Em 1995, Globo quis inventar moda nas noites de domingo e se deu mal - TV História

Em 1995, Globo quis inventar moda nas noites de domingo e se deu mal

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Pouca gente se lembra, mas, em 1995, a Globo produziu uma série do gênero terrir (terror misturado com comédia). A desastrosa Casa do Terror (título reaproveitado de uma sessão de filmes dos anos 1980) foi mais uma tentativa de encontrar uma solução para os fins de noite de domingo da emissora, só que teve apenas dois episódios exibidos.

Na Globo, a expectativa pela série era a melhor possível. O jornal O Globo de 29 de abril de 1995 trouxe diversas opiniões, como a de Miguel Falabella, que acreditava no sucesso do gênero. “Como estou no elenco de Cara e Coroa, próxima novela das 19h, não me deixaram participar. Mas a ideia é muito engraçada”, disse.

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O roteirista Yoya Wursch disse ao mesmo jornal que o programa teria cenas sangrentas e de violência, mas que ninguém iria perder o sono por isso. “Vai ter personagem cortando a cabeça do outro, mas tudo é tratado de forma tão surrealista que se torna hilariante”, explicou.

O programa, dirigido por Roberto Talma (1949-2015), estreava há exatamente 26 anos, no dia 30 de abril de 1995, com a história A Vingança de Edmundo ou Drag não é Droga: Pratique. Mostrava a história de Barbarela (Ney Latorraca) e Edmundo (Pedro Paulo Rangel), um casal que utiliza práticas sadomasoquistas.

Edmundo morre eletrocutado numa sessão de tortura e Barbarela é salva pelo vizinho Tony (Francisco Milani), com quem se casa e tem quatro filhos. No dia em que a filha faz 18 anos, a mesma data da morte de Edmundo, este sai da tumba e retorna ao mundo dos vivos, acompanhado por um séquito de cadáveres. Edmundo quer se vingar de Barbarela, de Tony, dos seus filhos e de dona Lívia (Eva Todor), sua ex-sogra.

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“A gente ainda está procurando uma linguagem, mas adorei fazer, embora não tenha sido muito fácil porque tem muitos efeitos especiais. Estou muito curioso em saber como o programa será recebido”, disse Ney Latorraca ao O Globo.

Pois bem: de acordo com a crítica de Sérgio Dávila na Folha de S. Paulo do domingo seguinte, a Casa do Terror nem fez rir, nem assustou. “A Globo não atingiu nem o medo nem a risada”, definiu.

No dia 7 de maio de 1995, veio o segundo e derradeiro episódio: Rosineide (Lilia Cabral), esposa de Menelau (Stepan Nercessian), que acolhe um bebê deixado à sua porta. Só que a criança é filha do diabo (Francisco Milani), que resolve buscá-la depois de 21 anos.

Com audiência muito abaixo do esperado e péssima repercussão, o então vice-presidente de Operações da emissora, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, resolveu tirar o programa do ar.

Com isso, os episódios Ferro em brasa ou a volta do morto Gentinha, com Guilherme Karan, Ney Latorraca, Raul Gazolla e Eri Johnson, A vingança da alface rancorosa, com Guilherme Karan, Léo Jaime, Rodolfo Bottino e Luiz Carlos Tourinho, e A morte mora ao lado, sequer foram exibidos, permanecendo inéditos até hoje.

A decisão magoou Roberto Talma, que se sentiu desprestigiado – outro programa dele, o Som Brasil, já havia sido cancelado – e pediu para sair da Globo. Mas eles conversaram, Talma tirou três de licença e continuou na casa.

Somente em 1996, após várias tentativas, que a Globo encontrou um bom produto para as noites de domingo: o Sai de Baixo.

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