Fenômeno cativante do início ao fim, Totalmente Demais fez jus ao seu título - TV História

Fenômeno cativante do início ao fim, Totalmente Demais fez jus ao seu título

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Novamente foram meses de muito romance, conflitos, humor e tensão inseridos em um conto de fadas moderno. Totalmente Demais chegou ao fim nesta sexta se consagrando como um dos maiores fenômenos da faixa das sete.

O enredo conquistou o público logo no início. Rosane Svartman e Paulo Halm já tinham experimentado o sucesso com duas temporadas bem-sucedidas de “Malhação” —- a “Intensa”, escrita em parceria com Glória Barreto em 2012, e a “Sonhos”, exibida entre 2014 e 2015 —- e conseguiram emplacar o terceiro êxito seguido na carreira. Eles apostaram no clássico e acertaram em cheio.

A novela abusou de todos os clichês possíveis do gênero e contou uma trama clássica envolvendo a transformação de uma típica gata borralheira, recheada de comicidade, romance e adrenalina. Um conjunto que se mostrou irresistível, sendo desenvolvido com extrema competência. Tinha tudo a ver com a faixa das sete.

A saga de Eliza (Marina Ruy Barbosa) prendeu a atenção e não demorou para o telespectador torcer para aquela menina arredia (em virtude dos assédios do padrasto pedófilo) conseguir se tornar a Garota Totalmente Demais para livrar a família da dominação de um monstro. Mas no meio do caminho ela se deparou com os outros três protagonistas da história, despertando o amor de um, o encantamento do segundo e a fúria da terceira. A mocinha conheceu o amor com Jonatas (Felipe Simas) —- ’empresário das ruas’ que ajudou a sua ruivinha a atingir seus objetivos e foi o primeiro homem da sua vida —- , aprendeu a ser uma mulher elegante com Arthur (Fábio Assunção) e sofreu com as armações de Carolina (Juliana Paes).

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Todo esse conjunto bem trabalhado norteou o enredo e o quarteto citado honrou o protagonismo. Marina soube transmitir todos os traumas de sua mocinha com precisão e teve uma química arrebatadora com Felipe Simas, que interpretou um carismático mocinho e fez jus à confiança dos autores que apostaram nele como protagonista, após seu ótimo trabalho como o Cobra em “Malhação Sonhos”. Fábio Assunção voltou às novelas em grande estilo, após um longo período em “Tapas & Beijos”, e Arthur já entrou para a galeria dos seus grandes personagens. Um dos melhores, aliás. O bon vivant, cujo ego gigantesco e tiradas sarcásticas eram as principais características, foi muito bem defendido pelo ator. E Juliana Paes viveu seu melhor momento na carreira interpretando a complexa Carolina Castilho, a personagem mais rica e dúbia da novela. A atriz, inclusive, teve uma sintonia imediata com Fábio, vista logo no primeiro capítulo.

Mas não foram só esses quatro personagens os grandes acertos do folhetim de sucesso. Tudo deu certo, fazendo da produção um conjunto perfeitamente harmônico. Os autores adotam esquemas de rodízio de núcleos muito inteligentes, o que ajuda a destacar todos os atores da história, valorizando cada subtrama e cada conflito, evitando que alguns perfis fiquem deslocados ou sem função no enredo —- algo rotineiro em várias novelas. Isso ainda salva a produção de qualquer tipo de desgaste, uma vez que tem sempre algo acontecendo, mesmo quando a trama principal precisa entrar em um estágio de espera. Um bom exemplo foi o concurso da Garota Totalmente Demais, que servia como pano de fundo para boa parte das ações, embora as etapas da competição tenham sido exibidas espaçadamente, contendo um intervalo de aproximadamente duas semanas ou mais, impedindo que tudo ficasse maçante ou repetitivo.

E os demais núcleos se mostraram tão atrativos quanto o principal. A família de Germano (Humberto Martins) e Lili (Vivianne Pasmanter) era a mais rica dramaticamente, exigindo bastante dos atores. O casal nunca conseguiu superar a morte da filha Sofia (Priscila Steinman) e enfrentaram várias dificuldades com o filho Fabinho (Daniel Blanco).

Para culminar, Lili ainda tinha que lidar com a galinhagem do marido, que a traiu no passado, tendo uma filha (Eliza) com a babá. Foram muitos percalços e amadurecimentos, incluindo também a volta de Sofia, que havia forjado a própria morte e tentou roubar os pais, além de ter tentado matar a irmã. A sociopata foi uma carta na manga dos autores, o que ajudou a movimentar o roteiro depois do término do concurso promovido pela revista de Carolina. Esse núcleo foi o mais pesado da trama, valorizando todos os intérpretes, principalmente Humberto e Vivianne (finalmente com um papel digno do seu talento, após tantas figurações de luxo nos últimos anos), que repetiram a bem-sucedida parceria, já vista em “Mulheres de Areia” (1993) e “Uga Uga” (2000).

A família composta por Hugo (Orã Figueiredo), Débora (Olívia Torres) e Cassandra (Juliana Paiva) também foi de vital importância para o êxito da novela. Os três atores tiveram uma perfeita sintonia cênica e Juliana deu um show na pele da descompensada menina que sonhava em ser famosa a qualquer custo. Foram inúmeras pérolas da garota que era boba, mas não era burra, e a atriz aproveitou a oportunidade dada pelos escritores, que já haviam lhe presenteado com a Fatinha, em “Malhação Intensa”.

Ela ainda formou um ótimo casal com Fabinho, tendo química com Daniel Blanco, e convenceu tanto nas cenas cômicas quanto nas dramáticas — Cassandra foi até a responsável pelo desmascaramento de Sofia e da sua própria mãe. Olívia Torres também merece menção, pois brilhou com sua doce Débora, formando um lindo par com Charles (Raphael Sander). E esse núcleo sofreu uma genial virada com Hugo finalmente ganhando na loteria, após anos de tentativas. Houve ainda a entrada de Danielle Winits na reta final, vivendo a interesseira Sueli, ex-esposa de Hugo que havia abandonado as filhas.

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O núcleo do conquistador Arthur é outro ponto positivo da trama que merece ser elogiado. O lado atrapalhado do personagem era exposto através da relação nada harmoniosa que ele tinha com a filha Jojô (Giovanna Rispoli ótima), uma rebelde marrenta, e os atores protagonizaram ótimas cenas. A empregada Cida (Guida Viana sempre bem) era outra peça vital e praticamente se comportava como a mãe da menina, uma vez que Natasha (Lavínia Vlasak) era muito ausente por conta de seus trabalhos como modelo.

E a família ficou ainda melhor com a chegada de Stelinha e Maurice, os pais de Arthur, que eram tão inconsequentes quanto o filho. Foi um prazer ver Glória Menezes de volta às novelas, que naturalmente roubou a cena, e ainda fez uma parceria maravilhosa com o igualmente talentoso Reginaldo Faria na reta final. O casal de interesseiros vivia falido, mas fazia questão de esbanjar luxo com o dinheiro do empresário. Foram muitas cenas impagáveis. Na última semana de novela, inclusive, a família ganhou mais um ótimo integrante: o Meleka (Luca Ribeiro), namoradinho nerd de Jojô —- poderia até ter entrado antes.

Aliás, assim como ocorreu com Arthur, os núcleos oriundos dos demais protagonistas funcionaram da mesma forma. Carolina expunha seu lado mais humano ao lado da irmã Dorinha, vivida por uma genial Samantha Schumtz. As atrizes realmente pareciam irmãs e protagonizaram cenas engraçadas e tocantes, como todos os momentos em que cantaram juntas.

Pena que Hélio de la Peña não convenceu como Zé Pedro, cunhado de Carol, ficando robótico em cena. Já o drama da mãe de Eliza (Gilda – Leona Cavalli) e a perversidade de Dino (Paulo Rocha) serviram para engrandecer os conflitos da mocinha —- tendo fundamental importância na reta final —-, assim como toda a imensa família de Jonatas tinha o intuito de mostrar o quanto que aquele garoto era querido por todos e representava praticamente um patriarca, pois Florisval (Ailton Graça) sempre foi um irresponsável.

Ainda mencionando o núcleo de Curicica, vale citar o tema apropriado abordado através do grave acidente sofrido por Wesley (Juan Paiva), que ficou paraplégico após ser atropelado. O rapaz virou atleta paraolímpico e a novela explorou uma situação pertinente.

Aliás, Rosane Svartman e Paulo Halm souberam explorar várias temáticas importantes ao longo da história. O assédio sofrido por Eliza evidenciou uma situação sempre atual em torno do abuso sexual e do estupro, enquanto a homofobia sofrida por Max (Pablo Sanábio) —- que foi espancado na rua porque estava com outro homem —- mostrou a intolerância exatamente como ela é na sociedade, infelizmente. Vale mencionar ainda o preconceito que o rapaz teve que enfrentar dos próprios pais, que serviu também para explorar o racismo, pois a mãe e o pai não gostaram de vê-lo namorando Adele (Jéssica Ellen), a amiga que ele usou para criar um namoro de fachada. A própria Adele serviu para defender boas causas, como a da homossexualidade, pois a personagem era extremamente bem resolvida e terminou feliz ao lado de uma modelo.

Já na reta final, os autores ainda conseguiram explorar o sempre polêmico tema da AIDS através do carismático Gabriel (Icaro Zulu), menino que encantou Carolina e ajudou a realizar o desejo da ex-diretora da revista Totalmente Demais de ser mãe. Como é soropositivo, o garoto nunca era adotado, mas Carol não se abalou e lutou pela guarda de seu filho, protagonizando uma das cenas mais bonitas da história, quando o juiz aceitou o pedido daquela mulher que só queria amar. Apesar do curto tempo, a temática em torno do HIV também foi bem abordada e emocionou, até porque houve a questão do racismo sendo novamente exposta, já que outro fator que ‘prejudicava’ a adoção do menino era a sua cor. A situação, por sua vez, evidenciou todo o lado humano de Carol, que se redimiu de tudo o que fez.

Além de todos os atores e núcleos citados, é preciso destacar outros intérpretes que também se destacaram. Malu Galli ganhou a popular Rosângela e novamente mostrou do que é capaz. Suas cenas com Felipe Simas, Ailton Graça e Aline Fanju eram ótimas. Aliás, Aline brilhou com a barraqueira Maristela, enquanto Pablo Sanábio roubou a cena com o afetado Max, fazendo uma dupla hilária com Juliane Trevisol, a Lu.

Gabriel Reif divertiu com seu atrapalhado Jamaica e Daniel Rocha convenceu na pele do galinha Rafael, esbanjando química na reta final com Carla Salle, outro bom nome que se destacou interpretando a feminista Leila. Giovanna Rispoli ganhou um ótimo papel e aproveitou, fazendo da rebelde Jojô um dos pontos altos do enredo.Valentina Bandeira foi muito bem como a tímida Janaína; Daniel Blanco defendeu com competência seu Fabinho; Felipe Silcler ganhou espaço com o seu Cascudo; Guida Viana fez de sua Cida um grande destaque; Orã Figueiredo transformou o ingênuo Hugo em uma figura querida; Lavínia Vlasak voltou às novelas ótima como Natasha; Sérgio Malheiros se saiu bem na pele do canalha Jacaré; e Marat Descartes (o íntegro Pietro) protagonizou momentos maravilhosos ao lado de Juliana Paes. Carolyna Aguiar (Lurdinha), Pally Siqueira (Bárbara), Lellezinha (Jeniffer), Lana Guelero (Jacira) e os pequenos Kaik Brum (Carlinhos), Icaro Zulu e Isabella Kopel (Dayse) também compuseram o time de talentos.

A novela ainda ficou marcada pela excelentes referências a vários filmes clássicos, assim como poesias famosas de escritores consagrados (sempre ditas por Arthur). “Luzes da Cidade” (1931), “Bonequinha de Luxo” (1961), “My Fair Lady” (1964), “Casa Blanca” (1942), “O Diabo Veste Prada” (2003) e “Cantando na Chuva” (1952) foram alguns dos filmes mencionados na trama, além de vários terem servido de fonte de inspiração para inúmeras situações.

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A trilha sonora (tanto nacional quanto internacional) é mais um acerto do conjunto, sendo necessário citar “Rise Up” (Andra Day) — tema de Carolina —, “Home” (Gabrielle Aplin) —- tema de Jonatas e Eliza —-, “Fight Song” (Rachel Platen) — tema de Cassandra e Fabinho —, “Felicidade” (Seu Jorge), “Pra Tudo Acontecer” (Suricato), “Totalmente Demais” (Anita) — tema de abertura —, “Serpente” (Pitty), entre tantas outras músicas bem selecionadas.

E os autores mais uma vez mostraram que são bons em criar casais. Foram muitos pares repletos de química, sintonia e ótima parceria dos atores. Felipe Simas e Marina Ruy Barbosa arrebataram o público com o romance “Joliza”; Fábio Assunção e Juliana Paes protagonizaram ótimas cenas com os debochados Arthur e Carolina; Humberto Martins e Vivianne Pasmanter mostraram que a química vista em “Mulheres de Areia” e “Uga Uga” seguiu firme através de Germano e Lili; Juliana Paiva e Daniel Blanco divertiram com o romance de Cassandra e Fabinho; Olívia Torres e Raphael Sander fizeram cenas delicadas com os tímidos Charles e Débora; Malu Galli e Ailton Graça foram os responsáveis por muitos bons momentos de tapas e beijos; e Leona Cavalli e Orã Figueiredo combinaram juntos quando Gilda e Hugo se aproximaram. Já Glória Menezes e Reginaldo Faria foram impagáveis com o casal Stelinha e Maurice, enquanto Giovanna Rispoli e Luca Ribeiro se destacaram na reta final através do par perfeito: Jojô e Meleka.

Os momentos finais da trama fizeram jus aos muitos bons acontecimentos da novela ao longo de sua trajetória, prendendo o telespectador e apresentando cenas emocionantes, cômicas e tensas. Entre as grandes sequências estão a morte de Sofia e o sequestro de Eliza (organizado por Jacaré), o desmascaramento de Carolina diante de todos (vendo seu plano de dopar Eliza exposto), as trapalhadas de Cassandra para mostrar o lado interesseiro de sua mãe Sueli, a adoção de Gabriel, e, claro, o instante em que Dino invade o quarto de Eliza, tentando violentá-la e depois esfaqueando Jonatas. A cena do transplante de fígado, quando a mocinha doa parte de seu órgão para seu grande amor, também merece uma menção especial. Foram situações dignas de final de novela.

A cena em que Arthur abre mão de Eliza e faz Jonatas ir com a Ruivinha dele em seu lugar foi linda, destacando Fábio Assunção, Felipe Simas e Marina Ruy Barbosa. Outro momento tocante foi o desfecho de Max, pois o instante em que ele pede para ficar de mão dadas com o seu novo namorado (interpretado por Creo Kellab) —- meses depois de ter sido espancando na rua por essa razão —- foi repleto de delicadeza, destacando Pablo Sanábio. Já todas as situações protagonizadas por Cassandra, como não poderia deixar de ser, foram hilárias. Destaque especial para o momento em que a garota fica só de calcinha e sutiã durante a exposição de Jamaica e acaba adorando a situação. Juliana Paiva mais uma vez brilhou.

E a reaproximação de Carolina e Arthur foi recheada de provocações, fazendo jus ao casal. O bon vivant pousou literalmente quase em cima de sua ex e os dois iniciaram um revival, evidenciando a química entre Fábio Assunção e Juliana Paes. Vale mencionar principalmente a cena em que os dois estavam conversando até serem interrompidos por uma florista, provocando uma imediata volta no tempo. Porém, desta vez não teve aposta alguma e eles finalmente formaram uma família, após tantas mágoas e afastamentos. O mesmo valeu para Germano e Lili, felizes com a chegada de mais um filho. Foram muitas dores e sofrimentos superados para que aquela família pudesse finalmente recomeçar. Humberto Martins, Vivianne Pasmanter, Juliana Paiva, Regina Sampaio e Daniel Blanco ótimos.

Ainda houve um divertido ‘crossover’ —- quando um personagem de outra trama entra na história —-através da patricinha Fedora, personagem da Tatá Werneck em “Haja Coração”, próxima reprise das sete. A menina queria aparecer na capa da Revista Totalmente Demais e procurou Carolina, sem saber que ela não era mais diretora.

Vale lembrar que o folhetim teve outros dois crossovers: o Bino (Stênio Garcia), do seriado “Carga Pesada”, deu carona para Eliza na primeira semana de trama e o Lírio Lorenzzo (Paulo Dalagnoli), de “Malhação Sonhos”, apareceu duas vezes protagonizando impagáveis situações.

Já a última cena foi marcada pela sensibilidade e química entre Felipe Simas e Marina Ruy Barbosa, que protagonizaram lindos momentos de Jonatas e Eliza em Paris —- em um chroma key que comprometeu a qualidade, expondo o erro da Globo em economizar ao cancelar a viagem na última hora para poupar gastos —-, havendo ainda a participação especial da cantora Gabrielle Aplin, que canta Home, tema do casal.

“Totalmente Demais” foi um fenômeno merecido. Não por acaso acabou sendo novamente a maior audiência diária da Globo por um bom tempo. Rosane Svartman e Paulo Halm (além do diretor Luiz Henrique Rios e da equipe de colaboradores) conseguiram emplacar um grande sucesso que será sempre lembrado como um dos maiores êxitos do horário das sete. A história despretensiosa, repleta de comicidade, romantismo e adrenalina era tudo o que o telespectador da faixa estava querendo. Elogiada por público e crítica, a novela fez jus ao seu título do início ao fim. Valeu a pena acompanhar cada capítulo e mergulhar nesse folhetim tão cativante. Foi mesmo totalmente demais.

SOBRE O AUTOR

SÉRGIO SANTOS é apaixonado por televisão e está sempre de olho nos detalhes, como pode ser visto em seu blog. Contatos podem ser feitos pelo Twitter ou pelo Facebook.



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