Infarto antes da estreia, convite rejeitado e mais: 10 curiosidades sobre Era Uma Vez - TV História

Infarto antes da estreia, convite rejeitado e mais: 10 curiosidades sobre Era Uma Vez

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A partir dessa segunda-feira (4), está de volta no canal Viva a novela Era uma Vez – de Walther Negrão, com direção de núcleo de Jorge Fernando -, às 12h30, com reapresentação à 1h15. Relaciono 10 curiosidades sobre essa estreia.

1 – Legião de fãs

Era uma Vez foi originalmente exibida entre março e outubro de 1998, na faixa das seis, e teve um único repeteco, no Vale a Pena Ver de Novo, em 2007. Considerando o tempo em que foi exibida, a novela hoje tem uma legião de fãs, que solicitavam sua reprise, majoritariamente formada por adultos que foram crianças quando apresentada pela primeira vez, em 1998.

2 – Novo horário

A escolha do Viva por Era uma Vez abre um novo horário de novelas no canal (12h30), mais leves, de pegada jovem, infantojuvenil ou mais romântica. Não foi a primeira: o Viva já exibiu, em 2019, às 11h45, a novela Estrela-Guia.

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3 – Referências infantojuvenis

A trama era voltada basicamente ao público infantojuvenil e às aventuras das crianças, lideradas por quatro atores mirins: Luiza Curvo (Glorinha), Alexandre Lemos (Zé Maria), Alessandra Aguiar (Marizé) e Pedro Agum (Fafá). Era uma Vez tinha inspiração ou fazia referência a clássicos da literatura e cinema, como “Pinóquio“, “A Noviça Rebelde” e “O Mágico de Oz“.

Drica Moraes destacou-se como a protagonista Madalena, baseada na noviça rebelde, imortalizada no cinema por Julie Andrews. Já Elias Gleizer vivia o avô bondoso e bonachão Pepe (muito próximo do Gepeto), à volta com crianças, um tipo que marcou a sua carreira (já visto em novelas como Despedida de Solteiro e Sonho Meu).

4 – Infarto

Pouco antes da estreia, o autor Walther Negrão sofreu um infarto – o que não chegou a prejudicar a produção porque a novela tinha uma frente de trinta capítulos escritos. “Fiquei convalescendo durante quinze dias e voltei à ativa“, disse Negrão ao livro “A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo” (de André Bernardo e Cíntia Lopes).

5 – Paulo Autran

O primeiro ator convidado para interpretar o avô rabugento, Xistus, foi Paulo Autran, que não aceitou o convite. Walther Negrão teve então que fazer uma alteração no personagem por causa da escalação de Cláudio Marzo para o papel, um ator mais jovem que Autran. O autor revelou ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia” (do Projeto Memória Globo):

A história seria outra porque o primeiro ator pensado para o papel do avô durão era o Paulo Autran. Mas ele não pôde fazer. Foi muito simpático e me ligou pedindo desculpas e agradecendo o convite. Quando optamos por Cláudio Marzo, eu mudei a história. Ele era muito mais novo e ainda tinha um forte apelo sensual de galã de 50 anos. E o velho durão, que era para ser um grande vilão, de ranzinza acabou doce, a partir da convivência com as crianças e com os personagens Madalena e Maneco Dionísio“.

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6 – Trilha sonora

A música tema de abertura, gravada por Sandy & Júnior e Toquinho, tornou-se um sucesso do repertório dos cantores e até hoje é associada à novela (do tempo em que as músicas ainda ficavam marcadas pelas novelas em que tocavam).

Outros sucessos foram “No Seu Lugar” (Kid Abelha), tema de Emilia (Deborah Secco) e das vinhetas de intervalo; “Um Sonhador” (Leandro & Leonardo); “Puro Êxtase” (Barão Vermelho), “Terra do Nunca” (Angélica), tema das crianças; e “Madalena” (Banda Eva), tema da protagonista.

Da trilha internacional, os hitsMy Oh My” (Aqua), “The Way” (Fastaball), “I Saw the Light” (Lori Carson), “Show me Love” (Robyn), “Never Ever” (All Saints), “Dreams” (The Corrs) e uma versão de “Bitter Sweet Symphony” (Orion Storm).

7 – Atores

Primeira novela do então ex-paquito Claudio Heinrich, egresso da Malhação. Myrian Rios retornava às novelas depois dez anos afastada (a última havia sido Bambolê, em 1988), mas ela havia feito outros trabalhos, como a minissérie Irmã Catarina, produzida pela CNT. Sura Berditchevsky acumulou na novela a função de atriz e diretora do núcleo infantil da trama, já que, à época, era a coach preparadora do elenco mirim da emissora.

8 – Shazan e Xerife

A dupla Shazan e Xerife (Paulo José e Flávio Migliaccio) – personagens criados por Negrão em 1972 para a novela O Primeiro Amor – fez uma participação especial no capítulo 157 de Era uma Vez, relembrando os tempos do seriado Shazan, Xerife e Companhia (1972-1974), criado a partir de O Primeiro Amor.

Maneco Dionísio (Antônio Calloni) pega uma carona até o armazém de Dona Santa (Nair Bello) na “camicleta” da dupla – uma espécie de automóvel cheio de geringonças acopladas. Era uma homenagem do autor aos 25 anos da criação dos personagens.

9 – Locações e cenário

A história se passava em Nova Esperança, fictícia cidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina – para onde a equipe viajou com a tarefa de gravar as cenas que mostravam o arrozal de Pepe (Elias Gleizer). Algumas sequências do primeiro capítulo foram gravadas em Barcelona, na Espanha, com Maneco Dionísio (Antônio Calloni) e Madalena (Drica Moraes).

Para a fachada da mansão de Xistus (Cláudio Marzo), foi usada a Casa do Ipiranga, em Petrópolis (RJ), também conhecida como Mansão Tavares Guerra e Casa dos Sete Erros. Essa mesma construção já havia sido usada na novela Direito de Amar (1987), em que serviu de fachada para a mansão do Sr. de Montserrat (Carlos Vereza). Voltou a ser vista na novela Esplendor (2000), como a mansão de Frederico Berger (Floriano Peixoto).

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10 – Figurinos e caracterizações

A elegância expressa no figurino de Cláudio Marzo, intérprete de Xistus, foi resultado de uma pesquisa sobre o Duque de Windsor (tio da Rainha Elizabeth II que abdicou do trono inglês). Já o figurino de Maneco Dionísio (Antônio Calloni), foi inspirado no estilo do artista grafiteiro americano Jean-Michel Basquiat. O nome Maneco Dionísio era uma referência à Escola Municipal Maneco Dionísio, em Avaré (SP), onde Walther Negrão estudou.

Fotos: Acervo/TV Globo

SOBRE O AUTOR
Desde criança, Nilson Xavier é um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: no ano de 2000, lançou o site Teledramaturgia, cuja repercussão o levou a publicar, em 2007, o Almanaque da Telenovela Brasileira.

SOBRE A COLUNA
Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.



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