Fracasso da reprise de Pega Pega corrige uma injustiça do passado - TV História

Fracasso da reprise de Pega Pega corrige uma injustiça do passado

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Após algumas turbulências, a Globo teve um período de calmaria nos primeiros meses de 2017, pelo menos em relação ao Ibope. Na época, algumas tramas mereceram a boa audiência, como Malhação – Viva a Diferença, Novo Mundo e A Força do Querer. Mas este não foi o caso de Pega Pega, reapresentada atualmente em edição especial.

A novela das sete nunca fez jus aos elevados índices que marcou, comprovando, mais uma vez, que nem sempre audiência e qualidade caminham juntas. O fracasso de sua reprise em 2021 corrige essa injustiça.

Antes mesmo da estreia da exibição original, a desconfiança já ficou plantada em virtude das chamadas pouco convidativas e do enredo limitado. Será que um drama baseado no roubo milionário de um hotel conseguiria se sustentar por tantos meses? A resposta: não.

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Por sinal, não conseguiu manter o interesse nem por um mês. A estreante autora Cláudia Souto criou uma situação aparentemente atrativa, mas não soube desenrolá-la e nem criar núcleos paralelos que ajudassem a sustentar o conjunto ao longo dos meses.

Malagueta (Marcelo Serrado), Júlio (Thiago Martins), Agnaldo (João Baldasserini) e Sandra Helena (Nanda Costa) roubaram 40 milhões da venda do Hotel Carioca Palace e, desde então, quase nada de relevante aconteceu na novela, que seguiu sem maiores conflitos ou situações convidativas, com exceção da chegada de Arlete (Elizabeth Savalla), que, ao menos, deu um pequeno fôlego ao núcleo central.

Para culminar, os dois casais ditos principais são bastante equivocados. Luiza (Camila Queiroz) e Eric (Mateus Solano) são perfis insossos e o par não tem a mínima a química. Os atores nem têm culpa, pois são talentosos. O problema foi a construção rápida demais do romance e a falta de densidade dos personagens.

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A relação do sofrido (e irritante) Júlio com a policial Antônia (Vanessa Giácomo, sempre bem) foi mais uma que não empolgou em virtude do contexto bobo, onde o mocinho fazia cara de triste o tempo todo porque cometeu um crime e se arrepende, enquanto a investigadora bancava a adolescente deslumbrada quando estava com ele, mesmo depois de ter se decepcionado com a descoberta do crime do rapaz.

As demais situações da novela também mereceram críticas, como o pouco aproveitamento de atores talentosos, vide Milton Gonçalves, Ângela Vieira, Reginaldo Faria, Nicette Bruno, Cristina Pereira, entre outros figurantes de luxo.

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Até mesmo a promissora vilã Maria Pia (ótima Mariana Santos) se perdeu no contexto por causa da ausência de função. A interesseira protagonizou cenas repetitivas, se lamentando por Eric e reclamando de Luiza. Até sumiu por um tempo da produção porque a fiel escudeira do empresário viajou.

A única personagem que seguiu despertando algum interesse foi Sandra Helena, que ficou rica após receber a herança de uma hóspede do hotel que a adorava (vivida por Camila Amado). A periguete praticamente carregou a trama nas costas, destacando Nanda, totalmente à vontade nas cenas.

Pega Pega foi uma produção de sucesso no quesito audiência, obtendo em torno de 30 pontos, mas se mostrou limitada dramaturgicamente. Classificá-la como obra péssima seria injusto, pois existem algumas qualidades, citadas anteriormente.

Porém, está longe de ser boa ou merecedora de índices tão altos. As fragilidades se sobressaem bastante. A novela não ficou marcada e rapidamente foi esquecida pelo público em virtude da falta de conflitos chamativos, bons dramas e situações que despertem a atenção do telespectador – tanto que muita gente chiou quando a Globo anunciou a reprise em virtude da pandemia de Covid-19, com outras tramas mais interessantes à disposição.

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