Falta de representatividade negra escancarada: a 14ª semana de A Viagem - TV História

Falta de representatividade negra escancarada: a 14ª semana de A Viagem

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A Viagem – Semana #14

• Na semana passada, escrevi que Téo bateu o recorde de caretas. Nesta, foi o recorde de situações constrangedoras envolvendo o personagem, obsediado por Alexandre. Primeiro, troca de socos com Otávio em um restaurante chique. Depois, quase agride Diná em sua casa, na frente de Dona Maroca. Na sequência, a péssima cena em que ele agarra Lisa à força no cabeleireiro, na frente das colegas de trabalho dela.

Téo ainda invade a casa de Otávio de moto, tentando atropelá-lo. O gancho para a próxima semana é outra cena de Téo com Lisa, na frente de Carmem. Não lembro direito (vi essa novela apenas em 1994), mas vai ser assim até o final (estamos ainda na metade)?

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• A festa de aniversário de Lisa ficou bem estranha, hein! Carmem faz um bolão para a amiga, aparece toda a galera da vila, cantam parabéns e ela sai com Téo logo em seguida (?) deixando o povo comemorando sem a aniversariante. Na cena seguinte, o casal aparece no piano-bar onde estão Diná e Otávio.

• Não vou me estender na questão da representatividade negra porque sabemos que A Viagem é uma novela de outra época, em que não se discutia esse assunto. Mas dói ver em cena os únicos personagens negros do elenco fixo da novela – Francisca (Maria Alves), Julião (Gésio Amdeu) e Zulmira (Solange Couto) -, todos empregados, conversando na cozinha. A cena apenas sublimou os desentendimentos entre Andreza e Raul.

Os negros sequer têm tramas próprias na novela. Só servem de escada para os brancos. Mais adiante surge um novo personagem negro, Paulinho (Antônio Pompeo), do núcleo do Nosso Lar.

Só para constar: existem ainda outras duas negras, mas em participações esporádicas: Araci (Cristina Ribeiro), cabeleireira no salão de Fátima, e a cozinheira na pensão (Joana Rocha), que aparece raríssimas vezes e nunca tem fala – aliás, não tem nem nome! Houve também a participação de Tony Tornado, como um preso.

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Escrita na década de 1970, com remake na década de 1990, A Viagem é uma novela do tempo em que personagem negro só servia para empregado, escravo ou bandido. Claro que ainda temos muito a avançar, mas pelo menos progredimos bastante.

• Não lembro se já comentei aqui, mas acho a amizade e a cumplicidade das irmãs Diná e Estela tão bonita! Talvez a ceninha de briga entre as duas na semana passada (um tanto sem sentido) fosse para reforçar o amor das irmãs nessa semana. Além das relações familiares, A Viagem enaltece também as relações de amizade. Gosto ainda das #bff (best friends forever) Lisa e Carmem.

Contudo, percebe que isso acontece apenas com as personagens femininas? Alberto e Otávio são superamigos, mas, por serem homens, e maduros, a amizade é mostrada pela novela de forma pouco emotiva. Não é uma crítica, apenas uma constatação.

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• A relação de Raul e Andreza desce ladeira. Ele já está ciscando para Tainá e não se importa mais com o casamento. Uma pena não termos Laura Cardoso em cena, o que certamente faria esse entrecho fluir melhor, já que o fracasso do casamento começa por causa dela – ou melhor, por causa do espírito de Alexandre agindo sobre Guiomar.

• Reclamamos muito de que a trama do casamento de Sofia e Zeca não fazia sentido e nesta semana veio a explicação, ao menos plausível. Ela consegue um pai para o seu filho (e se livra da pecha de mãe solteira) enquanto ele consegue grana para seus projetos musicais. Na verdade, é um arranjo que beneficia os dois, casados ante a sociedade, mas pretendendo viver como irmãos. Faz sentido.

• Alexandre já dá os primeiros sinais de que está obsediando Tato.

• Bia está cada vez mais insuportável e malcriada. Que ódio dessa garota! Hahahahahahah

• Alguém sabe quem era o pianista que Diná e Otávio assistiram ao show?

• Parece que a Copa do Mundo acabou, pois o pessoal da vila já tirou a decoração (para decorar a festa de casamento de Sofia).

• E assim chegamos à metade de A Viagem, 14 semanas (são 28 no total).

SOBRE O AUTOR
Desde criança, Nilson Xavier é um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: no ano de 2000, lançou o site Teledramaturgia, cuja repercussão o levou a publicar, em 2007, o Almanaque da Telenovela Brasileira.

SOBRE A COLUNA
Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.



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