Nos anos 90, crianças morreram ao tentar imitar Chaves e programa da Globo - TV História

Nos anos 90, crianças morreram ao tentar imitar Chaves e programa da Globo

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Na década de 1990, dois fatos trágicos geraram debates sobre a influência da televisão sobre as crianças: em 1994, um garoto de sete anos morreu ao imitar uma cena da série Chaves; pouco tempo depois, em 1996, dois irmãos morreram após simular uma prova do programa Ponto a Ponto, da Rede Globo.

No dia 1º de fevereiro de 1994, na cidade de Canindé (CE), o garoto Pedro Victor Sampaio assistia ao episódio O Curto Circuito, na qual toda turma do Chaves toma um choque elétrico. Pedro, na tentativa de imitar a cena, colocou um fio de uma enceradeira velha na tomada e morreu na hora. O pai tentou socorrer o filho, mas ele já chegou no hospital já sem vida.

Inconsolável, Maria Nadia Bezarra Sampaio, mãe do garoto, mandou uma carta para Silvio Santos contando como a tragédia atingiu sua vida. “Ele era filho único da família e eu o amava muito. Agora, minha vida mudou de sentido e acho que vou enlouquecer”, escreveu Maria.

A diretora do colégio em que Pedro estudava, Joane Laurene de Oliveira, liderou um movimento de boicote à programação infantil do SBT juntamente com outras mães revoltadas com o fato. Em entrevista ao Jornal do Brasil, Joane disse que “a programação infantil da emissora está muito dirigida à violência, o que não é correto”.

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Ademar Dutra, que na época era diretor administrativo e de divulgação do SBT, afirmou que o incidente ocorrido em Canindé não era responsabilidade do SBT: “Transmitimos o Chaves há mais de 10 anos e não há violência alguma nos seus personagens. É um pastelão, uma espécie de Trapalhões mexicano, com um clima poético e ingênuo”, disse em entrevista na época.

Bola de Fogo

Em 1996, a Rede Globo reformulou sua programação e colocou no ar, aos domingos, o game show Ponto a Ponto, apresentado por Ana Furtado, Danielle Winits e Márcio Garcia.

O programa, que tentava barrar a audiência do Domingo Legal, mostrava jovens que, em busca de uma boa premiação, se arriscavam em competições radicais – e de gosto duvidoso, denominadas de “auto flagelação”, “depilação”, “ping pong submarino”, entre outras.

Uma dessas provas era a “Bola de Fogo”, na qual o participante empurrava uma bola em chamas em uma rampa.

Felipe Boch, de 15 anos, e seu irmão Gustavo Boch, de 17 anos, assistiam ao Ponto a Ponto todos os domingos e resolveram simular a prova que era um dos pontos altos da atração.

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Os garotos, com outros amigos, realizaram uma partida de futebol com uma bola em chamas. Para continuar a brincadeira, os irmãos foram buscar mais combustível na garagem e, ao manipular tonéis de thinner, ocorreu uma explosão e eles ficaram gravemente feridos.

O mais novo, Felipe, teve 80% de seu corpo queimado e faleceu no dia 17 de maio de 1996. Gustavo morreu dias depois.

Para apurar o caso e investigar se o programa influenciou essas mortes, foi instaurado um inquérito e o subprocurador-geral de Justiça do Estado, Odilon Abreu, pediu na Justiça a suspensão da produção em todo o território nacional. O deputado Gilney Viana solicitou à Procuradoria Geral da República uma investigação sobre o caso.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, vice-presidente de Operações da Globo na época, afirmou que todos os participantes estavam protegidos de forma adequada e cobertos por um seguro de vida contra acidentes.

Porém, a tragédia ficou marcada e, antes mesmo da decisão judicial, o Ponto a Ponto foi encerrado, com uma duração de apenas cinco meses, totalizando apenas 19 edições e uma audiência que deixou a desejar.



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