Final de A Viagem: ótima novela, mesmo com barriga e vários personagens e tramas desnecessários - TV História

Final de A Viagem: ótima novela, mesmo com barriga e vários personagens e tramas desnecessários

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A Viagem – Semana #28

A novela finalmente chegou ao fim. Foram 28 longas semanas de muita emoção e enrolação. Vamos aos destaques dos seis derradeiros capítulos e à conclusão.

– Achei o final de Raul justo, ainda que ele tivesse sido extremamente egoísta, ególatra, machista e misógino ao imputar à mulher a “culpa” de não gerar filhos. Seguindo o conselho de Alberto, Raul criou o filho de Andreza e Antônio como se seu fosse. Bonito esse desfecho. A criança, logicamente, nada tem a ver com isso, porém, se Raul não tivesse criado essa situação, ele não amargaria esse estigma. Bem feito! E que crie bem a criança.

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– Antônio casou-se com Margarida, mas nada de cenas desse desfecho dos personagens, apenas, de repente, apareceram com trigêmeos! A teledramaturgia brasileira tem uma verdadeira obsessão por trigêmeos e quádruplos em últimos capítulos de novelas.

– Muito bonito o entrecho sobre o impasse de Maroca em morar com Téo e Lisa ou com os filhos Raul e Estela. Diná explica para Estela que a mãe, na realidade, queria ficar com os filhos, mas queria vê-los insistindo para que ficasse com eles, para que se sentisse acolhida.

A cena de Téo tentando pentear os cabelos de Maroca foi bonitinha. Aliás, isso é muito Ivani Ribeiro: a filha que penteia o cabelo da mãe e o pai que engraxa os sapatos dos filhos.

– No último capítulo, outra das melhores cenas da novela: Diná recebe a mãe no Nosso Lar.

– A menina que conversa com o espírito da mãe (Patty e Diná) lembra a trama de qual novela? Isso mesmo, Papai Coração e Carinha de Anjo (que são a mesma história).

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– Paulinho desceu à Terra e retornou triste com o que viu, narrando que o mundo que ele viveu não era mais o mesmo. Na versão de 1975, esse entrecho é mais impactante. O personagem equivalente se chama Zé Luiz, vivido pelo ator Régis Monteiro, irmão de Natália (Eudóxia Acuña), com ótimas cenas perambulando pelo caos da cidade de São Paulo e sofrendo por isso. Tem um trechinho no YouTube.

– Maravilhosa a participação do ator, diretor e dramaturgo Ronaldo Ciambroni, como um comparsa de Ismael que o resgata do hospital travestido de avó do personagem. Um dos poucos trabalhos de Ciambroni na Globo. Ele foi roteirista de novelas (como Antônio Alves Taxista e Canoa do Bagre), de programas (como Ô Coitado e Meu Cunhado) e de infantis (como Vila Sésamo e Clube da Criança).

Havia um tipo que o ator fazia na Praça é Nossa, Donana, que era uma velha muito parecida com a avó de Ismael. Acredito que a personagem seja criação do próprio Ciambroni.

– Muito legal o show dos moradores da vila, que serviu inclusive como despedida da novela para os atores. Atrizes se apresentando como vedetes, tango com Cininha e Tibério, e Ednéa, a “mulher vulcão“. A atriz Mara Manzan voltou a demonstrar seus dotes circenses (engolir fogo) na novela Salsa e Merengue.

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– Como forma de encher linguiça, surgiu a hipótese de uma das crianças do casarão de Mascarado ter roubado uma correntinha de dona Lindalva, moradora da vila, mãe de Carol (amiga de Bia). No fim, a joia estava com Carol e Lindalva foi obrigada a pedir desculpas para a criançada. Lindalva é a atriz Maria Cristina Gatti, com participações em novelas desde os anos 1980. Carol é Tathiane Manzan, filha de Mara Manzan, a Ednéa da novela.

– Linda a mensagem, narrada em off, que começa com imagens do Mascarado e a frase “Vim de onde não existe tempo, mas sou eterno agora“, e finaliza com uma sequência de bebês e as frases “Bem-vindos à vida (…) Tudo que existe só começa…“. Eis a mensagem completa:

“Vim de onde não existe tempo
Mas sou eterno agora
Por isso nada é longe
Não há morte, não há tempo, não há espaço
Não há azar e nem sorte
Por tudo isso fica o amor e fica o abraço
Bem-vindos à vida
Tudo é trama, tudo é laço
Não há fim e nada cessa
Tudo que existe só começa”

– Acho emocionante a sequência final de A Viagem: Otávio e Diná, em uma caverna, ou gruta, e desce uma luz azul que os envolve, ao som do “Adágio”. A mensagem narrada em off (de autoria de Paulo Kronemberger) está transcrita em meu site, na aba Bastidores, clique AQUI.

Conclusão

Há 28 semanas, me dispus não só a rever A Viagem inteira, depois de 27 anos, como também a analisar a trama com um olhar crítico mais aguçado. Concluo que tinha a novela em conta alta demais, já que a considerava a segunda melhor da década de 1990. Infelizmente, me decepcionei com muitos detalhes. A Viagem cai de posição, mas se mantem ainda em meu Top 10.

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O que mais me incomodou foram as barrigas (que eu lembrava que havia, mas não que fossem tão protuberantes) e o tanto de personagens ruins e tramas aleatórias, feitas exclusivamente para encher linguiça. Entendo que, comparando com a versão original (da Tupi, de 1975-1976), foi necessário incrementar para fazer render a nova produção. Porém, são personagens fracos demais diante dos que já existiam – esses sim, fortes e interessantes.

Mesmo com esses percalços, A Viagem é uma ótima novela, com uma trama forte, cativante, repleta de personagens bem desenhados, de várias camadas, e um elenco formidável. Assim, as qualidades se sobrepõe aos defeitos. Talvez por isso os fãs mais ardorosos “passem pano” e a defendam tão veementemente. Ao criticá-la, apenas aponto erros, sem desaboná-la ou diminuir suas qualidades. Inclusive, considero que a trama principal é atemporal e que merece ser revisitada, refeita.

Finalizo enaltecendo o elenco de peso, em que brilharam Christiane Torloni, Suzy Rêgo, Jonas Bloch, Laura Cardoso, Yara Côrtes, Fernanda Rodrigues, Guilherme Fontes, Andréa Beltrão, Thaís de Campos, Denise Del Vecchio, John Herbert, Ary Fontoura, Nair Bello e Breno Moroni. Porém, meus aplausos mais entusiasmados vão para a dupla Estela e Alberto – Lucinha Lins e Cláudio Cavalcanti, em trabalhos dos melhores de suas carreiras.

FIM.



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