Novela que estreava em 2017 foi arrastada e teve mocinho inexpressivo - TV História

Novela que estreava em 2017 foi arrastada e teve mocinho inexpressivo

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Tempo de Amar, novela das seis de Alcides Nogueira e Bia Corrêa do Lago, dirigida por Jayme Monjardim, estreava há exatamente quatro anos, em 26 de setembro de 2017. Meses depois, a trama chegou ao fim em 19 de março de 2018, cumprindo sua missão de manter bons índices de audiência para a faixa na Globo – derrubou apenas um ponto da antecessora, a primorosa e bem-sucedida Novo Mundo.

E foi uma novela bonita, com diálogos refinados e belíssimas imagens, incluindo figurino e cenários. Todavia, a produção pecou bastante no enredo e no ritmo, que se arrastou ao longo dos meses, testando a paciência de quem assistia.

O autor baseou seu folhetim no argumento de Rubem Fonseca, que ambientava a história de amor dos mocinhos entre 1886 e 1888, época em que ocorre o movimento abolicionista. Mas decidiram mudar o contexto para os anos 1920 (entre Portugal e Rio de Janeiro, filmando em locações lindas do Rio Grande do Sul). E não foi apenas essa a mudança de percurso dos escritores. Desde o início, ficou claro que seria quase impossível sustentar a trama apenas na separação e, consequentemente, no reencontro de Maria Vitória (Vitória Strada) e Inácio (Bruno Cabrerizo). A necessidade de outros conflitos era vital para o roteiro não ficar limitado. Mas, infelizmente ficou.

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O primeiro erro foi juntar os protagonistas de forma tão súbita e pouco consistente. Aquele amor à primeira vista encantava noveleiros nos anos 70/80, mas não cabe mais no mundo atual. Mesmo sendo um enredo de época. A exceção fica por conta do desenvolvimento desse amor. Se o autor ou a autora souber conduzir com precisão, a chance de arrebatar o público é quase certa. No entanto, colocá-los perdidamente apaixonados com apenas dois capítulos de novela foi um grave erro. Já estavam planejando até casamento. Ou seja, o par acabou não convencendo. Para culminar, o casal foi separado logo na segunda semana e ficou afastado quase a trama inteira. Não há torcida que aguente.

A ideia de apostar em rostos novos como protagonistas foi corajosa e deu certo com Vitória, que se mostrou uma grande e promissora atriz. Deu show de emoção em todos os momentos e com certeza será disputada nas próximas novelas da emissora. Já com Bruno o erro acabou evidente. Inexpressivo, o ator deixou a desejar sempre que foi mais exigido e ficou artificial proferindo o texto formal da trama, muitas vezes parecendo uma leitura. Mas é injusto culpar apenas o intérprete. Alcides tem muita culpa pela condução totalmente errônea do mocinho, que virou um sujeito passivo, burro e manipulável, não fazendo diferença alguma para o andamento dos conflitos.

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O período em que Inácio ficou cego e nas mãos de Lucinda (Andreia Horta) testou a paciência do telespectador. Além de acreditar em todas as mentiras que a vilã contava sobre Maria Vitória, nem se preocupou em procurar seus amigos no Rio de Janeiro, como o Seu Geraldo (Jackson Antunes), dono da mercearia que o empregou quando o mesmo chegou para melhorar de vida.

Enquanto isso, a mocinha passava por uma sucessão de desgraças na procura pela filha roubada e pelo amor de sua vida – foi internada em um convento, assediada, estapeada, presa, enfim… Nessa época, inclusive, a trama deveria ter se chamado Tempo de Chorar ou Tempo de Sofrer. E todo esse conjunto deixava apenas claro que o único drama consistente do roteiro era esse reencontro dos mocinhos que nunca acontecia.

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Os núcleos paralelos, por sua vez, pouco acrescentaram e muitos atores talentosos foram figurantes de luxo. Isso porque o elenco foi muito bem escalado. Mas, não souberam aproveitá-lo, como Regina Duarte.

Elogios de sobra devem ser dados para Bruno Ferrari, que roubou a cena e virou o verdadeiro mocinho da trama, conquistando a todos com o seu carismático Vicente. Sua química com Vitória Strada era visível e os dois protagonizaram lindas cenas de amor e cumplicidade. Não por acaso terminou com o coração da mocinha no final da história. Aliás, em matéria de pares românticos, a novela fracassou. O que não deixa de ser irônico, levando em conta o título Tempo de Amar. Com exceção de Maria Vitória/Vicente (que só surgiu em virtude do equívoco de Vitória e Inácio), Eunice/Reynaldo e Dona Nicota/Seu Geraldo, nenhum casal funcionou.

A reta final do folhetim deixou evidente a limitação do enredo, pois não houve qualquer acontecimento relevante. Parecia que a novela já deveria ter terminado há uns dois meses.

Tempo de Amar foi uma novela mediana, cujos erros acabaram camuflados pelo texto bonito de Alcides Nogueira e Bia Corrêa do Lago, enquanto as qualidades se sobressaíram através da direção competente de Jayme Monjardim, aproveitando as belíssimas imagens e cenários do enredo. Mesmo assim, o roteiro limitado e o ritmo modorrento foram perceptíveis em todos os momentos, assim como o subaproveitamento de vários atores e personagens que simplesmente não aconteceram. Teria sido uma obra bem melhor se fosse uma minissérie de uns 20 capítulos.

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