Estrela se foi guardando mágoa da Globo: “Não gostam de mim”

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Dona de um inegável talento e de lindos olhos claros, Suzana Faini morreu no último dia 28 de abril, aos 89 anos, no Rio de Janeiro (RJ). Contudo, como a própria atriz declarou em entrevistas, ela teve algumas frustrações e mágoas em sua gloriosa carreira.

A Favorita

Nascida em 9 de março de 1933, se profissionalizou como bailarina, trabalhando nessa área dos 19 aos 34 anos. Decidiu estudar artes dramáticas, sendo uma das primeiras alunas da diretora Maria Clara Machado, anos antes da abertura da escola de teatro O Tablado.

Seu primeiro registro como atriz foi no filme Os Paqueras (1969), dirigido por Reginaldo Faria. Na televisão, estreou na Globo no mesmo ano, na novela Rosa Rebelde, de Janete Clair.

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Personagens de destaque

Irmãos Coragem

Em 1970, integrou o elenco de Irmãos Coragem interpretando Cema, uma mulher que, após ser violentada por Juca Cipó (Emiliano Queiróz), viveu uma gravidez bastante complicada.

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Seguiram as novelas O Homem que Deve Morrer (1971), Selva de Pedra (1972), Carinhoso (1973), Cuca Legal (1975), Duas Vidas (1976), Dancin’ Days (1978), Pai Heroi (1979), Brilhante (1981), Eu Prometo (1983) e Livre Para Voar (1984).

Suzana participou do remake de Selva de Pedra em 1986, vivendo a advogada Dr. Ana Fróes. Na primeira versão, ela viveu uma personagem diferente: a secretária Olga.

Suzana Faini

No ano seguinte, trabalhou em Direito de Amar (1987). Em seguida, teve dois papéis de destaque: em Vida Nova (1988), como a dona de casa Maria, que lhe valeu o Troféu APCA de Melhor Atriz Coadjuvante, e como a viúva Cleide, mãe da protagonista Duda (Malu Mader), em Top Model (1989).

A partir da década de 1990, a artista continuaria atuando em pequenas participações especiais. Alguns desses trabalhos foram: Salomé (1991), Você Decide (1992), 74.5 – Uma Onda no Ar (1994), Malhação (1995), Irmãos Coragem (1995), Perdidos de Amor (1996), Mulher (1998), Chiquinha Gonzaga (1999), Desejos de Mulher (2002), Hoje é Dia de Maria (2005), Começar de Novo (2005) e Amazônia, de Galvez a Chico Mendes (2007).

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Destaque em A Favorita

Suzana Faini

Suzana voltou a ter um papel de destaque em A Favorita (2008), interpretando Iolanda, a matriarca da família Copola.

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Em entrevista ao jornal O Globo de 15 de junho daquele ano, ela comentou que, talvez por não ter alimentado a mídia com fotos e entrevistas, isso pode ter contribuído para que ela trabalhasse em papéis de pouco repercussão na televisão.

“Sei que não tem nada de pessoal, mas você acaba pensando: não gostam de mim, nem do meu trabalho. Ainda hoje isso causa um negócio na minha cabeça. Então, acho que uma das minhas grandes falhas foi não ser mais acessível à mídia. Mas não foi por mal. Em geral, me procuravam para saber de alguma fofoca, e eu sou avessa a fofocas. (…) Hoje eu sei que isso não é bom. A mídia adora uma novidade, um vestido ou um namorado novo”, explicou.

Mágoa

Suzana Faini

Na entrevista, Suzana afirmou que também havia se cansado de ser parada na rua e questionada sobre estar afastada das novelas.

“Alguns chegavam a perguntar por que a Record não me chamava. Respondia: porque a Globo não me chama? Afinal, sempre trabalhei na emissora, apesar de nunca ter sido contratada. Comecei lá na década de 1960, quando ainda era bailarina”, questionou.

Por fim, lamentou não ter recebido mais papéis de destaque durante sua trajetória na televisão.

“Nunca fui cogitada para ser a protagonista. Honestamente, não guardo mágoas. Tenho uma insatisfação muito grande por outro motivo, porque sou uma atriz poderia ter tido mais trabalho”, afirmou.

“Hoje em dia, o Projac é uma cidade à parte. Quando você telefona para lá, fala com a secretária eletrônica da secretária do secretário do assistente. É impossível fazer contato. Quando os estúdios eram no Jardim Botânico, encontrava todo mundo ali nos corredores. Inclusive os autores”, concluiu.

Depois disso, a atriz ainda atuou em Caminho das Índias (2009), Escrito nas Estrelas (2010), Salve Jorge (2012), Espelho da Vida (2018) e na série Sob Pressão (2018), que acabou sendo seu último trabalho no veículo.

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