Laços de Família: com leucemia, Camila fez público que a odiava sentir compaixão - TV História

Laços de Família: com leucemia, Camila fez público que a odiava sentir compaixão

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Quando a Globo decidiu reprisar Laços de Família, houve uma grande expectativa em torno da reexibição. Afinal, é um dos maiores sucessos de Manoel Carlos e a novela ainda entrou para a história da teledramaturgia com a cena de Camila (Carolina Dieckmann) raspando os cabelos ao som de Love By Grace, cantada por Lara Fabian. A novela apresentou um conjunto de acertos, onde todos núcleos se destacaram positivamente, havendo ainda enlaces dramáticos muito bem estruturados.

Em breve, a emissora vai exibir justamente a emblemática sequência da Camila raspando a cabeça (passou originalmente, inclusive, em 9 de dezembro de 2000, atingindo 53 pontos de audiência).

A cena, como já mencionado, é até hoje lembrada e emocionou mais uma vez, despertando uma comoção nas redes sociais. O momento foi um divisor de águas para Carolina Dieckmann e a longa cena não tem sequer uma frase. É totalmente voltada para o sofrimento da filha de Helena (Vera Fisher), que começa aparentemente conformada, até chorar copiosamente à medida que a máquina zero vai avançando em cima de seus cabelos. Ali, inclusive, ficou claro que o choro da atriz se misturou com da personagem.

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Toda a construção de Manoel Carlos ficou primorosa, conseguindo algo raro: provocar ódio e compaixão por Camila ao longo da história. A filha da protagonista foi logo odiada assim que começou a demonstrar interesse pelo namorado da mãe, principalmente por causa das inúmeras grosserias lançadas em cima de Helena, além do cinismo em negar seu interesse o quanto podia.

A relação conflituosa despertou um envolvimento arrebatador do público na época, proporcionando grandes cenas para Carolina Dieckmann e Vera Fisher. Deborah Secco foi outro destaque fundamental nesse imbróglio, pois a irônica Íris serviu como uma espécie de ‘justiceira’ cada vez que provocava Camila, chamando a ‘inimiga’ de Judas.

E esse folhetinesco drama central fortificou o protagonismo de Helena, expondo a riqueza das nuances da personagem, que alternava fragilidade com uma clara segurança e controle emocional. Foi a Helena mais segura, independente e bem-sucedida do Maneco, sem sombra de dúvidas. Vera Fisher viveu seu melhor momento na carreira e sua atuação foi grandiosa, honrando a confiança do autor.

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Aliás, a personagem se destaca ainda mais durante esse período de sofrimento de Camila, uma vez que todas as mágoas e situações mal resolvidas são deixadas de lado para sempre, cedendo lugar para o amor incondicional de uma mãe – sentimento que nunca acabou, mesmo no auge das brigas, inclusive.

O câncer teve uma dupla função na novela. A traumática doença ‘serviu’ para Camila amadurecer, implicando automaticamente em uma reaproximação da personagem com o público, e ajudou muito a explicar detalhadamente os passos do tratamento contra essa enfermidade que acomete tantas famílias. Todas as explicações do médico eram bastante didáticas, mas não deixaram a trama cansativa, pelo contrário, despertaram interesse em torno de uma temática considerada tão ‘tabu’.

Nenhum outra novela tratou tão bem do câncer quanto Laços de Família, que acabou virando uma referência, obviamente. E a forma como a personagem encarou a situação deixou tudo mais crível, pois momentos de otimismo cediam lugar para instantes de desespero e sofrimento, ou vice-versa. Foi impossível não se envolver ou se identificar de alguma forma com tudo o que estava sendo retratado.

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A virada que a descoberta da doença provocou na história inseriu um fôlego a mais, movimentando todos os núcleos, direta ou indiretamente. A principal reviravolta, inclusive, foi em torno do verdadeiro pai de Camila: o machista Pedro (José Mayer).

Ninguém sabia, até então, sobre esse segredo bem guardado por Helena, mas tudo precisou ser esclarecido quando a filha da protagonista se enche de esperança assim que o médico lhe conta que o irmão do mesmo pai e da mesma mãe tem 30% de chances de ser compatível na doação de medula.

Só que Fred (Luigi Baricelli) não é herdeiro de Pedro e o resultado dá negativo. A situação complicada ainda expõe a maior prova de amor que Helena podia dar: ela engravida de Pedro, atingindo sua relação com Miguel (Tony Ramos), somente para salvar a vida de Camila. E consegue, pois a bebê Vitória se torna compatível, implicando em uma emocionante cena protagonizada por Vera, José e Carolina.

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Embora a novela tenha entrado na fase em que quase tudo gira em torno do câncer da esposa de Edu (Reynaldo Gianecchini), vale mencionar os outros êxitos da trama: o calvário da prostituta Capitu (Giovanna Antonelli irretocável) – que virou a mocinha da história, sofrendo com as ameaças de Orlando (Henrique Pagnoncelli) e Maurinho (Luiz Nicolau) e tendo embates com a mimada Clara (Regiane Alves ótima), esposa de Fred, seu grande amor -; as trapalhadas do galinha Danilo (Alexandre Borges); a arrogância da esnobe Alma (Marieta Severo brilhante) e sua rivalidade com Helena; a relação quente de Pedro e Cintia (Helena Ranaldi); o relacionamento de Miguel com os filhos Paulo (Flávio Silvino) e Ciça (Júlia Feldens); a dificuldade na transa de Viriato (Zé Victor Castiel) e Ivete (Soraya Ravenle); enfim.

Laços de Família foi um dos maiores sucessos de Manoel Carlos e do horário nobre da Globo. Antecipadamente, dá para cravar que a exibição da marcante cena de Camila raspando a cabeça comprovará que o sucesso e a emoção dessa história são atemporais.

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