Há 37 anos, mesmo em estado grave, icônica autora quis fazer sua última novela na Globo - TV História

Há 37 anos, mesmo em estado grave, icônica autora quis fazer sua última novela na Globo

Há exatamente 37 anos, em 19 de setembro de 1983, a Rede Globo ressuscitava o horário das dez da noite para novelas especialmente para abrigar Janete Clair, um dos maiores nomes da história da televisão brasileira.

Sofrendo há quatro anos com um câncer no intestino e vendo seu quadro agravado, Janete sabia que aquela seria sua última novela.

Por isso mesmo, pediu para a emissora deixá-la produzir uma história para a faixa das oito, onde se consagrou com sucessos como Irmãos Coragem, Selva de Pedra, Pecado Capital, Pai Herói e muitos outros.

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Mas a Globo sabia da gravidade do estado de saúde da novelista e preferiu não arriscar. Conseguiu convencer Janete a aceitar o horário das dez, que não era usado desde 1977, e, posteriormente, colocou a novata Glória Perez como sua colaboradora.

Nascia, assim, Eu Prometo, que infelizmente não teve a repercussão das novelas anteriores de Janete.

Em foco, a crise na vitoriosa carreira política de Lucas Cantomaia (Francisco Cuoco). Apaixonado por Kelly (Renée de Vielmond), Lucas abandona a esposa, Darlene (Dina Sfat), tornando-se alvo de críticas da opinião pública e de manobras escusas de seu genro e assessor, Albano (Ney Latorraca) – que explora, inclusive, a prisão do irmão de Cantamos, Justo (Marcos Paulo), condenado por homicídio.

Eu Prometo acabou sendo mesmo o último trabalho de Janete Clair, que morreu no dia 16 de novembro de 1983, aos 58 anos. Ela fez até o capítulo 60 da história, que foi assumida por Glória, com supervisão de texto do marido de Janete, Dias Gomes (1922-1999).

Ao projeto Memória Globo, Glória contou que Janete trabalhou até o último minuto. “Ditava o capítulo que cabia a ela e eu apenas anotava. Ela sabia que estava morrendo (…) Como nos encontrávamos todos os dias, fui acompanhando passo a passo aquele piorar. Quando Janete achou que não chegaria ao fim da novela, ela me deu instruções de como queria que a história terminasse (…) todos os desfechos”, explicou.

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“Uma boa novela, muita garra do elenco e da equipe, apesar da morte da autora. Infelizmente a repercussão não atingiu o nível apresentado e a “volta” do horário das dez não surtiu efeito”, resumiu Ismael Fernandes no livro Memória da Telenovela Brasileira.

Uma justa homenagem foi feita no último capítulo da produção, exibido em 17 de fevereiro de 1984.

Foram mostradas imagens da novelista e fotos do elenco ao som da música “Eternamente”, cantada por Gal Costa, além da frase “Eu gostaria que o ser humano acreditasse que existe uma força capaz de mudar sua vida. É bom confiar em si mesmo e esperar um novo amanhecer”, de autoria da Usineira de Sonhos, como era conhecida a autora.



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