Globo acertou em optar por Pantanal para levantar o horário nobre

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Nilson Xavier

Semana #7

Sábia a decisão da Globo em optar pelo remake de uma novela de forte apelo saudosista para levantar o moral de seu horário nobre depois de dois longos anos de pandemia (que resultou em uma grande fuga de espectadores).

Outro bom motivo para a escolha de Pantanal é o fato de sua história já ter sido testada. Ou seja, o público já sabe o que está por vir, a trama já foi aprovada, logo, abre-se mão das pesquisas de opinião para testar a aderência do público.

Isso permite que (por ainda estarmos na pandemia) se avance nas gravações sem medo de rejeição da audiência. Na semana que passou, foram noticiadas as gravações de alguns desfechos da história.

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Véii du Rio

Pantanal

O que mais gosto na novela são as cenas em que Juma se transforma em onça, ou quando a onça Maria Marruá toca o terror, e as cenas com o Velho do Rio.

Osmar Prado, aliás, está fantástico. A caracterização é incrível, suas cenas tem uma majestade, uma solenidade encantadora.

Ainda o texto do personagem, sábio, cheio de metáforas, mas dito de uma forma simples e acolhedora. 10 para o ator e 10 para o texto!

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A seguir…

Pantanal

As cenas dos próximos capítulos surgiram modernizadas em Pantanal e têm sido um recurso útil para o autor. A novela anda finalizando capítulos com ganchos mornos. Porém, o suspense pelo que está por vir pode ser acionado nos extratos dos capítulos seguintes.

Zé Lucas de Nada (a volta de Irandhir Santos) foi mostrado pela primeira vez nas “cenas do próximo capítulo” de sexta-feira, capítulo este que teve um desfecho desinteressante.  A aparição do novo personagem gerou burburinho nas redes sociais.

Aguçar a curiosidade do público nas cenas do próximo capítulo é uma forma original de gerar gancho quando o gancho do dia foi fraco.

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Dicotomia

Pantanal

Bonita a sequência em que Juma tenta ensinar Jove a perder medo do cavalo. Diante da negação dele, ela desiste e vai embora a galope, fazendo-o correr atrás dela.

Em outra situação, Juma fala para o amado:

“Você acha que eu preciso de alguém pra me proteger? Preciso de alguém pra me ajudar na lida, disso que preciso!”.

A novela aborda, de forma sutil, a dicotomia masculino-feminino, mas invertendo os papeis. Jove, perante as amarras sociais, representa o feminino, enquanto Juma, forte e bruta, tem apelo masculino.

Também gosto do quanto Juma é pouco racional, como os animais não são racionais. Juma age por impulso, por instinto. Humana, é movida pela emoção, não espera para pensar, racionalizar.

Enquanto Jove tenta racionalizar tudo: sua vida, seu lugar no mundo, sua relação com Juma.

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Filho de peixe

Pantanal

Não só Madeleine ficou amarga com o passar dos anos. Zé Leôncio também. Vive bebendo e reclamando dos filhos, Jove e Tadeu.

Ou remoendo sobre o Velho do Rio e sobre o pai que sumiu há décadas. Ou mesmo sobre sua relação com Madeleine, no passado.

É um homem rico e amargurado que despeja nos filhos suas frustrações, esperando de um algo que ele não pode cumprir, ao passo que rejeita o que o outro tem para oferecer. É um pai tóxico.

OK, não tem sido fácil lidar com Jove. Mas parece que o filho saiu ao pai.

Referências

Pantanal

No capítulo de quinta-feira, houve uma longa sequência com Tenório remoendo problemas com seus negócios, dando a entender que são escusos.

Em cenas de lembrança, o personagem conversa ao telefone com um delegado, depois com um deputado, faz ameaças, recebe ameaças, fala sobre transferências e depósitos de dinheiro, que a Polícia Federal “está no cangote”, e quebra 2 celulares.

Detalhe para a frase: “Iam fazer dele um mártir, como fizeram com aquela outra lá“.

AQUELA OUTRA LÁ. Pescou a referência?

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Duelo de violas

Pantanal

No capítulo de segunda-feira, a novela dedicou quase 5 minutos ininterruptos a um belo duelo de violas entre os personagens Eugênio e Trindade, vividos por Almir Sater e seu filho Gabriel.

A cumplicidade em cena, os olhares e a destreza dos dedos nos instrumentos renderam um belo espetáculo.

Uma pausa nos dramas de Pantanal e um mimo para os espectadores.

Doença moderna

Pantanal

A personagem Naiara, vivida por Victória Rossetti, rendeu nessa semana. No capítulo de segunda, ela foi à mansão conhecer Juma. Após uma discussão, Juma a empurrou na piscina.

Na sexta-feira, Naiara foi dispensada por Madeleine, feito uma roupa que não se quer mais. Fiquei com dó!

Naiara é chata, muitos reclamam. De autoestima baixa, tenta compensar o vazio de sua vida vivendo uma fantasia transmitida nas redes sociais.

É o retrato de uma doença moderna, que atinge um número enorme de pessoas e ainda é difícil de ser mensurada.

A própria Madeleine sofre desse mal. Aliás, Naiara é uma Madeleine, só que mais jovem.

Núcleo do Rio

Pantanal

Juma no Rio era como um passarinho na gaiola. Rendeu sua ida para a cidade grande, mas ela não estava feliz.

Muitos não gostam do núcleo do Rio. Acho importante na trama, tanto para o perfil de Jove quanto para Zé Leôncio, que, por causa, do filho, ainda tem laços com a família de Madeleine.

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