Globo apelou para segurar A Praça é Nossa, mas se arrependeu

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Em maio de 1987, o SBT colocou no ar A Praça é Nossa, que, instantaneamente, tornou-se um grande sucesso de audiência, batendo a Globo no Ibope e trazendo dor de cabeça para os diretores da emissora, que tentaram de tudo para frear a turma de Carlos Alberto de Nóbrega.

Carlos Alberto de Nóbrega

O seriado Tarcísio e Gloria, estrelado pelo Casal 20 das novelas, não deu resultado. Até a Tela Quente mudou de dia, sendo exibida às quintas-feiras, tal qual ‘A Praça’. Mesmo apostando em Indiana Jones (Harrison Ford), a sessão se deu mal: o programa do SBT levou a melhor.

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Realidade e ficção contra o humor

Walter Avancini

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A aposta foi reeditar o Caso Especial. Coube ao diretor Walter Avancini (foto) a elaboração de um programa “diferente”, intitulado A Garota da Capa. A atração misturava realidade com ficção, uma vez que mostrava com cenas e depoimentos verídicos a dura vida das modelos, apostando na beleza das mulheres e na nudez – uma tentativa de atrair o público masculino.

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Para estrelar a produção, 15 modelos que já tinham pousado nuas. Elas participavam de um desfile em que um júri composto de celebridades, como o colunista Zózimo Barrozo do Amaral, a socialite Regina Marcondes Ferraz, o empresário da noite Ricardo Amaral e a ex-modelo Luiza Brunet, escolheria a garota da capa.

Globo de Ouro

O espetáculo era comandado por Cesar Filho, que, na época, apresentava o musical Globo de Ouro. O desfile era intercalado por depoimentos reais de modelos e fotógrafos, que abordavam temas, como drogas, abusos e corrupção.

“Há dois aspectos fortes na revelação deste mundo. Um é o envolvimento direto da burguesia política e rural. Brasília está na história de todas as garotas de capa. Outro é o lado das que nem sequer chegam à capa, têm vida curta e se envolvem com drogas e prostituição mal remunerada”, adiantou Avancini ao Jornal do Brasil.

Algumas modelos que fizeram parte do especial se tornaram famosas, como Edna Velho, Josi Campos e Andréia Veiga. A porção fictícia do programa incluía o marido ciumento de uma das modelos, interpretado por Silvio Pozzato, que sofria um acesso de raiva ao ver a esposa desfilando na TV e partia, atordoado, para o evento Garota da Capa.

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Realismo ao extremo

A Praça é Nossa - Edna Velho

Nas cenas seguintes, o marido em questão invadia o desfile e apontava a arma para sua esposa – interpretada por Edna Velho (foto) –, mas acabava cometendo suicídio com um tiro na cabeça. Quando foi feita a gravação, os espectadores e o júri não sabiam do roteiro. Os presentes entraram em desespero, o que provocou um grande tumulto e instalou mais realismo no especial.

Com o fim dos trabalhos, o programa foi finalizado para ir ao ar. No entanto, a emissora preferiu segurar mais um pouco, pois A Praça é Nossa seguia com ótimos índices de audiência.

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Um produto fora do padrão de qualidade

Boni

Muito se falava, porém, sobre o “conteúdo questionável” do especial, distante do famoso “padrão Globo de qualidade”. A Garota da Capa abusava das cenas de nudez e de violência. A imprensa noticiou que, por este motivo, o programa foi engavetado numa decisão de Boni (foto), então vice-presidente de Operações.

“Não há censura interna neste caso e este tipo de alegação tem servido apenas como defesa para problemas reais de avaliação. É uma avaliação, antes de tudo, do formato do programa, e eu respeito muito a opinião de Boni, um profissional, em termos ideais, muito experimentado”, afirmou Avancini ao Jornal do Brasil.

Posteriormente, em uma reunião entre Boni e Walter Avancini, ficou decidido que o programa iria ao ar até o final de 1988 e, dependendo do resultado, poderia virar uma série para a programação do ano seguinte.

A Garota da Capa foi ao ar no dia 3 de novembro de 1988, bateu 55 pontos de audiência e deixou o humorístico do SBT em segundo lugar. Mesmo com o recorde, o programa nunca mais foi exibido e o projeto de série foi esquecido.

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