Chamada de maluca, autora da substituta de Pantanal deu o troco na Globo

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Atualmente preparando-se para a estreia de Travessia, novela das nove que vai substituir Pantanal no segundo semestre, Glória Perez deixou a Globo em 1987 após ficar irritada com a recusa de uma sinopse de novela que apresentou. No entanto, ela teve a chance de dar o troco no canal três anos depois, com final feliz para os dois lados.

Em 1985, a autora, que já havia escrito Eu Prometo e Partido Alto, leu um artigo médico sobre a possibilidade de uma mulher gerar o filho de outra em sua própria barriga, separando o útero do óvulo.

Gloria Perez

Quase ficção científica na época, o tema despertou a curiosidade de Glória, que foi pesquisar sobre o tema, pouco explorado pela imprensa, e descobriu que essa técnica estava sendo feita em uma clínica de reprodução humana da capital paulista.

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Dessa forma, ela preparou uma sinopse de novela e apresentou para a Globo. Assim nascia Barriga de Aluguel, que terminava em 31 de maio de 1991. No entanto, no primeiro momento, deu tudo errado.

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Trama rejeitada

Barriga de Aluguel

“A história foi não só rejeitada, como também tachada de “maluca”. Desgostosa com a situação, a autora deixou sua ideia de lado e saiu da Globo”, explica nosso colunista Nilson Xavier em seu site Teledramaturgia.

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Glória foi para a Manchete, onde escreveu Carmem. De volta à Globo, ela enfim pode dar andamento em seu projeto.

Parece pouco, mas em 1989 a situação da técnica já estava muito mais avançada e a emissora concordou em retomar o assunto, que, por pouco, não se transformou em uma nova Pantanal – sinopse recusada pela emissora que acabou sendo produzida por outro canal.

Tieta

Barriga de Aluguel seria exibida na faixa das oito, substituindo O Salvador da Pátria. Mas a ordem de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, foi para que Tieta ocupasse o espaço.

“Tinha tudo pronto. Elenco contratado e cidade cenográfica erguida. O planejamento era iniciar as gravações dentro de vinte dias, no máximo trinta”, revelou Reynaldo Boury, o diretor então escalado para este projeto, a Flávio Ricco e José Armando Vannucci no livro “Biografia da Televisão Brasileira”.

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Dessa forma, a trama estreou somente em 20 de agosto de 1990, na faixa das seis, com Cláudia Abreu, Cássia Kiss e Victor Fasano encabeçando o elenco.

Um grande sucesso, que poderia ter sido até maior na principal faixa da emissora, como atestou o especialista Ismael Fernandes em seu livro “Memória da Telenovela Brasileira”: “tal tema, aliado à qualidade do texto, teria reunido o país às oito da noite ao redor de uma polêmica dramática e científica”.

Disputa

Barriga de Aluguel

Na história, depois do nascimento da criança, as mães Ana (Cássia Kiss), a biológica, e Clara (Cláudia Abreu), a de aluguel, disputaram a maternidade e a questão foi levada aos tribunais.

Para estabelecer a decisão final sobre quem tinha o direito de ficar com a criança, Glória Perez recorreu à assessoria de três juízes e pediu-lhes que deixassem uma brecha nas sentenças para justificar, no roteiro, o encaminhamento do processo em três instâncias da Justiça.

Na primeira instância, Clara ganhou a guarda do bebê. No entanto, Ana recorreu e o Superior Tribunal de Justiça reconheceu que ela era a mãe biológica da criança. Marcou-se um terceiro julgamento, porém a novela terminou antes, deixando o telespectador sem a resposta.

Na cena final, as duas mães estavam de mãos dadas com o filho, decididas a encontrar uma solução para a situação, independentemente da decisão final da Justiça.

Depois de Barriga de Aluguel, Glória Perez se firmou no primeiro time de autores da Globo, escrevendo tramas como De Corpo e Alma, Explode Coração, O Clone, América, Caminho das Índias, Salve Jorge e, mais recentemente, A Força do Querer.

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