Diretor de minissérie da Globo rebate quem duvida de protagonista: “Piada”

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A Globo estreia, no próximo dia 20, a minissérie Passaporte para Liberdade, escrita por Mário Teixeira com direção artística de Jayme Monjardim.

Realizada com a parceria da Sony Pictures Television, sua produção teve início há mais de dois e prolongou-se por causa da pandemia. Totalmente gravada em língua inglesa, a minissérie, a princípio, teria o título O Anjo de Hamburgo.

Passaporte para a Liberdade

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A trama, baseada em fatos, estrelada por Sophie Charlotte e Rodrigo Lombardi, narra a história de Aracy de Carvalho (1908-2011), em Hamburgo, na década de 1930, período da Alemanha nazista, quando ela trabalhava no consulado do Brasil no momento em que judeus recebiam vistos para deixarem a Alemanha.

Foi lá que Aracy conheceu o diplomata e escritor Guimarães Rosa (1908-1967), com quem acabou casando-se.

Desde as primeiras chamadas, a protagonista é vendida ao público como uma heroína, já que, de acordo com a História, Aracy conseguiu, com vistos irregulares para o Brasil, salvar centenas de judeus das tropas de Hitler.

Por seus feitos, foi condecorada com o título Justa Entre as Nações, concedido pelo Museu do Holocausto (Jerusalém) a pessoas fora da comunidade judaica que auxiliaram judeus no período do Nazismo.

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Heroína mesmo?

Aracy de Carvalho

O jornalista Maurício Stycer, na reportagem em seu blog intitulada “Historiadores questionam heroísmo de ‘salvadora’ de judeus” (de setembro), informa que os pesquisadores Fábio Koifman e Rui Afonso publicaram recentemente um estudo (“Judeus no Brasil: História e Historiografia“) em que contestam essa versão da História:

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“Nenhum visto irregular ou qualquer ilegalidade foi praticada pelo serviço consular da representação brasileira em Hamburgo no período em que a ajuda humanitária a perseguidos judeus é atribuída”.

Os pesquisadores concluem que não houve nenhum gesto de heroísmo por parte dos funcionários do consulado, já que os vistos analisados no período foram emitidos dentro das conformidades.

Passaporte para a Liberdade

Em seguida, após a publicação dessa reportagem, a Globo anunciou a mudança do título da minissérie de O Anjo de Hamburgo para Passaporte para a Liberdade.

Na sexta-feira (10), aconteceu a coletiva de imprensa da minissérie. Questionei o autor Mário Teixeira e o diretor artístico Jayme Monjardim como eles receberam a versão dos dois historiadores e se ela altera o produto final.

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Teoria contestável

Mario Teixeira

Mário Teixeira se disse surpreso e que esta “não é uma teoria incontestável”.

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De acordo com o autor, “essa teoria é desmentida pelo Museu do Holocausto, em Israel, que levanta uma documentação absolutamente profunda para conceder a honraria Justo Entre as Nações a uma pessoa. Essas questões são muito discutíveis, porque o próprio trabalho da Aracy foi além do que fazia um funcionário [do consulado]”.

O autor concorda com os pesquisadores que as atribuições não cabiam aos funcionários do consulado, porém “a atuação da Aracy transcendeu tudo isso. Sua atuação como funcionária se transformou numa saga humanista em defesa do próximo, das pessoas“, salientou.

Tivemos acesso a incontáveis depoimentos de descendentes dos sobreviventes que narraram com muita emoção o que tinham ouvido de seus pais, avós e bisavós. (…) Quando o governo de Israel faz uma pesquisa tão profunda sobre a atuação de uma pessoa que vai ser agraciada com esse título [Justo Entre as Nações] – que é tão caro a eles -, eles levantam tudo a respeito dessa pessoa. Eles precisam ter acesso a documentos, testemunhos, depoimentos pessoais. Aracy nem imunidade diplomática tinha: se ela fosse pega pelos nazistas, ela teria sido enforcada, guilhotinada“.

Mário Teixeira concluiu: “Não mudou absolutamente nada [a minissérie]. Essa história, sinceramente, não me incomoda em nada“.

Sobre a mudança do título de O Anjo de Hamburgo para Passaporte para Liberdade, o autor afirmou que o anterior era apenas um “título de trabalho”, um dos títulos do início do projeto.

É uma piada!

Jayme Monjardim

Já o diretor Jayme Monjardim recebeu o estudo como uma “piada“. O diretor afirmou ter estado no Museu do Holocausto, em Jerusalém, e em Hamburgo e conversado com inúmeras pessoas, inclusive Eduardo Carvalho, filho de Aracy.

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“Ao ler [o título] Justo Entre as Nações, mais certeza ainda eu tive. Não tive dúvida nenhuma. Nada disso me abala, me preocupa. E nada foi mudado na história original [na minissérie] por conta disso. Para mim chega a ser até piada. (…) Outra: é lógico que não existem registros no consulado porque ela [Aracy] fazia isso de uma forma ilícita, escondida. Então não tem como existir provas a respeito disso”.

É uma piada!”, insistiu Monjardim. E finalizou: “Eu estou muito tranquilo a respeito disso e eu acho que a maior prova são os próprios depoimentos das famílias dos sobreviventes“.

Passaporte para Liberdade é uma coprodução Globo e Sony Pictures Televison, com estreia em 20 de dezembro, em 8 capítulos.

Criação de Mario Teixeira, escrita por ele e Rachel Anthony, com direção artística de Jayme Monjardim, direção de Seani Soares e produção de Samantha Santos, Mariana Pinheiro e Fabiana Moreno. A produção executiva é de Silvio de Abreu, Monica Albuquerque, Elisabetta Zenatti e Rachel Anthony.

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