Morte de Tom Veiga, intérprete do Louro José, é mais um duro golpe de um cruel 2020 - TV História

Morte de Tom Veiga, intérprete do Louro José, é mais um duro golpe de um cruel 2020

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O primeiro domingo de novembro começou muito mal. Tom Veiga foi encontrado morto em seu apartamento na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Ele tinha 46 anos e não era conhecido pelo seu rosto e, sim, por sua voz. O intérprete de Louro José, grande parceiro de Ana Maria Braga, virou uma figura querida por todos os brasileiros porque conseguiu transformar um fantoche em uma figura quase real e não somente com as crianças. O sucesso era o mesmo com os adultos.

A ideia da criação do Louro veio por acaso, em um congestionamento em São Paulo, em 1997. Ana Maria, na época casada com Carlos Madrulha (que era também seu empresário) queria criar uma ponte entre os desenhos infantis e o seu programa, na época o “Note e Anote”, na Record. Veio durante a conversa com o marido, então, a ideia de aproveitar Tom Veiga, que trabalhava nos bastidores desde 1995 e sempre alegrava a equipe com suas brincadeiras. Assim surgiu o fantoche mais amado do país.

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Tom e Ana Maria Braga trabalharam juntos por 23 anos, sendo 21 só de Globo. Os dois foram contratados pela emissora em 1999 e o sucesso do “Mais Você” estava na química da dupla. A apresentadora sempre o teve como um terceiro filho (Mariana e Pedro são seus filhos biológicos) e impressionava como se entendiam até na forma de falar. Um não brilhava sem o outro e todos os telespectadores sabiam disso. Qualquer fã da Ana também é fã do Louro. Mas como um fantoche conseguiu tamanha admiração?

O talento de Tom era admirável. Transformar um mero boneco em um fenômeno popular não é para qualquer um. Até porque é normal fantoches, desenhos ou produtos similares fazerem sucesso com as crianças, mas virar celebridade entre os adultos só os clássicos personagens da Disney no famoso parque temático Disney World, na Flórida, Estados Unidos, conseguiam. Vários outros programas de culinária tentaram imitar a fórmula de sucesso, mas nunca conseguiram. Até porque o êxito não era a existência do boneco, era o intérprete.

Tom era tão competente que inúmeras vezes precisou assumir o comando do “Mais Você”, após algum contratempo ao vivo de Ana ou então até mesmo uma ausência da apresentadora por razões médicas. E ele conseguia. Tom apresentou o programa sozinho em algumas situações e nunca soou ridículo ou constrangedor. Afinal, um programa para adultos apresentado por um fantoche tinha tudo para ficar constrangedor. Mas Tom não deixava. Seu amor pelo que fazia era tão grande que transformou Louro José em um profissional como qualquer outro. Até os jornalistas da Globo batiam papo com ele em algumas chamadas e não soava patético. Aliás, todos os convidados de Ana (atores, atrizes, cantores, enfim) amavam falar com o Louro e ainda faziam questão de um beijo ou uma foto.

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A última aparição do Louro José foi na sexta-feira passada (30/10), no “Mais Você”, que voltou ao ar no início de outubro, após uma pausa de seis meses por conta da pandemia do novo coronavírus. Tom tinha se separado recentemente e estava abalado com o divórcio. Seu abatimento era visível no programa, mesmo estando atrás de um boneco. Isso porque Louro era o próprio Tom e dava para observar o estado do intérprete pelo seu tom de voz e a quantidade de brincadeiras que fazia com Ana Maria. Aliás, o boneco parecia mesmo ter uma vida própria. Nada mais divertido do que ver o fantoche “brigando” com seu manipulador. Tom era tão brilhante que inventou até essa “rivalidade”. Ana não se aguentava de tanto rir.

A morte de Tom Veiga é mais um duro golpe de um cruel 2020. Que ano doloroso e devastador para tantas pessoas. Que Tom fique em paz e que Ana Maria tenha toda a força do mundo para suportar essa dor. Louro José não conseguia voar. Agora voou.

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