Inspirações, insegurança e mais: artistas contam curiosidades de Império que pouca gente sabe - TV História

Inspirações, insegurança e mais: artistas contam curiosidades de Império que pouca gente sabe

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Me inspirei em minha irmã“, afirmou Paulo Betti ao comentar a composição de Téo Pereira, o viperino jornalista (“Curuzes!“) da novela Império, de Aguinaldo Silva, de volta no horário nobre da Globo – em “Edição Especial” – a partir dessa segunda-feira, 12.

No papo entre alguns atores do elenco e jornalistas, Paulo Betti estava muito divertido, quase tanto quanto o seu personagem na novela. O ator lembrou que sofreu com as críticas ao exagero e ao tom estereotipado de Téo Pereira. Eu mesmo devo tê-lo criticado à época.

Perguntei quais outras inspirações o ajudaram a compor o personagem. Betti citou os jornalistas Léo Dias e Leão Lobo e o personagem homossexual de Sérgio Mamberti no filme O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla.

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Em meu site Teledramaturgia, assim descrevo Téo Pereira: colunista social maldoso e ferino. Destila todo seu veneno nas notícias que publica em seu blog. Não é muito amante da verdade, por isso de vez em quando apela para fake news, razão dos vários processos a que responde. Persegue figuras públicas e da sociedade. Reencontra um amigo de escola e considera um absurdo o fato de ele não assumir sua opção sexual. Dedica-se, então, a revelar seu segredo.

O principal alvo de Téo é Cláudio Bolgari (José Mayer), figura conhecida na sociedade carioca por seu trabalho como cerimonialista, casado com Beatriz (Suzy Rêgo), mas de caso com o galalau Leonardo (Klebber Toledo). Paulo Betti disse que se divertia muito gravando as caras e bocas de Téo Pereira e que o personagem, a princípio, foi escrito para José Wilker, que faleceu em abril de 2014, quando a novela estava em pré-produção.

Em uma trama paralela alheia à história central da novela, Téo Pereira, a despeito das críticas contra o personagem (nunca contra o ator), foi, sem dúvida, um dos destaques de Império.

Marjorie ficou insegura de voltar à novela

Marjorie Estiano, que viveu a vilã Cora (na juventude, primeira fase), revelou que já havia dado por encerrada a sua participação na novela e trabalhava em um projeto musical, com agendamento de shows, quando foi surpreendida ao ser convocada a voltar à produção. Nem a atriz, nem o público (nem ninguém) poderia imaginar que, para substituir Drica Moraes, que precisou afastar-se por doença, o autor Aguinaldo Silva trouxesse de volta a personagem jovem, mesmo passado tanto tempo na trama.

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Não exatamente a personagem jovem, mas o corpo jovem da personagem. Foi o toque de realismo fantástico do autor, em uma história de proposta realista, que acabou ganhando a mídia e despertando um novo interesse do público pela novela. Marjorie confessou que, a princípio, ficou insegura, mas, depois de uma conversa com Drica Moraes e o apoio do diretor Rogério Gomes, sentiu-se em condições de embarcar na loucura do autor. E tudo deu certo!

Personagem bem mais velho que o ator

Isso não vai dar certo!”, pensou Alexandre Nero quando recebeu a proposta de viver o protagonista de Império – o Comendador José Alfredo de Medeiros. “Porque era um cara mais velho do que eu”, afirmou o ator.

Nero ficou sabendo que viveria o papel primeiro por meio da mídia. Aguinaldo Silva, antes mesmo de convidá-lo para a novela, afirmou para a imprensa que o queria em Império.

Alexandre Nero tinha 44 anos quando fez a novela, ainda não era pai, e achava engraçado ser pai na ficção de Andreia Horta, treze anos mais nova do que ele, e de Caio Blat, dez anos mais novo. Uma das inspirações para o ator interpretar o personagem foi seu próprio pai: “Inclusive as maneiras grosseiras e afetivas”.

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O Comendador José Alfredo, controverso na trama, “um anti-herói”, também dividiu opiniões do público, que farejou pedofilia por causa de seu envolvimento amoroso com a ninfeta Maria Ísis, vivida por Marina Ruy Barbosa, jovenzinha cafetinada pelos próprios pais (Zezé Polessa e Tato Gabus Mendes).

Controvérsias à parte, o Comendador foi o papel mais marcante de Alexandre Nero na TV, um “divisor de águas” na carreira do ator na televisão. Porém, gostei de saber que Nero também guarda com carinho (e até prefere) outro personagem, menos conhecido, de uma novela de menor repercussão: o mau-caráter Gilmar, de Escrito nas Estrelas, produção das 18 horas exibida em 2010.

Império reestreia nesta segunda-feira (12), após o Jornal Nacional. A produção foi vencedora do Emmy Internacional de melhor novela de 2014. Também foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor novela, melhor ator (Alexandre Nero) e melhor atriz (Lília Cabral).

AQUI tem tudo sobre Império: a trama, personagens, elenco completo, trilha sonora, curiosidades de bastidores e muito mais.

SOBRE O AUTOR
Desde criança, Nilson Xavier é um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: no ano de 2000, lançou o site Teledramaturgia, cuja repercussão o levou a publicar, em 2007, o Almanaque da Telenovela Brasileira.

SOBRE A COLUNA
Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.



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