamou de Paulo Autran e Tônia Carrero, que viviam os protagonistas:

“Não foi uma experiência muito agradável, por isso não repeti. A novela era bárbara, o texto do Silvio, delicioso e ágil. Mas tanto Paulo Autran quanto Tônia Carrero eram pessoas difíceis. E eu estava começando, sem experiência. Éramos o Cecil Thiré, o Lucas Bueno e eu na direção. Acabei saindo pouco antes de a novela terminar”.

Mesmo dando trabalho à produção, Autran brilhou no papel de Aparício Varela. Por sua atuação, foi premiado com o Troféu Imprensa de melhor ator de 1987.

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Personagens inesquecíveis

Sassaricando

Tancinha e Fedora Abdala entraram para a galeria do tipos marcantes da história de nossa TV. Silvio de Abreu criou o casal Fedora e Leozinho pensando em Regina Casé e Ney Latorraca para interpretá-los. Porém, Regina não pôde fazer a novela. Cristina Pereira entrou em seu lugar e, com ela, um novo par: Diogo Vilela. Com o casal, ganhou destaque sua música-tema, “Fatamorgana” (cantada em árabe pela banda alemã Dissidenten), tão marcante que voltou a embalar os personagens no remake da novela.

Mesmo com alguns exageros, Cláudia Raia, com sua exuberante Tancinha, foi a marca registrada de Sassaricando. O linguajar e o sotaque paulistano italianado da personagem fizeram o maior sucesso. Indecisa sobre qual de seus pretendentes escolher, o publicitário Beto ou o musculoso Apolo, Tancinha falava: “Me tô divididinha!”.

Ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, Silvio de Abreu explicou como concebeu Tancinha:

“Foi inspirada numa mulher que existiu, que conheci (…) Ela falava com o filho ‘Mirton, me vem pra cá. Me estou aqui esperando e você não me aparece!’ Sempre achei engraçado esse jeito de falar. Pensei numa mulher gostosona – ela não era, mas misturei as duas coisas – e meio ingênua. Queria fazer a burra gostosa, a divertida ingênua, um pouco na linha Marilyn Monroe. Uma mulher que não sabe que é gostosa, com um lado extrovertido, tipo a Sophia Loren, e falando igual à mãe do Mirton. (…) A primeira cena da Tancinha, em que ela vendia melão na feira, foi toda inspirada em Sophia Loren. (…) Eu não criei a Tancinha e depois pensei na Cláudia Raia. Criei a Tancinha para a Cláudia Raia”.

Para interpretar Tancinha e adotar um sotaque italianado, Claudia Raia fez aula de prosódia. A própria atriz inventava palavras para a personagem, que vivia falando errado. E uma vez pronunciada a palavra, como “parteleira” em vez de prateleira, ela precisava mantê-la. Não podia mais falar do jeito certo. (Site Memória Globo)

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Erros de grafia

O título da novela vem da famosa marchinha “Sassaricando”, composta em 1952 para a peça de teatro de revista “Eu Quero Sassaricá”, de Walter Pinto, estrelada por Virgínia Lane, que imortalizou a música tornando-a uma das marchinhas mais lembradas de todos os tempos. Rita Lee e Roberto de Carvalho a regravaram para a abertura da novela.

O logotipo apresentava uma liberdade criativa, já que a grafia correta da palavra “saçaricando” é com “ç”, e não com “ss”. Para o livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia”, Silvio de Abreu explicou: “Foi grafado com dois esses e não com cedilha, como seria o correto, porque tanto o título da música quanto a peça encenada por Walter Pinto no teatro de revista, nos anos 1950, também foram grafadas assim”.

Também a separação por sílabas no logotipo da novela – “sa-ssa-ri-can-do” – está errada, já que o correto seria “sas-sa-ri-can-do”. A palavra “saçaricar”, que estava fora de uso na época da novela, significa dançar, mexer o corpo, saracotear. Porém, a marchinha de carnaval lhe dava uma conotação maliciosa e sexual.

Citações a outras novelas

Elas por Elas

No primeiro capítulo, uma das irmãs de Tancinha disse-lhe que ela falava ainda pior que “aquele rapaz da novela que terminou no sábado” – referência a Bruno, personagem de Cássio Gabus Mendes em Brega e Chique, a novela anterior a Sassaricando. Outra trama mencionada foi Vale Tudo: na época de sua estreia, Lucrécia (Maria Alice Vergueiro) disse que não queria perder “o primeiro capítulo da nova novela de Gilberto Braga” – uma pequena homenagem de Silvio ao amigo.

Também uma referência a Cambalacho (1986, do próprio Silvio de Abreu), quando Tancinha foi apresentada a Marco Aurélio (figurinista da Globo) e pediu-lhe que fizesse um vestido de casamento igual ao de Natália do Valle no primeiro capítulo daquela novela.

O detetive que Fabíola (Ileana Kwasinsky) contratou para procurar Tavinho (Alexandre Lippiani), seu filho que estava desaparecido, foi Mário Cury, indicado pelo “Cassiano” – alusão ao atrapalhado detetive Mário Fofoca, personagem de Luiz Gustavo em Elas por Elas (1982), novela de Cassiano Gabus Mendes. Em uma cena, Aprígio (Laerte Morrone) – de má vontade e fazendo pouco caso – falou que Mário não acharia Tavinho mesmo que ele estivesse no jardim da mansão – o próprio Laerte Morrone interpretou em Elas por Elas um advogado que atrapalhava as investigações de Mário Fofoca.

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Referências

Sassaricando

Um dos pontos de partida da trama são as três amigas – Rebeca (Tônia Carrero), Penélope (Eva Wilma) e Leonora (Irene Ravache) – que resolvem sair do sufoco “caçando” um marido rico. Clara inspiração de Silvio de Abreu no filme “Como Agarrar um Milionário” (de Jean Negulesco, 1953) com Lauren Bacall, Marilyn Monroe e Betty Grable.

O sobrenome de Leonora é uma referência à atriz de Hollywood Hedy Lamarr (1914-2000). Já a inspiração para a megera Lucrécia (Maria Alice Vergueiro) é Lucrécia Bórgia (1480-1519), controversa figura histórica da Renascença italiana.

Locação manjada

Sassaricando

Uma das principais locações de Sassaricando era a mansão da família Abdalla, uma imponente residência com vasto jardim situada na Estrada da Gávea Pequena, 1077, no Alto da Boa Vista, Rio de Janeiro.

Essa mansão ficou famosa por ter servido de fachada ou locação para várias outras novelas ao longo dos anos: foi a casa da família Newman em Brilhante (1980-1981), de Renato Villar em Roda de Fogo (1986-1987), da família de Isabela Garcia em O Sexo dos Anjos (1989-1990), dos Torremolinos em Perigosas Peruas (1992), da clínica de José Mayer em História de Amor (1995-1996), da família de Zazá em Zazá (1997), dos San Marino em Andando nas Nuvens (1999) e outras.

Estreias na Globo

Sassaricando

Foi a primeira novela do ator Alexande Lippiani e da atriz Stella Freitas (apesar de já experiente na televisão). Primeira novela na Globo das atrizes Lolita Rodrigues, Jandira Martini, Maria Alice Vergueiro, Ileana Kwasinski e Aldine Müller.

Primeiro beijo na boca

Sassaricando

Figurinha fácil na TV brasileira desde a sua inauguração, em 1950, a atriz Lolita Rodrigues levou 38 anos para dar seu primeiro beijo na boca em cena. Após ter sido vigiada pelo marido Aírton Rodrigues, seu grande momento aconteceu em 1988, depois da separação: em Sassaricando, Lolita beijou o ator Carlos Zara. (“Almanaque da TV”, Bia Braune e Rixa)

Participações especiais

Sassaricando

Fernanda Montenegro participou em um capítulo como ela mesma, nos bastidores da peça “Dona Doida”, na qual atuava. Tony Ramos e Jorge Fernando foram o ator e o diretor na novela da Globo para a qual Leonora Lamarr (Irene Ravache) foi chamada para atuar e na qual não ficou nem um dia, pois não conseguia decorar o texto.

Nos últimos capítulos, houve a participação da dramaturga Leilah Assumpção, que convidou Leonora a realizar o sonho de voltar aos palcos. A então modelo Silvia Pfeifer (antes de estrear como atriz) apareceu desfilando na novela.

Sempre que se via em apuros, Aparício apelava para a imagem de São Sinfrônio, seu santo de devoção. O santo apareceu, humanizado, no último capítulo, na pele do diretor-geral da novela, Cecil Thiré.

AQUI tem tudo sobre Sassaricando: elenco, trama, personagens, trilha sonora e mais curiosidades.



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