Dyego Terra

Um dos maiores acertos da emissora no ano, o Faustão na Band é o típico programa de auditório que o telespectador quer ver, com quadros interessantes, alegres, chamativos e bem produzidos, mas… Com a cara dos domingos. O conjunto seria perfeito não fosse o fato da atração ser exibida nas noites de segunda a sexta-feira.

Faustão na Band

A Band quis inovar e trazer para a grade diária um formato variado e chamativo. E conseguiu! O canal sabia, porém, que não teria vida fácil.

Primeiro porque, há anos, não entregava programação própria no horário de Fausto Silva, antes ocupado pelo pastor RR Soares em esquema de locação. Segundo: não há tradição do segmento variedades na faixa em questão. E, terceiro, pela concorrência com atrações já consolidadas do badalado “horário nobre”.

Perdido na programação

Faustão na Band

Pois bem! Em conteúdo o Faustão na Band não deve nada. O formato, no entanto, parece perdido na grade ao apresentar atrações dominicais em dias de semana. A imagem de Fausto Silva está atrelada aos domingos e, pela formatação de seu programa, a entrega é muito próximo do extinto Domingão do Faustão, que ele apresentou na antiga casa, a Globo, por 32 anos.

O quadro Cassetadas do Faustão é um exemplo. É inegável que os vídeos de pessoas em apuros têm a cara do apresentador, mas também é incontestável a ligação dos mesmos com os domingos, 20h30, antes do Fantástico. O quadro era diário. A exibição logo após o Jornal da Band também privava o espectador de acompanhar bons conteúdos exibidos mais tarde, quando Pantanal suga boa parte da audiência da TV aberta.

Talvez por este motivo, com a redução do tempo de arte da atração, as Cassetadas foram sabiamente rifadas.

Dança das Feras

Todos os outros conteúdos também trazem o teor dominical. O Dança das Feras consistia na Dança dos Famosos com outro nome; agora, deve pintar o Bailão do Faustão, de estilo semelhante. Até o momento em famosos se reúnem para um papo descontraído se assemelha ao antigo programa, justamente pela presença de um elemento que caracterizou as conversas à mesa do Domingão: a pizza.

Por que não qualquer outro contexto, envolvendo os artistas e o apresentador? Precisava mesmo ser pizza. O leitor talvez possa pensar: e o Churrascão do Faustão? Seria excelente não fosse a mesma ideia, com o rodízio de pizza substituído por rodadas de espeto, sempre às sextas, enquanto a Pizzaria abre todas as segundas.

E tem mais…

Faustão na Band

Depois das Cassetadas, não existe nada mais Domingão do Faustão do que um quadro para homenagear artistas por toda a sua obra e contribuições à família, amigos e sociedade, através de depoimentos emocionantes. O Arquivo Confidencial agora é Arquivo Pessoal. A ideia se mantém…

Não falta nem mesmo o Se Vira nos 30 ou quadros para descobrir talentos. O Grana ou Fama existe para premiar todo o tipo de talento inusitado, com dinheiro ou com a permanência no programa. Também o Mochilão do Riso…

A música está presente em um quadro que leva artistas para o palco após um dupla disputar, com pistas, para descobrir quem são os convidados da noite. Trata-se do Ding Dong, correto? Não. É o Na Pista do Sucesso, que também ganhou variante no Caldeirão com Mion, provando que a falta de criatividade também atinge a Globo.

TV é hábito

Faustão na Band

O Faustão na Band tem uma produção mais do que caprichada. Fausto Silva se comunica muito bem, mas tem a imagem relacionada aos domingos e, ao trazer consigo os quadros de sucesso do ‘Domingão’, acaba fazendo mais do mesmo, em dia e horário equivocados, não entregando tudo o que poderia enquanto estrela da casa e diferencial do horário nobre.

TV é hábito. Entre 20h30 e 22h30, o público sabe muito bem o que quer ver; quase sempre, jornais e novelas. Ou o Faustão na Band entra mais tarde e concorre com Ratinho, horário em que o telespectador já se habituou com algo mais variado, como auditórios e realities, mudando de formato para se encaixar nas noites de segunda a sexta-feira, ou aceita que a sua atração atual é um dominical perdido, passando para a faixa em que se consagrou. Bons dominicais, aliás, andam em falta na TV.

Compartilhar.
Dyego Terra

Dyego Terra é jornalista e professor de espanhol. É apaixonado por TV desde que se entende por gente e até hoje consome várias horas dos mais variados conteúdos da telinha. Já escreveu para diversos sites especializados em televisão. Desde 2005 acompanha os números de audiência e os analisa. É noveleiro, não perde um drama latino, principalmente mexicano, e está sempre ligado na TV latinoamericana e em suas novidades. Análises e críticas são seus pontos fortes. Leia todos os textos do autor