Gênesis: efeitos especiais fakes divertem, mas teleculto atrapalha - TV História

Gênesis: efeitos especiais fakes divertem, mas teleculto atrapalha

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Curti a estreia da novela Gênesis, a nova “superprodução bíblica” da Record TV, nesta terça (19). Foi tudo tão colorido e fake que ficou divertido!

O primeiro capítulo foge de tudo o que vimos nas produções anteriores da casa. A emissora vendeu sua nova trama bíblica com uma pegada mais pop, a fim de abocanhar um público mais amplo e órfão de novelas inéditas na concorrência.

As representações da criação do mundo, Lúcifer, Adão e Eva, o Jardim do Éden, a serpente e o fruto proibido remetem ao que é produzido na atualidade: quase nada do que se viu de cenários ou elementos de cena é real, a não ser os atores. Tudo assumidamente computação gráfica.

E muitos efeitos fakes, como os movimentos mecânicos dos animais (virtuais, mas feitos para parecerem mecânicos) e a desproporção quando eles interagem com os atores.

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Sabe quando o fake proposital fica bom?

Quando fica claro que é animação e que não se pretende fingir que é real. Isso remete ao live-action do Rei Leão, por exemplo (guardadas as devidas proporções, logicamente).

Achei interessante mostrar dinossauros, sempre muito controversos dentro das religiões. Mas é claro, foi apenas uma alegoria. Logicamente não existe a menor intenção de discutir qualquer teoria evolucionista.

Do elenco de quatro atores – Igor Rickly como Lúcifer, Carlo Porto como Adão, Juliana Boller como Eva e Flávio Galvão como a voz de Deus – Juliana Boller, ótima atriz, destacou-se.

A Record também vendeu Gênesis como uma novela musical, em que alguns atores cantam e dançam. Na apresentação especial no Domingo Espetacular, foi exibido um clipe muito bom com Adriana Garambone cantando. Nesta estreia, vimos Lúcifer soltando a voz. O musical também é para diferenciar das produções anteriores e atrair mais público além dos fieis das novelas bíblicas.

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Porém, legenda nas músicas gospel da trilha sonora só servem para deixar a novela com cara de teleculto, o que, definitivamente, é um tiro no pé. A audiência mais ampla que a Record pretende abocanhar não vai querer ver uma novela culto.

PS1: A serpente (ou lagarto) parece um pokemon. Deve ser para fisgar o público jovem.

PS2: Flávio Galvão hoje é Deus, mas já foi um falso profeta na novela Apocalipse e o próprio capeta na novela Corpo a Corpo, da Globo, 36 anos atrás.

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PS3: Existe apenas uma representação da Torre de Babel? Pergunto porque a que apareceu na abertura de Genesis é praticamente a mesma da abertura da novela Torre de Babel da Globo (1998). Mesmos takes inclusive.

SOBRE O AUTOR
Desde criança, Nilson Xavier é um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: no ano de 2000, lançou o site Teledramaturgia, cuja repercussão o levou a publicar, em 2007, o Almanaque da Telenovela Brasileira.

SOBRE A COLUNA
Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.



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