Para divulgar a edição especial “Sob Pressão – Plantão Covid“, a Comunicação da Globo promoveu (virtualmente) nesta terça-feira (29) a coletiva de imprensa com a presença de jornalistas de vários veículos do país, de Lucas Paraizo e outros redatores da série, do diretor geral Andrucha Waddington, do médico consultor Márcio Maranhão e do elenco. São dois episódios especiais a serem exibidos nos dias 6 e 13 de outubro (terças-feiras), após a novela das nove, A Força do Querer.

Há um consenso entre as reprises de novelas atualmente no ar de que elas sirvam ao escapismo. Sentenciou-se que o público quer a fuga da realidade neste momento de pandemia de Covid-19. Daí títulos como Fina Estampa, Totalmente Demais e Flor do Caribe, com bons resultados na audiência.


Marjorie Estiano e Júlio Andrade (foto: João Faissal/TV Globo)

É como se o público optasse por fugir da dura realidade. Um dos temores em relação ao desfecho de Amor de Mãe é que a autora Manuela Dias pese a mão na abordagem à pandemia. “Não quero ver covid na novela, já basta no noticiário“, já li nas redes sociais.

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Esse temor poderia ser estendido à série Sob Pressão, com dois episódios especiais tratando exclusivamente sobre o novo coronavírus. Uma que o público da série não é majoritariamente, ou necessariamente, o mesmo das novelas. Outra que, ficou claro na coletiva de imprensa, o objetivo é o olhar sob o ponto de vista do profissional de saúde, não do doente.

É inevitável que uma série que se debruça sobre a saúde falasse sobre o Covid. O objetivo é fazer uma homenagem aos profissionais de saúde“, afirmou Lucas Paraizo, à frente do roteiro. Natural, já que os protagonistas sempre foram os médicos.


Elenco de Sob Pressão (foto: Paulo Belote/TV Globo)

A narrativa realista é o que dá sabor a Sob Pressão. Porém, a série não se vale exclusivamente da realidade para contar a história. Não é documentário sobre o covid. “Uma coisa importante para nós era nos distanciarmos do jornalismo. Queríamos dar um olhar diferente, levar uma visão mais humana, tendo um pouco mais de parcialidade na condução das histórias“, enfatizou o diretor Andrucha Waddington.

Outra fala interessante de Waddington dá a entender que o público acompanha a pandemia de fora (pelo jornalismo), enquanto em Sob Pressão o acompanhamento é de dentro, por meios dos personagens médicos e enfermeiros.

A ideia dessa edição especial surgiu da urgência de tratar o assunto. A quarta temporada já estava praticamente escrita quando começou a quarentena e Paraizo e Waddington idealizaram essa edição especial, em dois episódios apenas. As gravações foram realizadas durante o mês de agosto, em 21 dias, seguindo todos os protocolos rígidos de segurança, com atores constantemente testados, atuando com máscaras e todos os EPIs e sem poderem se tocar.

Foi a primeira equipe de dramaturgia da Globo a gravar. O elenco conseguiu passar pelas gravações sem nenhuma contaminação. Um hospital de campanha foi literalmente montado em um estacionamento dos Estúdios Globo – claro que cenográfico: os respiradores, por exemplo, foram confeccionados por um aderecista.

A ideia foi retratar o início da pandemia, o período da quarentena em que houve maior isolamento social. O Dr. Márcio Maranhão, consultor do projeto, salientou: “Conseguimos condensar três grandes momentos: a perplexidade, o enfrentamento e o adoecimento dos profissionais (saúde mental e fadiga crônica)“.


Marjorie Estiano (foto: João Faissal/TV Globo)

Questionei Lucas Paraizo se a série aborda o descaso dos governantes, como a crise no Ministério da Saúde, o negacionismo do presidente da República e sua insistência na Hidroxicloroquina, e o desvio de dinheiro ou superfaturamento de insumos que deveriam ser usados no combate à doença.

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Paraízo afirmou que não é objetivo da série criticar nada ou ninguém e que o reflexo político só aparece se estiver diretamente ligado à história. Ele ainda completou: “Não temos o distanciamento crítico para sentenciar qualquer certeza. Optamos por não abordar vacinas ou qualquer tratamento, mas focar nos dramas dos pacientes e médicos”.

Há três novidades em relação às temporadas anteriores: os atores David Júnior e Roberta Rodrigues entram para o elenco fixo e estão na quarta temporada; a volta ao tempo (flashback) para contar o passado do Dr. Evandro (Júlio Andrade), com o irmão de Júlio, Ravel Andrade, vivendo seu personagem jovem (e Fabiula Nascimento como sua mãe); e a música composta por Ruy Guerra e Gilberto Gil e gravada por Gil e Chico Buarque especialmente para a série.

Sobre a quarta temporada (com previsão de estreia para 2021), Lucas Paraizo garante: “Não contemplaremos o Covid. Há ecos da doença, mas preferimos isolar o assunto para tratar agora [na edição especial]”.

SOBRE O AUTOR
Desde criança, Nilson Xavier é um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: no ano de 2000, lançou o site Teledramaturgia, cuja repercussão o levou a publicar, em 2007, o Almanaque da Telenovela Brasileira.

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