Desastre: há 39 anos, terminava uma das piores novelas da história da Globo - TV História

Desastre: há 39 anos, terminava uma das piores novelas da história da Globo

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Se tem uma novela que a Globo faz questão de esquecer é O Amor é Nosso. Considerada a mais problemática trama já exibida pela emissora, estreou em 27 de abril de 1981, às 19h. Basicamente, contava a história do jovem cantor Pedro, vivido por Fábio Jr., em busca do sucesso e do reconhecimento da crítica. A desastrosa produção terminava há exatamente 39 anos, em 24 de outubro de 1981.

Escrita pelo psiquiatra Roberto Freire e por Wilson Aguiar Filho, tinha uma proposta diferente e ousada. Não queria tratar o jovem somente como objeto de consumo, além de trazer à tona novos conceitos sobre a Igreja Católica, através do revolucionário padre Leonardo (Stênio Garcia).

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Apesar de contar com nomes como Tônia Carrero, Buza Ferraz, Stepan Nercessian, Milton Moraes, entre outros, não deu certo. O público não entendeu a confusa história, que misturava elementos policiais com os romances e confusões típicas dos jovens. Além disso, a trama tinha excesso de personagens – algo como visto recentemente em Salve Jorge, onde muita gente não tinha função.

Exatamente na metade da novela, em uma situação emergencial, Walter Negrão assumiu o comando. Cogitou-se, à época, que seria usada a mesma técnica de Janete Clair em Anastácia, a Mulher Sem Destino, de 1967: uma tragédia levaria boa parte do elenco, que seria renovado a partir de uma nova história.

Um acidente de ônibus faria com que diversos personagens fossem eliminados. Mas o “ônibus da morte”, como ficou conhecido, não foi necessário. “Como peguei a novela exatamente na metade, achei melhor encerrar algumas tramas propostas pelos outros autores para poder desenvolver a minha. Assim, todos os personagens ligados ao lado policial da novela vão desaparecer, porque pretendo destacar o lado romântico da história. Mas não haverá o ônibus da morte”, disse Negrão à Folha de S. Paulo de 30 de julho de 1981.

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A chegada do experiente autor melhorou a fluidez da história, mas já não havia muito o que fazer. Como a Globo dominava praticamente toda a audiência e não existiam opções como TV por assinatura e internet, a emissora nem sofreu abalo nos índices, mas para o famoso padrão Globo de qualidade, mais forte do que nunca naquela época, um fiasco como esse era difícil de ser tolerado.

Participações especiais

O jovem ator Fernando Ramos da Silva (1967-1987), que havia vivido Pixote no cinema, também em 1981, esteve no elenco da novela como Pingo, mas não decolou. Marlene (1922-2014), estrela da era de ouro do rádio, viveu uma cantora decadente, gerando reclamações de seu fã-clube, ainda forte naquela época.

Para tentar turbinar os índices de audiência, a Globo chamou o cantor Roberto Carlos para fazer uma participação especial. Então casado com Myrian Rios, que vivia a mocinha da história, o rei participou como ele mesmo, ensinando Pedro a cantar.

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Nada disso, claro, foi suficiente para corrigir os rumos da novela. A experiência foi tão traumática que pouca coisa de O Amor é Nosso consta no arquivo da Globo. Restam apenas chamadas de estreia e o clipe da abertura, exibido um dia antes da estreia, no Fantástico.

“Muito difícil fazer um balanço crítico de O Amor é Nosso. Diante de tantas alterações, impossível analisar a obra. Não há obra. A novela acabou descosida, diferente, desossada, embora de certa forma divertida. Mas morrerá sem deixar saudades”, definiu o crítico Artur da Távola (1936-2008) no jornal O Globo de 25 de outubro de 1981, um dia após a exibição do último capítulo da trama. “A novela ficará como essas pessoas que morrem jovens: partem cheias de promessas e esperanças do que poderiam ter sido, se tivessem vindo a ser”, completa.



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