Motivos para A Vida da Gente, Sangue Bom e Laços de Família serem as próximas reprises da Globo - TV História

Motivos para A Vida da Gente, Sangue Bom e Laços de Família serem as próximas reprises da Globo

A Globo ainda não sabe o que fazer com a retomada das gravações das novelas. A única certeza é o adiamento de “Nos Tempos do Imperador”, próxima trama das 18h, e “Um Lugar ao Sol”, próximo folhetim das 21h, para 2021. E “Amor de Mãe” retornará apenas para fechar seu ciclo rapidamente em aproximadamente 25 capítulos (nem há mesmo muito mais história para contar), mas só ano que vem. Já no caso de “Salve-se Quem Puder”, produção das 19h, a volta também ficou para 2021. Portanto, uma nova leva de reprises será escolhida pela emissora até a vida voltar ao normal (é o que todos torcem) ano que vem. E agora listo os vários motivos para que “A Vida da Gente”, “Sangue Bom” e “Laços de Família” sejam as selecionadas.

A emissora tem cogitado, segundo alguns sites, a fraca e sonolenta “Flor do Caribe” (2013), de Walther Negrão, para substituir “Novo Mundo” (2017). Protagonizada por Henri Castelli e Grazi Massafera, com Igor Rockli de grande vilão, a trama teve um bom começo, mas se perdeu pelo caminho em capítulos arrastados e dramas que não marcaram. Tanto que muitos nem se lembram do enredo. A audiência ficou dentro da média, mas nada de números muito elevados. Então, como os altos índices não vêm sendo considerados pela emissora para a próxima reprise das seis, o enredo de Lícia Manzo merece ser escolhida.

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Em “A Vida da Gente”, dirigida por Jayme Monjardim, a escritora arrebatou o público com a envolvente história de Ana (Fernanda Vasconcellos), Manu (Marjorie Estiano) e Rodrigo (Rafael Cardoso). A novela não foi um imenso sucesso, mas teve grande repercussão. As duas eram irmãs e cúmplices, enquanto o rapaz era praticamente um irmão de criação, pois cresceu com as meninas.

Rodrigo e Ana se apaixonam, mas não conseguem ficar juntos por causa da desavença dos pais —- Eva (Ana Beatriz Nogueira), mãe dela, e Jonas (Paulo Betti), pai dele. A garota engravida e se vê obrigada pela mãe a ter o bebê fora do país para não prejudicar sua carreira de tenista. Ana só conta a verdade para Manu e tempos depois volta ao Brasil com a criança, resolvendo fugir com a irmã (sempre rejeitada por Eva), após inúmeras brigas familiares.

Porém, um grave acidente de carro na estrada causa uma tragédia e interrompe os planos das irmãs: Ana entra em coma e Manu fica responsável pela criação de Júlia ao lado de Rodrigo e Iná (Nicette Bruno), sua doce avó. A aproximação com o irmão de criação, que quase foi seu cunhado, faz surgir um sentimento entre os dois, que constroem uma bela história de amor através da dor da “perda” e da cumplicidade. Mas tudo vira de cabeça para baixo quando Ana acorda do coma. A trama foi impecável e arrebatadora. Foi impossível não ter mergulhado naquele enredo e se colocado no lugar de cada um. A autora conseguiu criar uma trama linda e repleta de dramaticidade. Não por acaso a novela é lembrada até hoje com muito carinho pelo público nas redes sociais e, na época, houve uma forte divisão de torcidas em relação aos casais. Os defensores de Manu e os de Ana discutiam diariamente sobre as atitudes de cada uma. Vale lembrar que o folhetim foi exportado para mais de 113 países e está em terceiro lugar na lista de mais vendidas da Globo —- atrás apenas de “Avenida Brasil” (132) e “Caminho das Indias” (118).

“Sangue Bom”, de 2013, é uma excelente substituta da excelente “Totalmente Demais” (2016). A emissora cogita “Rock Story” (2015), outra novela ótima, escrita por Maria Helena Nascimento em sua estreia como autora solo. Porém, é uma história que não teve fôlego para se sustentar até o final (os dois últimos meses foram de pura enrolação) e a audiência passou longe de um estouro. Como os números, no caso, também não estão sendo levados em consideração, a história deliciosa de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari merece ser escolhida. A trama — que teve uma média dentro dos padrões para a faixa — abusou da complexidade de seus personagens, da metalinguagem na história, do ótimo texto e da crítica ao mundo das celebridades. Eram tantos perfis carismáticos que fica difícil fazer uma lista justa.

Através da dúbia Amora Campana (Sophie Charlotte), a personagem que carregou a trama, foi abordado o conflito entre o ‘ser’ e o ‘ter’, em meio ao ‘submundo’ das celebridades que servia como pano de fundo para toda a história central. A patricinha vivia de sua imagem e apresentava um programa que falava sobre a rica vida dos famosos, chamado ‘Luxury’. Ainda tinha que fingir que era amiga de Lara Keller (Maria Helena Chira), rival que sempre quis roubar seu lugar. Para culminar, sua mãe (Bárbara Ellen – Giulia Gam) era, além de uma péssima influência, uma atriz decadente e que fazia de tudo para aparecer, incluindo adotar crianças. Os outros protagonistas eram Fabinho (Humberto Carrão), Malu (Fernanda Vasconcellos), Giane (Isabelle Drummond) e Bento (Marco Pigossi).

A história ainda contou com uma leva de perfis hilários como Tina (Ingrid Guimarães), Damáris (Marisa Orth), Mulher Mangaba (Ellen Rocche) e Mulher Pau de Jacu (Luis André Alvim). Mas outros personagens também brilharam pelos seus arcos dramáticos, vide Wilson (Marco Ricca), Glória (Yoná Magalhães em seu último trabalho), Irene (Débora Evelyn), Simone (Andreia Horta), Érico (Armando Babaioff), Verônica (Letícia Sabatella) e Renata (Regiane Alves). Já a ambiguidade foi outro ponto bem colocado na história. Praticamente todos os tipos apresentados não eram só bons ou só maus. Amora foi sem dúvida a personagem mais complexa e controversa da história que carregou inúmeros dramas nas costas. Sophie Charlotte se entregou por completo. A ‘it girl’ (hoje em dia seria chamada de Digital Influencer) era uma mocinha que tinha várias atitudes de vilã e despertou uma avalanche de sentimentos no público, principalmente quando expôs por completo seu lado frágil e humano na reta final. Fabinho também foi um tipo repleto de controvérsias e Humberto Carrão soube incorporar perfeitamente um ‘bad boy’ que fez muita coisa errada na vida e, posteriormente, soube dar a volta por cima e mudar por um amor. Foi o melhor papel da carreira do ator. A novela se mostrou redonda e muito bem escrita.

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E a produção que já foi confirmada para a faixa das 21h é a primorosa “A Força do Querer”, melhor trabalho de Glória Perez, exibida em 2017. Será bem-vinda, mas há histórias um pouco mais antigas que mereciam prioridade. “Laços de Família” foi uma das melhores novelas de Manoel Carlos e um fenômeno de audiência. O folhetim já foi confirmada para substituir “Êta Mundo Bom!” no “Vale a Pena Ver de Novo”. Porém, no dia 5 de junho deste ano a trama completou 20 anos. Portanto, nada mais justo do que comemorar uma data tão emblemática com uma reprise em pleno horário nobre. Outra coincidência feliz seria a reexibição quase na mesma época da reprise de “Mulheres Apaixonadas” (2002) —- outro clássico de Maneco —- no Canal Viva, cuja estreia está marcada para final de agosto. O enredo é repleto de dramas envolventes até hoje lembrados pelos telespectadores, como o câncer de Camila (Carolina Dieckmann). E a ideia de afastamento do público por conta do excesso de sofrimento do roteiro, em virtude ao atual momento conturbado do mundo pela pandemia, não se sustenta. Afinal, quase todos se recordam dos acontecimentos do enredo, assim como os respectivos finais. É verdade que um folhetim inédito agora com grande dose de drama poderia provocar uma rejeição. Mas não uma reprise de um produto tão elogiado.

Dirigida por Ricardo Waddington, a novela conta a história do amor incondicional que uma mãe tem por sua filha. A mãe foi mais uma Helena do autor e interpretada muito bem por Vera Fisher. Já a filha foi a mimada Camila. A trama, ambientada no bairro do Leblon, começa às vésperas do Réveillon de 2000, com um pequeno acidente de trânsito envolvendo a protagonista e Edu (Reynaldo Gianecchini estreando na televisão), um médico recém-formado. Os dois têm uma discussão, mas depois vivem um intenso romance, que sofreu forte rejeição da tia do rapaz (Alma – Marieta Severo) por causa da diferença de idade —- ele era vinte anos mais novo que ela. O início da maior virada se dá com o envolvimento de Edu e Camila. Os vários conflitos entre mãe e filha pelo amor do mesmo homem envolveu o telespectador e o surgimento do câncer provocou outra reviravolta. A sequência da raspagem dos cabelos de Camila, ao som de ‘Love by grace’ (Lara Fabian), entrou para a história da teledramaturgia. Ainda há muitos conflitos atrativos nos núcleos paralelos e uma trilha sonora marcante.

Um dos critérios da Globo é não escolher novelas muito antigas em virtude da qualidade de imagem. Antigamente as imagens não eram em 4K ou 8K e o HD nem existia. Hoje em dia há quatro vezes mais resolução. Por isso alguns folhetins reprisados da década de 90, por exemplo, ficam com enquadramentos ‘mais esticados’ ou com uma nitidez que deixa a desejar. Até na Globoplay é possível observar essas deficiências. Porém, as três novelas citadas não podem ser consideradas tão ultrapassadas e o Viva chegou a reprisar “Laços de Família” com ótima qualidade em 2016. Se a emissora tem o objetivo de presentear o público com três novelas repletas de qualidades e que deixaram uma marca em seus respectivos horários, deveria reprisá-las no segundo semestre deste tão traumático 2020. O telespectador agradeceria. Fica a dica!

SOBRE O AUTOR

SÉRGIO SANTOS é apaixonado por televisão e está sempre de olho nos detalhes, como pode ser visto em seu blog. Contatos podem ser feitos pelo Twitter ou pelo Facebook.



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