Há 34 anos, novela das sete da Globo dava mais Ibope que fracassado remake das oito - TV História

Há 34 anos, novela das sete da Globo dava mais Ibope que fracassado remake das oito

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“Se disserem que tem novela de sucesso fora da Globo, é cambalacho”. Com esse trocadilho, a Rede Globo comemorava, em 1986, o sucesso de Cambalacho, de Silvio de Abreu. A trama, até hoje, é uma das novelas das sete mais vistas da história da emissora, chegando a vencer a produção do principal horário, Selva de Pedra, fato repetido, por exemplo, por Brega & Chique, em 1987, e I Love Paraisópolis, em 2015, entre outras.

A novela estreou no dia 10 de março de 1986, sucedendo outra bem-sucedida trama, Ti-Ti-Ti. Centrada nos trambiques feitos por Naná (Fernanda Montenegro) e Jejê (Gianfrancesco Guarnieri) e com elenco de peso, com nomes como Natália do Vale, Susana Vieira, Cláudio Marzo e Mário Lago, logo caiu nas graças do público e alcançou excelentes resultados.

Em anúncio publicado no jornal O Globo de 15 de junho daquele ano, a Globo destacava que suas novelas e minisséries eram as mais vistas do Brasil.

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No Rio de Janeiro, no mês de maio, Cambalacho liderou com 91,1% de participação sobre o total de aparelhos ligados, enquanto o remake de Selva de Pedra, que ocupava o horário das oito, ficava com 83,9%. A novela das seis, Sinhá Moça, tinha 83,5%.

Já em São Paulo, no mesmo período, Cambalacho alcançava 84,4% de share, enquanto Selva de Pedra ficava com 81,3% e Sinhá Moça tinha 74,9%.

Clima

Cambalacho deixou boa impressão na crítica logo em seus primeiros capítulos. Em sua coluna no jornal O Globo de 16 de março de 1986, Artur da Távola destacou que Silvio de Abreu começava a caracterizar um estilo próprio de telenovela das sete.

“Existe um clima Silvio de Abreu. A estrutura desta novela é exatamente a mesma das anteriores. (…) Abreu já incendiou o vídeo com as peripécias gozadíssimas de seus personagens que já entram em cena aquecidos e (seu grande mérito) de imediato definidos. Fernanda Montenegro aos tapas com Consuelo Leandro foi sensacional. Outra curiosidade é ver o amargo e denso Cláudio Marzo, ator introvertido intenso, a fazer comédia. Deve dar certo pelo contraste”, definiu.

“Diferentemente de Selva de Pedra, Cambalacho, pode-se dizer que foi uma estreia sensacional. Silvio de Abreu descobriu a fórmula”, completou.

Além da destacada atuação de Fernanda Montenegro, Cambalacho ficou marcada pela dupla formada por Tina Pepper (Regina Casé) e sua mãe, Lili Bolero (Consuelo Leandro). Impagáveis, logo nos primeiros capítulos já se tornaram as queridinhas do público.

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“Regina Casé já está dando os seus bailes de interpretação”, disse Artur da Távola na coluna citada acima. “Entre os momentos mais aguardados de Cambalacho estão as intervenções de Consuelo Leandro e Regina Casé; elas dominam, à margem de qualquer variável, a técnica de arrancar risadas através da comicidade explícita”, afirmou Nelson Pujol Yamamoto na Folha de S. Paulo de 27 de março de 1986. O crítico destacou que, se acertasse pequenos detalhes, como cenas caóticas na casa de Naná e suas crianças adotadas, a trama poderia se tornar “memorável”.

Cambalacho ficou no ar até 4 de outubro de 1986, dando lugar a Hipertensão. Entre 2015 e 2016, foi exibida pelo canal Viva e, em breve, poderá ser revista no Globoplay por quem acompanhou originalmente ou se tornar conhecida por essa geração que só tinha ouvido falar do sucesso que a novela fez.



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