Fala de Marco Pigossi soou mal: ficou parecendo que cuspiu no prato que comeu - TV História

Fala de Marco Pigossi soou mal: ficou parecendo que cuspiu no prato que comeu

Causou frisson a participação de Marco Pigossi na live de João Vicente de Castro em que o ator detona a novela Fina Estampa, atualmente reprisada na Globo e na qual atuou. Pigossi é um jovem ator que desponta como modelo de independência no mercado, tendo preterido papeis na Globo para trabalhar no streaming, inclusive com participações em produções estrangeiras.

Discorrendo sobre sua carreira, o ator chegou a Fina Estampa e não poupou críticas à novela e à sua atuação.

Essa novela deveria ser proibida de reprisar, porque é tanta barbaridade“, “Tenho vergonha de algumas coisas que são faladas na novela, de como são tratadas“, “Tenho um pouco de vergonha da minha atuação, das minhas mechas loiras” foram frases ditas em um papo muito animado.

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Olha, errado ele não está! Fina Estampa já era uma “barbaridade” em 2011-2012. Imagina hoje! Em vários aspectos, alguns citados pelo ator: trama fraca, abordagens equivocadas (violência doméstica, machismo e homossexualidade principalmente), direção capenga, algumas interpretações idem, etc. E, apesar disso tudo, sucesso de audiência nas duas exibições.

O autor de Fina Estampa, Aguinaldo Silva, ficou aborrecido com a repercussão do caso. Sua obra atende uma demanda da época e de hoje. Se o público responde com audiência é porque a produção cumpriu o seu papel, o mero entretenimento, independentemente de todas as questões técnicas e artísticas e das abordagens equivocadas.

Toda obra é passível de críticas. Pigossi tem o direito de expressar sua opinião sobre este trabalho. Assim como a contraparte sobre a sua opinião. Exercendo minha profissão, já apontei várias inconsistências que enxerguei na novela, também destaquei os seus pontos fortes. Pigossi não foi o primeiro a assumir publicamente críticas a um trabalho, tampouco será o último. Mas o que chama a atenção em sua atitude não é o conteúdo, mas a forma.

Marco Pigossi tinha 22 anos quando começou a gravar Fina Estampa. Estreou na Globo em 2004, ainda adolescente, em um pequeno papel na minissérie Um Só Coração. Em 2009, ganhou notoriedade ao interpretar Cássio, o “Rosa Chiclete”, na novela Caras e Bocas. Foi quando o ator chamou a atenção do público.

Quando interpretou Rafael em Fina Estampa, Pigossi ainda precisava mostrar trabalho, bater cartão na Globo, cumprir contrato. Na sequência, a emissora lhe deu ótimos papeis, alguns protagonistas inclusive. É o caso do ator que aproveitou bem as oportunidades. Logicamente sua escalada nem teria sido possível não fosse seu talento.

No bate-papo, Pigossi externou coisas que melhor não fossem faladas em público, para não ferir suscetibilidades. Uma frase mal dita pode ganhar um contexto indesejável. Guardasse para o momento em que a câmera estivesse desligada. Soou mal, ficou parecendo que cuspiu no prato que comeu.

O vídeo que rolou nas redes sociais contém apenas o trechinho do papo. No Twitter, o ator postou “Palavras tiradas de contexto e jogadas ao vento durante uma pandemia” e usou a hashtag #ApoieOJornalismoSerio (entre outros dizeres). Seria uma resposta à proporção que esse episódio tomou?

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Aguinaldo Silva deu algumas respostas enviesadas, mas a melhor foi o vídeo de um depoimento que Marco Pigossi deu ao Vídeo Show na ocasião do final da novela, em que o ator agradece Aguinaldo, o diretor Wolf Maya e a equipe e define Fina Estampa como “Essa novela tão gostosa e tão prazerosa de fazer“.

SOBRE O AUTOR
Desde criança, Nilson Xavier é um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: no ano de 2000, lançou o site Teledramaturgia, cuja repercussão o levou a publicar, em 2007, o Almanaque da Telenovela Brasileira.

SOBRE A COLUNA
Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.



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