Em 1983, apresentador acusou Silvio Santos de roubar nome de seu programa

Há 35 anos, em março de 1983, estourou uma verdadeira guerra entre dois grandes nomes da história da televisão brasileira. O apresentador J. Silvestre (1922-2000) rescindiu seu contrato com o SBT acusando, entre outras coisas, Silvio Santos de ter registrado para o canal o título de seu longevo programa Show Sem Limite. O caso acabou caindo no esquecimento, mas chamou bastante a atenção da mídia naquelas semanas.

“Isso, em linguagem mais clara, é um roubo”, resumiu o apresentador ao realizar uma entrevista coletiva. “Moralmente, esse título me pertence”, completou, explicando que já usava Show Sem Limite na década de 1950, no Rio de Janeiro.

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No encontro com os jornalistas, ele anunciou que havia rescindido seu contrato com o SBT, que estava há menos de dois anos no ar, e assinado com a Band, onde comandaria o Programa J. Silvestre, com esse título não por vaidade, mas pelas questões legais.

“Continuarei apresentando o mesmo programa na TV Bandeirantes, só que com outro nome. Sei que o SBT continuará com o Show Sem Limite. Caberá, então, ao espectador escolher entre uma cópia e o original”, disse à Folha de S.Paulo de 24 de abril de 1983.

J. Silvestre aproveitou a ocasião para explicar outros motivos relevantes que o levaram a deixar o canal, até então mais conhecido como TVS.

“Recentemente, um menino de Brasília que respondia perguntas sobre capitais mundiais fez jus ao prêmio de um piano. Só que a emissora queria lhe dar um piano usado. Tive que brigar por um piano novo, conseguido com muito custo”, destacou. “Em outra oportunidade, meu programa prometeu uma perna mecânica a uma mulher que desfilou em cadeira de rodas no Carnaval. A emissora se recusou a pagar. Tive, então, que dar o prêmio com dinheiro do meu próprio bolso”, completou.

O apresentador, que também comandava no canal o programa A Mulher é um Show, disse que sua atração era considerada cara demais, apesar dos inúmeros anunciantes. “Meus convidados do quadro Esta é a Sua Vida, por exemplo, recebiam apenas o pagamento das passagens e do hotel em São Paulo, não se incluindo refeições, o que, sem dúvida, é um absurdo”, explicou.

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Ainda na entrevista coletiva, J. Silvestre explicou que sempre se deu bem com Silvio Santos, desde a década de 1950, quando trabalharam juntos pela primeira vez. Em novembro de 1982, assinou um novo contrato, às pressas, momentos antes de viajar para os Estados Unidos.

“No documento ainda faltavam, assegura o apresentador, algumas cláusulas referentes à produção de novos programas de prêmios em que a renda seria dividida meio-a-meio entre ele e a emissora. Na volta, porém, a promessa da inclusão destas cláusulas não foi cumprida”, destacou a matéria da Folha.

“Diante disso, mandei, através do cartório, uma carta rescindindo meu contrato. A emissora, também por cartório, enviou-me outra, dizendo que vai entrar na Justiça. Quero que ela faça isso, aí terei oportunidade de contar tudo que sei e de abrir, por inteiro, o meu baú”, disse o apresentador, claramente cutucando Silvio Santos, dono do Baú da Felicidade – frase similar foi usada em um longo discurso feito na estreia do programa na Band.

Silvio Santos, desde sempre evitando polêmicas e entrevistas, não se pronunciou publicamente sobre o assunto. Dessa forma, algum tempo depois, ninguém mais falou sobre o caso.

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Com a ida de J. Silvestre para o canal da família Saad, Silvio Santos surpreendeu o mercado e anunciou Sérgio Chapelin, então apresentador do Jornal Nacional, em sua primeira – e única – experiência como animador de auditório. Mas a experiência durou apenas um ano.

J. Silvestre, que antes de ingressar no SBT estava há 10 anos afastado da televisão, novamente se retirou após alguns anos na Band, voltando em 1997, para comandar o Domingo Milionário da Rede Manchete.

O apresentador, muito famoso pelo programa O Céu é o Limite, nos anos 1950, morreu em 7 de janeiro de 2000, em Fort Lauderdale, nos Estados Unidos.



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