Galã da Globo que virou ambulante garante não ter saudade das novelas

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Mário Gomes nasceu no dia 11 de dezembro de 1952, no Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira na televisão em 1970, em A Mansão dos Vampiros, nos últimos suspiros da TV Excelsior.

Mario Gomes

Em seguida, entrou na Globo, onde ficou por vários anos. Galã nos anos 1970 e 1980, participou de tramas como Gabriela (1975), Duas Vidas (1976), Anjo Mau (1976) e Jogo da Vida (1982).

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Além do Dino César de Duas Vidas, teve papeis de destaque em tramas como Guerra dos Sexos (1983), quando viveu Nando, e Vereda Tropical (1984), na pele do jogador de futebol Luca.

Depois disso, esteve em Top Model (1990), Lua Cheia de Amor (1990), Perigosas Peruas (1992), Olho no Olho (1993), Quatro por Quatro (1994) e Vira Lata (1996).

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Ainda participou de Zazá (1997), Vila Madalena (1999), Uga Uga (2000), Desejos de Mulher (2002), Kubanacan (2003) e Bang Bang (2006).

A partir daí, teve menos papeis, sendo o último de destaque o Gurgel, de A Favorita (2008), recentemente disponibilizada no Globoplay.

Foi para a Record, onde fez Poder Paralelo (2009), Vidas em Jogo (2011) e Pecado Mortal (2013).

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Vendedor na praia

Afastado da televisão durante algum tempo, o ator não conseguiu ficar parado: uma das suas ocupações foi vender sanduíches na praia, no Rio de Janeiro, fato que chamou atenção da mídia.

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“Eu sou muito ativo, não consigo ficar parado: construo móveis, pinto quadro, faço obras para colocar na minha casa”, diz ele para explicar que sua barraquinha de hambúrgueres na praia da Joatinga, no Rio de Janeiro, “é fruto também dessa inquietação”, destacou Mário em entrevista ao Gshow, em 2018.

Nesse mesmo ano, aliás, ele voltou à Globo, convidado para uma participação especial em Tempo de Amar, interpretando Eleutério.

O ator ficou emocionado ao pisar novamente nos Estúdios Globo.

“Aqui eu fiz os maiores sucessos da minha vida, aqui eu comecei. Chego até a me emocionar. Não esperava que fosse voltar”, enfatizou.

Atualmente com 69 anos, Mário ampliou seu negócio de alimentação: abriu um trailer na praia, chamado X do Gomes, onde vende, além de lanches, produtos como açaí e croissants. A família dele também participa do atendimento.

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“Gosto de fazer, mas estou tranquilo, curtindo muito essa fase atual da minha vida. Ser ator parece fácil, mas é puxado”, declarou em entrevista à Sônia Abrão.

Em 2019, o ator foi diagnostico com câncer de próstata, mas iniciou o tratamento imediatamente.

“Tive um tumor na próstata sete anos atrás e, em março, farei novos exames para ver como estão as taxas. Se eu fizer três seguidos e elas se mantiverem elevadas, aí sim terei que começar um novo tratamento. Quem teve câncer uma vez tem que estar em vigilância sempre. Existe a necessidade de monitorar”, explicou à coluna de Patrícia Kogut no jornal O Globo no início de 2020.

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A história da cenoura

Em 1977, Mário Gomes estava no auge do sucesso como ator. Era protagonista da novela das oito da Rede Globo do momento, Duas Vidas, como o aspirante a cantor Dino César. Chegou a gravar um disco lançado pela Som Livre, e estrelou a adaptação do romance de Aluísio Azevedo para o cinema, O Cortiço, dirigido por Francisco Ramalho Jr, ao lado de então, sua namorada Betty Faria, que também atuava na novela.

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Tudo estava indo bem quando uma fofoca armada por Carlos Imperial quase enterrou de vez sua carreira. O ator havia se envolvido em uma confusão com o apresentador e diretor algum tempo antes, por causa do filme O Sexo das Bonecas, cujo lançamento tentou proibir na Justiça.

No filme Eu sou Carlos Imperial, de Renato Terra e Ricardo Calil, em dos depoimentos dados para o documentário sobre a vida e carreira de Carlos Imperial, um dos entrevistados fala como ocorreu o boato que Imperial implantou no tabloide Luta Democrática. “O cara ganhou o pior inimigo na face da Terra. Um dia, ele (Imperial) me ligou na madrugada e pediu que fosse a casa dele. Ele me pediu que entregasse um envelope na Luta Democrática. Esse seria o troco pro Mario Gomes”.

O envelope trazia uma “fake news”, termo que hoje é bastante popular para designar falsas notícias que percorrem a Internet e as principais redes sociais, mas que abalaria as estruturas do mundo dos famosos. A notícia que foi publicada na primeira página do jornal, na edição do dia 24 de março de 1977, foi um escândalo: “Galã na maternidade em busca de socorro”.

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Segundo a matéria sensacionalista, o ator Mário Gomes havia dado entrada na Maternidade Fernão de Magalhães com uma cenoura entalada num local absolutamente invisível.

“O ator Mário Gomes, o másculo galã de “Duas Vidas”, apontado como responsável pela separação entre Daniel Filho e Betty Faria, procurou a Maternidade para medicar – se de uma insólita ocorrência. Estava entalado com uma cenoura, em local absolutamente invisível. O tubérculo, como foi registrado na ficha de atendimento, fora ali alojado pelo próprio, num momento de incontido desejo de satisfação pessoal. Para a extração, Mario Gomes teve de ser anestesiado”.

A notícia plantada por Imperial fez da vida de Mário um verdadeiro inferno. A princípio, ele estava envolvido no olho do furacão, como pivô da separação do casal Betty e Daniel e, agora, sendo caluniado de uma forma covarde e até criminosa.

No dia 27 de junho de 1977, o juiz da 15ª Vara Cível, do Rio de Janeiro condenou o jornal a lhe pagar cem salários mínimos, como indenização pelos danos morais sofridos em sucessivas publicações consideradas injuriosas e difamatórias.

Na sentença favorável ao ator, o juiz declarou que havia a intenção malévola de ser fornecido ao publico o sabor da ridícula jocosidade à custa da honra alheia. Os argumentos da defesa confirmam essa irresponsabilidade do que a imprevisão em estar sendo divulgado fato possível de chocante e contundente interpretação, sendo violados os direitos da personalidade na intimidade e na honra.

“De uma hora para outra, fui abatido com essa intriga e envolvido num desagradável noticiário de repercussão nacional. Cheguei a emagrecer muito. Foi um sofrimento incrível. É claro que muita gente me ajudou a recuperar, mas a barra foi muito dura. Eu me sentia muito desanimado, envergonhado e humilhado. Agora, meu ânimo começa a mudar. A verdade venceu e eu estou disposto a continuar lutando. Para que nenhum colega sofra momentos de desespero iguais aos que passei”.

Após toda essa celeuma, Betty Faria e Mário Gomes ainda atuaram juntos no cinema e continuaram o namoro, até terminarem no outono de 1978.



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